Opinitivo e Pessoal

“Eu não casei para ser feliz, nem casei por causa do sexo, e tão pouco por amor.” – Parte II


Eu trabalho na área de informática, e faço um monte de coisas relacionadas à área técnica deste ramo. Por meio do trabalho tenho e mantenho contatos diversos. Homens, mulheres, idosos, crianças. Gente de todo tipo, classe, estirpe, religião, região. Pessoas educadas, politizadas, civilizadas, cultas, e também o contrário de toda esta lista.

Faz algum tempo que, conversando com umas profissionais do setor de faturamento, houve debate e discursão acalorada sobre a seguinte frase que eu disse:

“Eu não casei para ser feliz, nem casei por causa do sexo, e tão pouco por amor.”

Isto foi suficiente para eu ser considerado persona non grata para pelo menos duas pessoas presentes. Ainda mais! Zangaram-se muito mais, quando, eu pouco fiz para argumentar a favor de minha ideia, e também, por não aceitar mudar e seguir o que elas acham, pensam advogam como sendo a verdade, a clausula pétrea da vida feliz em família: felicidade, sexo, regido pelas regras nobre do amor.

Esta semana, estando lá, uma das pessoas que estavam naquela outra ocasião me indagou sobre o assunto, e quis saber especificamente o que eu quis dizer sobre não ter casado para ser feliz, nem por causa do sexo, e também, o mais estranho, por que eu faço pouco caso do amor. Então lhe expliquei alguns detalhes. Este assunto, eu já escrevi antes aqui no blog, mas, volto novamente a ele para explicar mais, e mais bem, ou não, detalhadamente.

1 – “Não casei para ser feliz”. Não existe uma relação direta e constante entre: casar-se e ser feliz. Nem tão pouco, em ser feliz, e estar casado. Um pode existir sem o outro. E, pode haver ambos, e haver apenas um. Pode-se casar e não estar feliz, e ser feliz! Por que sentir-se feliz é algo relativo, subjetivo, íntimo. Eu por exemplo, me sinto muito bem, realizado, feliz, satisfeito em ter internet, livros, revistas, séries, filmes, e músicas. Se eu pudesse passaria todo o tempo possível me sentindo feliz assim.

Por outro lado, não é isto que faz minha esposa sentir-se feliz. Do que eu gosto, e me faz está regozijado, alguns coincidem com o de minha esposa, como por exemplo, televisão e música. No entanto, o que eu gosto de assistir, não é o que ela gosta; as músicas que ouço a irrita, por isto, uso fones de ouvido, enquanto ela e os filhos ouvem nas maiores alturas as músicas que eles gostam, e que, muitas vezes, me faz estar nos cascos.

Eu casei por ser uma pessoa capaz de estar feliz com o mínimo, e estar disposto, e preparado em respeitar os gostos diversos entre nós humanos. Eu casei-me por querer ter uma família; casei por querer ter filhos; casei por querer dar continuidade à espécie; casei-me por que nas sociedades civilizadas ou não, se casam e se dão em casamento para que a sociedade exista e continue a existir; Se sou feliz, mesmo depois de ter casado, é gostoso, bom, legal, mas, a felicidade minha e de minha esposa, não é em consequência de termos casados, e sim, em consequência de nós mesmos; das pessoas que somos; de como enfrentamos as circunstâncias; de como reagimos às situações; A felicidade acontece de forma diferente para mim, e muito diferente para ela; por fim, ser feliz, estar feliz, estar contente, satisfeito, regozijado, é mais algo íntimo, pessoal, subjetivo em cada um, e não estando neste estado de graça, não traz culpa ao nosso cônjuge.

2 – “Não casei por causa do sexo”. Talvez esta seja a mais fácil de explicar, afinal, não é necessário casar para se ter uma vida sexual ativa, fluída, constante, intensa, não é? Pelo contrário, depois de casado, talvez façamos menos sexo, do que quando éramos namorados, e noivos.

E, o que muda para que a vida sexual caia? Não é que exista uma queda na quantidade, no interesse, na vontade de se fazer sexo. É que a vida social muda, altera, se modifica muito, e em consequência disto, a vida sexual também se altera, se readapta a circunstâncias, e, por isto, e muito mais, a relação sexual, não ocupa, como, quando éramos mais jovens, a prioridade do dia, da semana, do mês.

Muitas coisas acontecem. Em meu caso, por exemplo, no inicio, tivemos uma vida sexual intensa, constante e maravilhosa. Depois que o primeiro filho nasceu um erro médico fez com que ela sentisse dispareunia; depois de dois anos e meio, depois de remover o aparelho contraceptivo (diu) foi que tudo voltou ao normal.

Além disso, a questão sexual entre os casais não segue regras fixas, e muitos casais nem regras mantém. Aqui em casa, é assim. Não temos uma regra. Às vezes estamos sós, e não fazemos sexo; outras vezes tem-se vontade de fazer sexo, mas, não pode por que a casa está lotada de amigos nossos ou dos filhos. Conheço casais que tem, e mantém a rotina de terem sexo todas as terças e quintas-feiras. Aqui não conseguimos ter esta regra. As vezes fazemos sexo e fazemos muito, quando se tem vontade, desejo, e oportunidade. As vezes tenho vontade, e ela não; as vezes ela tem vontade, e eu não; o bom mesmo é quando tudo se coincide.

Para quem casa imaginando ter uma vida sexual, plena, constante, duradoura, intensa, e, que, bastará chegar em casa e chamar a esposa para o “cafofo” …, se descobre que estando casado, não é assim que tudo funciona. Existem outras variáveis e constantes locais e globais a serem levadas em questão.

E, mais! Eu não sofro intimidações sexuais, nem greve sexual para isto e para aquilo, como fizeram algumas mulheres mundo a fora.

O sexo tem valor, mas, não como moeda de troca. Não é que, não me faz falta. Já aconteceu de minha esposa pensar assim, e começou algo do tipo. E, descobriu 45 dias depois, que a importância do sexo, pode ser substituída por outras atividades prazerosas, e nunca mais aconteceu tal tipo de chantagem.

Uma piada que me contaram aqui em Irecê quando cheguei: O filho encontra o pai num cabaré na madrugada e indaga: Oxente pai! O que o senhor veio fazer aqui? E o velho respondeu: E você acha que eu vou incomodar sua mãe só para não gastar dez reais? – Pois então! Se casar fosse só por causa do sexo…

3 – “Não casei por causa do amor”. Esta talvez seja a expressão mais complicada de se explicar. Mas, vamos lá!

  • Eu sentia amor por ela e por isto casei?
  • Depois que eu me casei com ela, eu a amei!

Nem todas as pessoas que dizemos que amamos, nós pediram em casamento, e com ela nos damos em casamento, não é? Então, o que é que nos faz pedir uma pessoa em casamento, não é necessariamente o amor, uma vez que amamos, sem casar, e muitos se casam, e depois é que passam a amar. Há pessoas que eu digo que amo, e de fato as amo, sem no entanto querer casar-me com elas; amo homens; amo mulheres; amo animais.

Assim posto, não é que eu não sentia amor por ela, que não a amava, mas, sim afirmação de que tem visão diferente, conceito diferente sobre o amor. Não é o tipo de amor que se vê exemplificado na maioria das novelas, filmes, séries, livros, e revistas. Procuro não misturar os diversos conceitos da palavra amor.

É neste sentido que digo que, o que me fez casar, não foi o amor (pleno) que eu sentia por ela, e sim, outro tipo de amor, o que está relacionado ao sexo; e por outra, depois que convivi com ela, descobri que existe este amor prático, pragmático, dogmático e até, há amor de forma empírica, amor intenso. Coisa que no inicio, quando nos conhecemos, não era assim tão arraigado

O amor pleno por ela, me chegou no tempo dele chegar, e o que me fez unir a ela, inicialmente, foi tão somente o amor eros.

Tá ai todos explicados, não tão bem explicado, mas, é possível entender.

8 comentários em ““Eu não casei para ser feliz, nem casei por causa do sexo, e tão pouco por amor.” – Parte II

  1. Oi, Adão!
    Pelos motivos expostos não é bom estar casado. Cada fase da vida temos um motivo, mas constituir família é algo da natureza humana, mas não dá casar e amar outro ou mesmo fazer sexo com outro. Mas tudo isso é efemero e com certa maturidade vemos que os motivos caem por terra e o que vale mesmo é ter afinidades que compensem os desacertos e não perder a admiração pelo outro.
    Beijus,

    1. Bem isto Luma Rosa. Os motivos pelos quais mantemos o casamento, vai além destes motivos. Aliás, há circunstâncias no casamento, em que estes motivos se chocam, e para muitos é motivo para separação.

  2. Muito bem explicado.

    Acho até que concordo com você.

    (te vi no blog do Toninho)

    : )

    Pior é o que ouvimos eventualmente de quem se separa “porque não estava feliz e se entregou a uma aventura porque tem o direito de ser feliz”.

    Ou seja… você entendeu.

    Eu volto!
    : )

    1. Olá! Obrigado! O Toninho é então um elo em comum. E, segundo consta na história, eu e o Toninho moramos na mesma cidade, certa época. Só não nos conhecíamos. Nos topamos aqui na internet!

      Já ouvir isto também. Não há como jogar a responsabilidade de se ser feliz, nas costas do cônjuge.

      E, já começamos assim! Já temos um segredo! Foi corrigido o “vacilo”. Ninguém precisa saber, não é?

      Vou lá te visitar no blog!

      1. Nossa! Que chique!

        No meu blog não consigo fazer aquele tipo de correção.
        : )

        Eu não conheço o Toninho pessoalmente. Conheci o blog dele recentemente!

        Eu disse que voltava.
        : )

        Um bom dia pra você.

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