Opinitivo e Pessoal

Da viagem de despedida a meu pai para a morte de minha sogra passaram apenas 38 horas!


Eu repito com certa freqüência a frase: “Eu já nasci. Já cresci. Já reproduzi. O que me falta agora, é Envelhecer e morrer! E para isto, eu não tenho pressa!” Há inúmeras outras frase que me são clichês. No entanto, e a apesar de sabermos o ciclo completo estabelecido pela ciências biológicas, há entre um evento e outro, muito o que experimentar, curtir, aproveitar, usar, abusar, ser, tentar. Por exemplo, entre o nascer e o crescer, há uma infinidade de atividades e aprendizados a serem conquistados. Entre o crescer e conseguir reproduzir, há por exemplo, o período de acasalamento. E assim por diante.

No sábado passado, escrevi que estava indo numa viagem de despedida de meu pai. E de fato isto aconteceu. Fomos. Despedimos. Voltamos. Meu pai já estava, literalmente pedido para partir desta existência. Deste período da existência dele, eu digo que ele veio morrendo faz mais de uma década. Há muito tempo que o morrer estava atrasado para meu pai.

“A morte de meu pai”

A vida é exuberante. A morte, porém, falta-lhe criatividade para chegar. Para nós, ele veio torturando ao longo destes milhares de dias. Fazendo-nos sofrer com a agonia de nosso pai. Fez-nos penar a cada AVC. Fez nos sofre intensamente com os constantes abalos físicos. Fez-nos sofrer com pequenas e constantes ataques aos órgãos de meu pai. Mas, muito cruel ainda, foi ter feito tudo isto aos poucos. Lentamente. Como que torturando ele, e a nós todos. Deixando-nos no interminável suspense: Será neste? Ele resistirá? Hoje? Amanhã? Semana que vem?

Nesta década, pelo menos três vezes fui alertado de ter que ir visitar meu pai, pois, ele estava nas últimas. E, em nenhuma das outras vezes isto foi uma certeza. Em janeiro de 2011 fui! Estava ainda forte e em condições mínimas para andar, falar, pegar, ser ainda independente.

Depois que saímos de Nanuque na última segunda-feira, o fizemos com a certeza:”My father is dead”. Foram momentos de intensas e constantes emoções. Ainda está fresco em minha memória estes últimos momentos. As histórias que vivemos e que ele repetiu. Uma honra e uma alegria em mim: saber que muitas histórias que marcaram minha vida, também marcaram a existência dele. Ria do passado que tivemos juntos.

Assim, a morte de meu pai foi lenta, dolorosa, sufocante. A morte veio arrancando a vida de meu pai, como se tivesse primeiro matar todos os seus órgãos. Parando-os. Matando-os aos poucos. E por fim, matando pelas extremidades. Foi tão longo o sofrimento que nestes dias finais, meu pai pedia para que alguém de nós tivéssemos a coragem de ajuda-ló a partir. Pedia com insistência! Traga uma corda – Pedia ele. Traga-me um veneno para eu tomar.

A morte maltratou-o nestes anos todos.

A morte de minha sogra!

“Mas, a vida! A vida é uma caixinha de surpresa!” – Repete os Melhores do Mundo na peça humorística- Mas, mais surpresa do que a vida, é a chegada da morte. Nunca se sabe quando ela chegará. O exemplo: meu pai! Se a morte demorou tanto para leva-ló, não agiu de forma semelhante com minha sogra.

Chegamos da viagem de despedida na terça-feira, 08 de outubro. Chegamos exatamente às 12 horas e 16. Tomamos banho, comemos algumas coisa, deitamos e descansamos um pouco. Depois das 17 horas fiz dois trabalhos que estavam pendentes.

Minha esposa saiu e foi na casa da mãe dela. De lá, foram recepcionar o prefeito, que estava voltando com uma liminar da justiça para continuar o governo. Fizeram uma carreata na cidade, e minha esposa e minha sogra lá estavam. Mais tarde ela voltou e fez o jantar para o esposo. Fez também “bolinhos de chuva” para a filha que chegaria do trabalho. Falou que ela estava demorando. Disse que iria deitar para esperar. Deitou, e, poucos minutos depois o telefone tocou. Ela não atendeu. Já estava morta.

Kátia trouxe-me um lanche! Disse que estava cansada e que iria dormir cedo. Foi deitar às 22 e poucos minutos. Eu continuei meus trabalhos. Quando fui deitar já passava das 1:40. E, não fiquei mais que trinta minutos deitado levantei para ver por que motivo os cachorros estavam latindo. Era meu sogro! Disse-me: “Diga a Kátia que a mãe dela faleceu” – Da despedida a meu pai, até a morte de minha sogra, foram exatamente 38 horas.

E foi assim esta semana!

3 comentários em “Da viagem de despedida a meu pai para a morte de minha sogra passaram apenas 38 horas!

  1. Que pauleira, Adão!
    Uma dor dando continuidade a outra como se fosse uma única dor. Vocês dois tinham que passar pelo mesmo momento juntos… Existe alguma explicação para isso?
    Pela forma que a sua sogra morreu e sem conhecê-la, diria que ela era uma pessoa muito zelosa que depois de finda todas as tarefas do dia, foi descansar em definitivo!!
    A dor compartilhada é diminuída ou serve para mais união?
    Os antigos diziam que sempre quando alguém da família morre, leva mais alguém consigo!
    Se pudesse escolher um jeito de morrer, seria como a da sua sogra.
    Vocês ficarão bem!!
    Beijus

  2. Puxa, que coisa! Esse sofrimento todo do teu pai e a súbita morte de tuas sogra. Coisa estranha é a vida, para uns rápido, outros penam… Que tenha acabado essa fase ruim! abraços,chica

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