Opinitivo e Pessoal

“Tem coisas que são atividades da mulher, tem outras que é atividade dos homens”


Quando decidir que era hora de casar, alguns amigos deram conselhos contrários. Uns por pensarem que ela não era a mulher ideal para mim; outros, por verem em nós um antagonismo que nos faria viver uma triste vida a dois; outros, viam em nós um abismo cultural e social que nos atrapalharia; uns poucos viam-nos como os teimosos que em breve se desiludiriam.

Não há um segredo para que estejamos juntos a vinte anos. Apenas estamos juntos. Talvez pela teimosia. Ou como me disse ontem meu filho, disse não, mostrou em um vídeo de uma série, em que a mulher disse:

– Seus avós só estão juntos até hoje, por que, se alimentam do prazer, de um querer ver o outro morrer primeiro.

Entre nós, não chega a tanto. Mas, ao passar destes anos, pelo que vejo, eu me pareço cada dia mais com meu pai e seus defeitos, e ela, tem adquirido todos os comportamentos recrimináveis da mãe.

No início da noite, quando sair para dar aulas, ela me gritou:

– O que você vai querer jantar meu amor?

– Não sei, não! Não sei, não! – Gritei já fechando o portão da saída. Sei, e percebi lá de fora que ela ficou zangada. Mas, ficou zangada sem motivo. E, ainda que você discorde de mim, e pensar que sou grosso, mal educado, machista, dominador, cruel, insensível… bem! Nada disso vai colar.

Acontece que desde o início fui claro, e sempre deixei claro que há coisas que, no relacionamento é coisa de homem, e há coisas que é coisa de mulher. Mas, pode haver exceções de ambos os lados. Saber o que vamos comer no jantar, aqui em casa é uma coisa de mulher e de homem. Há variações. As vezes sou eu quem vai tomar as providências do jantar. Mas, no almoço, é coisa que ela não pergunta para mim, eu é que pergunto para ela: “O que é que eu tenho que trazer para o almoço?”

Então ela me faz uma lista: traz feijão verde; ervilha, macarrão, fígado, frango, peixe, carne com osso, carne para ensopado, traga atum, traga maionese, traga extrato… Sempre assim! E tem mais: sempre defendi que eu não devo exigir cardápio, eu chego, e tenho que comer o que ela, a mulher fez.

Os dias em que é dia de lavar, passar, gomar, ir ao mercado, levar o lixo da casa, …, na maioria dos casos, é coisa que é ela quem sabe, e quem decidiu. Sem consultas ou voto em aberto. Ela decidiu, promulgou, estabeleceu e está feito.

Sempre foi também tarefa dela dar nome aos filhos. Desde que ficou grávida que havia o papo: já escolheu o nome? Se for menino como será o nome; mas, se for menina, qual é mesmo o nome? Eu sempre respondia a mesma frase: quem tem que dar nome aos filhos é a mãe. Quem tem sonho de nome tal, e tal nome, são as meninas. Então é ela quem vai colocar o nome nos filhos.

Então, quando ela perguntou: o que é que eu queria para o jantar, a resposta ela já sabia, e não precisava fazer a pergunta, exceto se fosse uma retórica, pois, ela sempre soube, que, a decisão do que vamos comer, parte sempre dos desejos, vontades e trabalho dela. É o tipo de coisa, que já está decidido desde antes, não é necessária nova reunião para debater o tema.

6 comentários em ““Tem coisas que são atividades da mulher, tem outras que é atividade dos homens”

  1. Pois é amigo, às vezes há uma indecisão do que fazer, ou se o que vai fazer vai agradar, eu tenho um comportamento parecido, não solicito menu e sou boa boca,rsrs. O fato de ter morado em republica de estudantes pobres me fez um cozinheiro, mas minha vocação culinária esbarra na tradição mineira e nem sempre agrado com meus pratos,kkkk.
    Mas concordo que certas coisas devam estar predeterminadas no lar.
    Tem chovido nesta região? Aqui chove e faz até frio.
    Meu abraço.

  2. Concordo com o comentário da Luma Rosa. Embora, se eu tivesse um marido que cozinhasse nem iria reclamar de nada que ele fizesse (ainda concordando com o comentário acima.rs). Mas, ainda acho que é relativo: meu namorado é muito chato com comida. Então, no meu caso, haveria um acordo.

    1. Então concordas comigo, oras bolas: “haveria um acordo.” É o que vigora por aqui: acordos! he he he he

      E, ela fazer as perguntas que ferem o acordado, é que está fora do acordo!

  3. Talvez quando ela fica indecisa no que fazer para o jantar, espere uma dica, algo do tipo “Estou com uma vontade de comer feijão tropeiro”; É muito chato elaborar cardápio todo santo dia! Quem sabe a resposta boa seria: “Hoje não precisa cozinhar, descanse!” ou então: “Vamos sair para comer”.
    Como sou casada com um homem gourmet😀 é ele que cozinha quando chegamos do trabalho.
    Beijus,

    1. Diz o ditado Luma: “Nada combinado sai caro”. E aqui, o combinado é o combinado.

      Quando temos estas outras situações e circunstâncias, já temos o combinado para eles.

      Quando ela não quer cozinhar, faz como anteontem: “Adão traz marmitas, hoje eu não vou cozinhar” Ou um cenário diferente: “Frita ovos, e faz farofa que hoje eu não fiz nada”

      Quando é para comer fora, do mesmo jeito: Hoje eu quero comer acarajé! Quero comer coxinhas e esfirras …

      E, vez ou outra, eu faço sopa e nada mais que sopa! Não sou do tipo gourmet.

      É assim!

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