Opinitivo e Pessoal

Sou legalista, mas, acham que sou um soberbo!


Eu nasci e cresci em um lugar e numa época em que haviam regras. Era também uma época em que o ambiente era hostil e as regras duras. Seguir as regras e respeitar os limites eram necessários para a segurança própria e haver e prosseguir existindo paz, sossego, amizade, tranquilidade, segurança e essas palavras que significam muito para todos, mas, que nas últimas décadas anda fazendo muita falta.

Desde menino que aprendi a criar “meu credo”, minhas leis, meus regulamentos, meus estatutos. Isto me garantiu sobreviver em meio a muitos outros meninos e meninas que também impunham sem modo de vida.

Quando criança, eu não era importunado pelos pirralhos, nem era perseguido por aqueles ditos valentões. Os pirralhos não me enchiam pois sabiam que eu batia neles. E os marmanjos não me batiam pois temiam a minha reação, que era intempestiva, furtivas, e as vezes com tática vietnamita: guerrilha. Na infância eu descobrir que eu podia ser o que quisesse ser, seguindo as regras. Eu aproveitava das circunstâncias.

Criei minhas regras em épocas e lugares diferentes. Pessoas e locais. Circunstâncias e eventos. São coisas e eventos simples que desencadeiam em mim novas regras e novas leis, nova linha no credo. Vou dar exemplos que fica mais fácil entender.

Como já escrevi várias vezes, sou conversador, brincalhão, conheço muitas piadas, muitos causos, histórias e como dizia uma namorada, e com descreve o “horóscopo maldito”: Eu penso que agrado! E o pior, a maioria se sente agradada. Sou de elogiar, ajudar, compartilhar, auxiliar. E o outro lado, só se conhece, como diz na lei: somente se provocado.

Ano passado, fiz uma piada boba com um certo doutor em medicina. Na semana seguinte, a administradora da clínica me chamou a atenção, e disse que eu havia sido grosseiro com o referido médico, e que ele não havia gostado. A regra na clínica é o de paz e amor, perdão e restauração. Foi exigido e eu fui até o médico pedir desculpas pelo ocorrido, disse-lhe que não voltaria a acontecer tal situação e circunstâncias entre nós. Na festa de fim de ano, ele chegou animado, contando piadas, descontraído … e! Bem, ai, ele perguntou-me por que eu não estava rindo, nem participando. Eu havia criado uma nova regra: nem lhe fazer rir com minhas brincadeiras, nem rir das piadas que ele contasse.

Minha esposa, quando ainda era minha noiva, me respondeu com grosseria quando lhe elogiei o aroma do perfume. Algo simples: Eu gostei do seu perfume! Está uma fragrância gostosa! Qual é o nome? – É o de sempre! Só notou hoje? – Pluft! Nova regra: Nunca mais elogiar o perfume dela! – Recentemente ela questionou sobre um certo perfume e lhe respondi que não era de meu interesse saber se era ou não cheiroso. Se me agradava ou não. Que ela escolhesse! – É ainda o ranço daquela resposta que lhe dei?

Meus filhos também sabem como sou. Quando lhes comprei o vídeo game, aconteceu que, eu fui jogar e o filho mais velho tomou-me o controle, tirou o jogo e não me deixou jogar. Eu gostava de vídeo games até aquele dia. Desde então, jamais peguei no controle. Jamais o liguei. Mesmo quando estou só em casa.

Eu gosto de séries, filmes e futebol. Mas, não os vejo na TV. Raras são as vezes que faço isto. Porque tenho regras. Tenho e sigo regras em casa, no trabalho, na casa dos outros, em uma festa, numa igreja. E sou feliz sendo este legalista simplório e que faz de tudo para não entrar numa briga, e dá uma boiada para poder evitar!

Não achas te faltas humildade senhor? – Quis saber uma amiga certa vez. Por que achas que me falta humildade? É assim! As pessoas erram, e temos que ter humildade em reconhecer os erros, pedir perdão, e recomeçar. Sim eu sei desta regra. Mas, isto não explica onde é que me falta humildade em, por exemplo, no caso do médico, fui humilde em ir lá, dizer-lhe o que era necessário, e garantir a ele que, aquele evento não voltaria mais a acontecer, é falta de humildade, onde?

Vivo assim e assim sou feliz. Evito desgastes. Evito estresses desnecessários. Evito confusões. Evito constranger e ser constrangido mais do que o necessário. Se pego algo num lugar, me esforço para colocá-lo no mesmo lugar. Esta regra, eu criei quando roubava doces de brigadeiro de minha mãe. Pegava os maiores doces, tirava-lhe um naco, e enrolava de novo, e colocava no mesmo lugar, apenas um pouco menor. Eu seguia as regras, e aproveitava das circunstâncias

4 comentários em “Sou legalista, mas, acham que sou um soberbo!

  1. lembrei do filme “eu, eu mesmo e irene” – onde o cara que sempre viveu se segurando para não pisar no calo alheio explode e faz o dá na telha. assim, adão, eu acho que tu te exclui por causa dos outros. nada contra, apenas uma opinião. até acho uma boa ideia, se feita sob medida. só queres viver em paz, né? eu entendo. e se isso não te faz mal, tudo bem.

    1. O lado negativo desta auto-exclusão é que, depois, eu também evito a reinserção que se queiram fazer. Ou seja, há também outras regras que nascem das regras. Meu filho por exemplo, já quis que eu usasse o vídeo game, mas, eu disse: –

      Não! E a explicação é fácil, bastará eu querer usar o videogame para você, pegar de volta.

      Então, para eu, não pensar, e achar que minha vontade de jogar, brincar no videogame é algo verdadeiro e durável, prefiro não ter tal expectativa e opção. É, no final, uma maneira de evitar desgosto, constrangimento, e embate.

      Eu assistir a este filme!

  2. Bom te ler e ver a tua descrição de como és ou como te vês ou ainda, como te veem os outros. Regrinhas sempre temos e não podem nos atrapalhar!

    Bom é viver nossa vida sem estresses desnecessários e não ficar portanto, arrumando broncas por aí! levar a vida e vivê-la! abraços,chica

    1. Bem isto Chica! O dia-a-dia já nos traz muitos estresses, os ditos necessários, e que não podemos esquivar, evitar. Temos que encarar e resolver. E, quando chegamos no nosso lugar especial, termos que ter tais… ninguém merece

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