Opinitivo e Pessoal

Famílias grandes trazem grandes alegrias, e também grandes tristezas.


Existem vários bons motivos pelos quais eu gosto de pertencer a uma família numerosa. Somos ao todo, de uma só mãe, dez! Cinco homens e cinco mulheres. Se contar os outros, ai o número aumenta para 14 ao total. Meu pai antes de morrer, algumas vezes me disse:

“- Você reclama por ter dois filhos, imagine a dor de cabeça que foi cuidar de vocês todos!”

No entanto há um truque para a educação de muitos filhos. Eles tiveram que cuidar de todos, mas, educar de fato, só os primeiros foram educados. Os demais filhos, todos eles, foram pautados pelos exemplo dos mais velhos. É tanto que, na minha família há pelo menos três grupos de irmãos.

  • Os irmãos mais velhos formam um grupo seleto e respeitados;
  • Os irmãos do meio, formam um grupo dos mais influentes e organizados;
  • Os irmãos finais, que eu chamo de “últimas gosmas”, tiveram uma vida amena e com menos cobranças.

Há entre nós, os mais velhos, uma cumplicidade e harmonia maior entre nós. A diferença de idade entre nós é assim: A mais velha já deve estar com 50 anos, e o caçula, com metade dessa idade.

Hoje minha irmã mais velha me ligou. Disse que sentiu saudades de mim, e queria contar umas novidades. O fato é que, ela queria alguém para aprovar suas atitudes. Queria ter um apoio. Queria dizer para alguém o que estava fazendo, e que, os demais a estava criticando. Penso que ela ligou já conhecendo a minha posição e opinião. E, gostaria de ter uma palavra amiga e consoladora e também de incentivo.

Ela casou-se muito nova e grávida. Naquela época, metade da década de 80, casar-se grávida era como ter hoje um filho preso como traficante: vergonhoso e desonroso para os pais. Ela casou-se, mas, sempre soube, que eu, era contra o casamento. Viveu com o dito marido por cerca de trinta anos, até que finalmente rompeu com os grilhões que a aprisionava. Os grilhões morais e éticos, religiosos, dogmáticos são tão danosos quanto um período em Pedrinhas no Maranhão: Pode-se não sair vivo.

Ela suportou sofrimentos diversos neste período. Sofreu muita coação psicológica. Sofreu muita pressão social, familiar para manter o “santo matrimônio”; sofreu por muitos anos ao carregar na vida um compromisso que poderia ter terminado nos primeiros anos. Depois de duas dezenas de anos, os filhos faziam pressão para que ela mantivesse o seu próprio cárcere.

Quando finalmente conseguiu se divorciar, encontrou apoio de nós todos. Os mais velhos por conhecer a sua história. E os mais novos por terem uma mentalidade mais liberal e desconexa da velha sociedade. No entanto, ainda foi pressionada para manter o que era improvável. Hoje ao me ligar, contou-me segredos e desejos. Falou-me de suas aventuras e desventuras. Disse coisas que há tempos desejava falar, mas, devido a distância, nunca havia contado.

Fiquei feliz em saber que minha irmã está feliz. Soube da vida dela, por ela mesma. E, sei que há uma ala familiar que a está criticando. Sei! Por que conheço minha família e sei de que há entre nós, aqueles que pensam que felicidade é seguir as regras sociais impostas pela religião; que há prazer em ser socialmente aceito; que há, e deva haver obediência aos regulamentos, aos preceitos sociais, como: ser casada e manter o casamento, ainda que sob a dor, e o infortúnio; ainda que esteja sob o jugo da opressão e dos maus tratos.

Ao apoiar minha irmã, o fiz, por pensar que nós temos certas liberdades. Eu questiono o livre arbítrio, o destino, os acontecimentos exatamente por tudo isto que acontece. Dizem que temos livre arbítrio, mas, a maioria discorda quando tomamos decisões contrárias aos costumes e as imposições da maioria.

As duas irmãs caçulas também casaram grávidas. Lembro-me de tê-las apoiado na gravidez, na proteção e no cuidado com as gestantes. Ano que vem, o sobrinho mais velho irá dar-se em casamento. Já recebi o aviso-convite semana passada. Então neste contexto, ter uma família grande é maravilhoso por que, ela sempre crescerá por ser já grande. Uma família grande, dá nos grandes alegrias, apesar de que, é grande as probabilidade de termos grandes tristezas.

4 comentários em “Famílias grandes trazem grandes alegrias, e também grandes tristezas.

  1. Oi, Adão!
    A minha mãe teve 3 filhos naturais e mais 6 adotados e nesse ínterim, por ser a caçula, tenho uma diferença de 30 anos do meu irmão mais velho. Ele teve uma educação primorosa, mas nem por isso se sentiu responsável pelos irmãos mais novos. Foram meus pais que educaram todos os filhos e eram além de pais, também amigos – coisa que na educação atual, pedem para não ser. Na verdade, cada família é uma fórmula, mas nunca tinha pensado sobre educar apenas os mais velhos… Assim fica fácil!😀
    Beijus,

    1. Olá Luma

      Hoje, depois de 45 janeiros, é que, já sei, e tu também já deves ter lido, a história dos macacos que batiam nos outros macacos quando subiam na escada para pegar a banana… não é. Em todo caso eis um texto reduzido:

      “Numa experiência científica, um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

      Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão.

      Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e batiam muito nele.

      Mas um tempo depois, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

      Então os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira atitude do novo morador foi subir a escada. Mas foi retirado pelos outros, que o surraram.

      Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

      Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu – tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo da surra ao novato.

      Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e, afinal, o último dos veteranos foi substituído.

      Os cientistas, então, ficaram com o grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

      “Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui”.

  2. Eu também tenho família enorme. Somos atualmente 13 irmãos e irmãs. É uma grande alegria reunirmos na casa de nossos pais, com netos e bisnetos. Os velhos ficam todo prosas com a netaiada do lado. Se sentem os reis e as rainhas. Eles demonstram ter muito orgulhos da família que criaram.
    E, também nossa família tem os grupinhos formados. Os mais velhos é como você disse: um grupo especial e seleto e são os que tem mais moral do que os outros mais novos, que sempre perguntam se estão fazendo a coisa certa, como se nós tivessemos as repostas prontas e feitas.

    1. Lá também era quase isso. Muito parecidos. É, ou foi o modelo. Era vergonhoso para as famílias quando um dos seus membros não se comportava como o modelo, não é.
      Hoje está muito mudado. Antes, até separar, ter novo casamento as famílias se esforçavam para evitar. Eu, por outro lado, já dei apoio a cada uma que desejaram dar um basta e recomeçar. Parar e fazer um novo final, ou quem sabe, novo dissabor.

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