Opinitivo e Pessoal

Como conviver com pessoa que desenvolve transtorno de personalidade?


Esta semana foi tudo que teve: início da copa, dia dos namorados, e sexta-feira 13. Recebi o convite da Norma Emiliana do blog/site: Pensando em Família para uma blogagem coletiva no dia 12, o dia dos namorados. Eu aceitei o convite, no entanto, não tive condições de escrever sobre o tema: 12 de junho – dia dos namorados. Hoje, estou podendo “dedicar” algum tempo à atividade de escrever, e escreverei sobre vários temas e assuntos. Dá próxima vez Norma, tentarei me ajustar aos prazos.

Explicação curta da semana!

Esta semana não foi de dias felizes. Meu filho primogênito foi a um dentista para tão somente fazer uma reconstrução dentária, e o tal cometeu um erro crasso, ao ponto de ele ter que passar por uma cirurgia de correção. Segundo outro dentista, que está acompanhando-os pós erro, ele sofre um lesão corporal, e que, o profissional em questão, é um péssimo profissional, que não consegue segurar uma lixa corretamente. Não poderia ter chegado em dias piores. Todos os planos e orçamentos ruíram.

O dia 12 de junho.

Sobre o dia 12, minha esposa já não cria expectativas. Sabe do meu pragmatismo, apesar de que, ela sabe que prefiro os muitos outros dias que não tem data estabelecida para uma surpresa, um convite, um presente. Pois bem! O dia 12 foi, em sua maior parte, um desgosto. Mas, nas últimas horas do dia ocorreram mudanças, mudou-se os ânimos e o dia terminou com boas surpresas. Fui à praça logo após o jogo. Minha esposa/namorada ficou super animada e alegre com a minha atitude. Eu não costumo ir às praças, ainda que próximas de casa. Tenho lá minhas implicâncias e desconfianças com eventos externos bem como, o comportamento social herdado de meu pai.

O final do dia 12 foi maravilhoso. Terminamos sob o luar do sertão.

Amar mesmo no caos, no sofrimento e no transtorno.

Já estou com ela faz vinte anos. O filho primogênito já fez 18 anos. Durante muitos anos de minha vida, dediquei tempo e disposição em estudar psicologia, psiquiatria, filosofia, teologia e outra ciências humanas. Com base no que estudei, tenho diagnosticado, faz uns meses, um transtorno de personalidade em minha esposa. Não é nada fácil e simples. Com o convívio que tenho com ela, sei que, qualquer indicação de que ela deva procurar um especialista, um acompanhamento profissional, será o suficiente para uma reação em cadeia.

Por isto, estou à procura de meios para encaminhá-la a um tratamento. O meu desejo é fazer por indução. É encaminhar tudo sem parecer que estou forçando a situação. E o que é que tem me levado a diagnosticar este transtorno de personalidade nela, se até os especialistas da área tem dificuldade em detectar?

Ai é que está o detalhe: eu convivo e a conheço. Tenho como saber o antes, o durante, e o momento atual. E, há grande diferença na personalidade e no comportamento dela. E tudo começou, depois que a mãe dela morreu. (Minha sogra me causa mais problemas morta do que quando viva).

O pior da situação é ainda não poder classificar o grau do transtorno, pois, para mim, há um grupo disjunto de fatores, eventos e sintomas. Estou analisando e ajuntando tudo que posso para em breve, o mais breve executar o plano de inclusão dela em algum grupo de apoio, e acompanhamento especializado.

Perseguição e abandono.

Neste período ela tem desenvolvido o comportamento de que é perseguida por: mim, pelo filho mais novo, por demônios e coisas ruins. E, consequentemente, e ou, também tem reclamado de ter sido abandonada por mim, pelo filho mais novo, pelo pai, por Deus, e pelos amigos e familiares.

Revisão do passado.

Recentemente numa das sessões de rusgas e amontoado de ofensas, reclamações e exaltações, revelou que nem no passado as pessoas a valorizava. Até no colégio ela era a reserva; que foi campeã escolar de handebol na reserva, e que jogara apenas poucos minutos. Ela tem visto e entendido como abandono, e visto perseguição onde antes, os eventos eram citados noutro contexto e realidade.

Inconstante e imprevisível.

Temos passado por alguns momentos difíceis com ela. Se tornou uma pessoa inconstante e imprevisível. Faz cinquenta minutos que ela começou uma briga comigo por causa de uma desconfiança tola. Por volta das 17 horas dei a Pedro vinte reais para ir ao evento da escola. Ela me perguntou quando eu havia dado o dinheiro a ele. Eu disse que foi quando eu havia “acordado”. Isto foi suficiente para uma briga e uma discursão sem fundamentos e necessidade. Mas, como tem implicado com Pedro, e me acusado de proteger e de estar acomunado com ele para a perseguir a prejudicar (…) Agora a pouco, faz uns 5 minutos entrou aqui na sala onde estou, e trouxe um sobrinho para eu ver e brincar como se nada tivesse acontecido, e que ela não me ofendeu, e julgou injustamente numa questão sem nenhum valor.

Outros elementos perceptíveis.

Ela tem agido de uma maneira extremamente emotiva, com uma hipersensibilidade exagerada. Coisas, palavras, ações, atitudes, antes toleradas agora, são todas elas motivos para choro, chantagens emocionais, crise existencial. Se tornou uma pessoa emocionalmente incontrolável, dramática e muito preocupada com o que outras pessoas “podem” estar pensando, ou que vão pensar sobre ela a família e muitos outros aspectos superficiais, e até pouco tempo, irrelevantes. Elogiar as vezes é perigoso. Não elogiar as vezes é mais agravante. Dizer eu te amo, as vezes, é entendido como expressão de hipocrisia e falsidade declarada. Coisas assim de extremos. Com sensibilidade e insensibilidade.

Mudança de perspectiva e observação.

Antes, eventos e objetivos alcançados eram vistos como pontos positivos. De uns tempos pra cá nada mais, nem as pequenas e médias conquistas são vistas como tendo valor. Pelo contrário, isto e aquilo, não vale nada. Um presente que lhe dei, jogou de lado com total desprezo: “Não foi isto que eu pedi! Eu pedi algo totalmente diferente.” – Mas, eu tenho certeza de que nada pediu, nem sugeriu. Como agora a pouco a história do dinheiro que dei a PH a tarde e ela cismou que eu dei o dinheiro assim que acordei pela manhã.

Conclusão.

Em minha análise ela está navegando entre o transtorno paranoide e histriônica. Por que assim era a mãe dela. Herdado não é roubado. O pior da situação é que ela está assim aos 40 e poucos anos. Eu como esposo, que prometi, estar com ela na alegria e na tristeza, também prometi estar na doença. Agora é momento de estar com ela. Acompanhar. Entender. Procurar ajudar. Querer ajudar.

É esquisito a situação. Às vezes, num mesmo dia, tenho diversos cenários e painéis. Como no dia 12 em que durante parte do dia foi caos, desavença, discursão, e terminou como um dia alegre, feliz, saudável. Ela sai de um extremo a outro em instantes. Sai de um ambiente e situação de briga para a o ambiente de festa, entusiasmo, e alegria em poucos minutos. Como exemplo, fica este: ás vezes ela entra para tomar banho brigando com todo mundo. Entra no banheiro, toma banho, chora, reclama, xinga, reclama mais, xinga outro tanto, sai, se enxuga, se veste e diz: vamos ali comer um acarajé e beber uma cerveja que estou com vontade. Como se tudo que aconteceu até momentos antes do banho não tivesse existido.

Bem! Quem ama, é assim! Ama até nestes extremos! Qual é o limite, o extremo, o tamanho, a largura, a altura, e a profundidade do amor? Eu não sei! Eu sei, que, para mim que a amo, espero que com o tempo tudo isso passe. Que isto é só mais uma fase. Que é só mais um período que teremos que passar, e passar juntos.

Em breve isto será tão somente uma lembrança, um texto de blog. E espero que ela não leia esta análise que faço da situação em que estou, aqui dentro deste redemoinho de emoções, desta tormenta de sentimentos. Não tenho certeza qual será ou qual seria a reação dela ao ler tais análise que faço. Pode ser desde um elogio, um sentimento de gratidão em saber que estou preocupado, e estou observando-a, estou acompanhando-a, ao outro extremo: me “odiar” por tudo isto. Vai saber!

Vou repetir o apóstolo Paulo: O amor tudo suporta!

5 comentários em “Como conviver com pessoa que desenvolve transtorno de personalidade?

  1. Quem ama sabe da dor e da alegria. Seu relato é profundo com ciência e consciência da responsabilidade a empregar. Que voce tenha força amigo em cada manhã para renovar esta determinação e que tão logo possa encontrar o profissional, para lhe ajudar nesta missão de ato de amor.
    Um abração.

  2. Oi Asdo
    Você fez um intenso relato dos acontecimentos e sabe que precisa de ajuda, pois realmente é necessário que um profissional especializado cuide da questão.
    Grata por aceitar meu convite mesmo que não chegando no tempo programado.
    Espero que consiga dar conta dos problemas aqui expostos.
    Abços.

    1. Obrigado Norma. A situação exige cuidado, e atenção e a ação deve ser dentro de certo prazo, que, não sei qual é, bem como não posso deixar muito tempo passar para não se agravar. E, deve ser feito com cautela, estratégia para não agravar o que já está grave.

      Grato pela compreensão.

  3. Puxa, desabafaste bastante e tomara ela não leia.Não sei se gostaria,rs Que ela fique bem e tudo se ajeite! Difícil é aceitar o tratamento! Boa sorte pra todos e essa do dentista é doooooooooooooooooooose, não? abraço,chica

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