Opinitivo e Pessoal

“Pai! … pode crê, eu estou bem! Estou indo!”


Eu deveria estar alegre, satisfeito, feliz com o pai que me tornei. No entanto, não sei diferenciar, quantificar, medir, saber se a tristeza de ter perdido meu velho (em 2013) é igual ou maior do que a satisfação em ser pai.

“Pai! Me perdoa esta minha insegurança!” Mas, apesar dos mais de 20 ou 30, eu ainda continuo aquela criança. Evidente que, em determinado tempo todos ficaremos sem nossos entes. Todos ficaremos órfãos de pai e mãe. Mas, isto, saber, imaginar, ter esta certeza, não diminui uma só fração os sentimentos e angústias, as saudades e as tristezas.

Me lembro de uma amiga, que me enviou um vídeo do pai dela. Naquele dia eu refleti e me coloquei no lugar dela. E me doeu. Mas, não me doeu tanto, quanto estava doendo nela. É que, a ideia é sempre mais fraca do que a dor de quem realmente sente. Hoje, eu não tenho apenas ideia, eu também tenho a dor concreta em mim.

“Pai! Senta aqui que o jantar estar na mesa.” Meu pai era daqueles homens da década de 40,50 que tinha que ter uma esposa para lhe servir o prato, lhe tirar as botas, deixar a roupa pronta sobre a cama para ele vestir-se quando iria para o trabalho, para a missa, para algum evento social. Ele tinha que ser avisado: Pai, estar na mesa. Há circunstâncias e necessidade.

“Pai, pode ser que daqui a algum tempo possamos ser mais… quem sabe pai e filho talvez”. Eu tenho muitas lembranças de me pai. Boas, más, insignificantes, edificantes, desastradas, amigas, felizes, alegres. Uma vez eu fugi de casa e fui para a casa de meu outro pai: meu padrinho Arnaldo. Outro grande homem em minha vida.

Juntamente com eles, certa vez, eu me lembro de ter ido moer cana na casa de meu padrinho. Naquela tarde meu pai levou para casa um galão de caldo de cana. Eram cinco litros do líquido. Na parte da tarde, fomos nós três, e o cão, da raça pastor alemão, chamado de Peri para o Ribeirão. Lá tomamos banho, e ficamos só de cueca. Que dia marcante. Eles foram comigo pais. Eu fui para eles filho.

E naquele outro dia em que fugi, somente meu padrinho soube que eu havia fugido. No final do dia eu esqueci que não era para voltar para casa, e voltei!

“Pai! … estou pedido com loucura, para você RENASCER.”

“Pai! … pode crê, eu estou bem! Estou indo!” Não seria mais fácil se você estivesse aqui, mas, seria menos dolorido!

4 comentários em ““Pai! … pode crê, eu estou bem! Estou indo!”

    1. As vezes, ainda quando jovem, imaginava um futuro em que meu pai estaria de um lado, e eu de outro, inimigos. No entanto, a vida, as situações, os causos, me mostraram as vezes em que eu estava errado, e meu pai certo, e as vezes que ele estava certo e eu errado.

      Mudou muito minha visão e opinião sobre ele, as condições em que ele viveu, exigiu, foi exigido. As transformações sociais, e as diversas adaptações que ele teve que passar desde a infância.

      E, no final, eu amava mais do que “odiava” a ele!

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