Opinitivo e Pessoal

Eu tô sofrendo com meu marido


Nos lugares onde trabalho e as vezes lugares onde estou ouço e vejo muitas histórias e, por que não, destinos cruzados. Nós temos como pessoas, as vezes, a necessidade de contar o que nos acontece. Talvez, esta necessidade seja a maneira de sentirmos alívio, ouvir a histórias de outros, e na comparação, medir, ou saber desta maneira, o grau de satisfação, felicidade, grandeza é nossa existência.

Dentre estas muitas colisões de realidades, destaco agora uma frase repetida em alguns momentos: “Como eu tô sofrendo com meu marido”. Aliás, já é real a ideia de que, nós homens, existimos para causar sofrimento e extremo desgosto às mulheres. Casamos então, e temos como ápice de nossas realizações e finalidade provocar todo tipo de sofrimento às mulheres. Pois bem. Ironias a parte!

Certa manhã encontrei um amigo numa clínica. Ele estava com o braço enfaixado. Nestes momentos acontecem e repetimos as perguntas clichês: “O que aconteceu?” Alguns já acusam a outra parte. Quando se vê uma mulher arranhada, ferida, azulada: “Você não aguenta com ele” ou “Vai dizer que caiu no banheiro”, ” Escorregou na escada?” – No entanto, com a clara insinuação que foi o marido quem a feriu.

Ao me responder disse-me em tom de chacota: “Foi Maria! Estávamos numa briga ferrenha lá em casa, ai, ela covardemente pegou um acha-de-lenha e me acertou.” Poucos minutos e ele foi chamado para o atendimento. Uma senhora que estava perto, aproximou de Maria e disse-lhe em sussurros: “Muito bem minha filha! Não se deve apanhar de homem não. Da próxima vez, acerte a testa. Basta todo o sofrimento que um marido dá. Violência não!”

Espantei! Quer dizer que há separação entre um homem violento e demais homens que não são violentos, mas, que fazem-nas sofrer? É bem isto! No ideário popular as mulheres, todas elas, mesmo as que não tem um marido, um companheiro, um namorado sofre com os tais. E, é aceitável que elas, as mulheres, sejam violentas com os maridos, e mais, as que conseguem ser, são heroínas ou até vingadoras das demais.

Outra vez, na fila do banco havia lá uma conversa. Ambas estavam na mesma toada. Basta uma dizer: “Eu tô sofrendo com meu marido” que logo a outra já começa a dizer: “Você não imagina o meu sofrimento…”. Terminou um causo, a outra já emenda. “O meu marido outro dia fez isto e aquilo”. É o suficiente para receber coisa do tipo: “Ah! Isto ai eu não tolero não, mas, o meu marido me trata assim e assado, e eu odeio quando ele faz isto, mas, ele não muda. Com eu sofro com ele”

Admiro é a lista de atitudes corriqueira, normal, simples que as fazem sofrer por nós, os maridos. Até uma gota d´água que cai no piso do banheiro as fazem lamuriar sofrimento eterno. Desgosto sem fim. Desconsideração desmedida. É complexo como elas chegam a medir o que fazemos e como ativa as partes doloridas e sofredoras delas.

A medida de sofrimento de umas, evidente, não serve como métrica para outras. Uma reclamam e lista como sofrimento o fato de o marido não ajudar em casa, enquanto outras reclamam de que ele ao ajudar, “exige compensações”; umas reclamam da falta de atenção com os filhos, outras reclamam da falta de atenção a ela, e ter esquecido a data tal; umas listam como sofrimento ter que ir às reuniões de pais na escola, enquanto o marido prefere ir jogar bola.

Quando tínhamos uns 10 anos de casado minha esposa reclamou de que não gostava de eu ficar sempre em casa. Que eu não ia a bares, festas, estádios, ginásios. Que meus vícios eram todos vícios domésticos e urbanos. Que outros homens saiam para pescar, caçar, acampar, viajar de motos, fazer aventuras, beberem, jogar cartas, dominó, sinuca… e que ela tinha vontade de eu ter amigos para tirar-me de casa. Outras amigas reclamavam do contrário. “Eu, ao contrário de você, já sofro com o meu por causa disso tudo. Basta ele saber que vai ter jogos, que ele abandona a família e vai para o vício do jogo dele”

É isto ai!

OBSERVAÇÃO I: Este texto não é sobre violência doméstica e como existem homens que mutilam, destroçam, maltratam suas companheiras.

OBSERVAÇÃO II: Amanhã faremos aniversários de casamento. Nosso filho mais velho fará 19 anos. Então, faremos 20 anos de casados. 21 anos de companheirismo, amor, triunfos, alegrias, tristezas, sucessos, fracassos. Prometi casar com ela a cada 2 anos. Ano que vem, casaremos em alguma igreja. Não sei qual. Ela vai escolher. Depois casaremos em outras igrejas a cada 2 anos. Vamos ver se este projeto vai adiante.

Ela continua a repetir: “Eu sofro com meu marido, mas, não quer largar”

3 comentários em “Eu tô sofrendo com meu marido

  1. Ah, voce com suas historias de cutucar cobra com vara curta!
    As observações de conversas é o espelho real do muito que se ouve.
    Entender comportamento humano e de casal é mesmo complicado, pois há caso e casos como diria lá nas Gerais.
    Parabens pelo aniversario de casamento e que possam realizar este propósito bienal.
    Uma boa semana amigo.

  2. Quer fazer chacota com as mulheres é? Não achei graça nenhuma. Existe o que é chamado de sofrimento moral. Este tipo de sofrimento é perverso por levar as mulheres ao esgotamento mental, a desilusão, estresse e consequentemente uma vida infeliz e improdutiva. E, eu sofro sim com meu esposo!

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