Opinitivo e Pessoal

Indo para a despedida final; a última visita!


Sei agora como é a sensação e os sentimentos, as emoções descritas por diversas pessoas sobre o momento de alguém próximo a nós partir desta existência. É como sempre digo e escrevo: as emoções nos impõem um fardo extra; nenhum de nós estamos prontos e preparados para lidar com o que o nosso corpo é capaz de produzir no campo emocional.

É isto que agora me impulsiona. É isto que me dilacera as entranhas, e, que estranho! Me é incontrolável! Os pensamentos! Os sentimentos! Os orifícios que me vazam! Os músculos, nervos e sangue… todos estão em uma intensa guerrilha e produzem em mim sintomas e sensações que somente dezenas parasitas intestinais provocam; sensações e contrações que alguns tipo de bactéria; algumas reações corporais provocadas por vírus; coisas do tipo: tremedeiras, palpitações, lembranças antigas, instabilidade emocional… são os denominados por alguns especialistas de efeitos psicossomáticos. Ou seja, são efeitos físicos orgânicos provocados por elementos emocionais ou sentimentais, coisas da psiquê humana.

Faz alguns dia meu pai foi acometido por mais um AVC. Naqueles dias os resultados dos exames foram desanimadores. Triste! Reais e já apontavam para estes momentos funestos. Ainda que todos estávamos avisados da delicada situação o momento em que somos avisados: “Venha que pai está nos últimos momentos” – nos surpreende e ainda nos pegam desprevenido e se prevenido, nos deixam atônitos. Sem saber no inicio qual é a primeira coisa a ser feita.

Foi o que me aconteceu nesta manhã de sábado. Fui avisado de que meu pai, na situação em que está, me chama! Pede minha presença. É tristeza intensa saber que estou indo para o último pedido de benção! Estou indo – OXALÁ! -  para que meu pai possa olhar-me; abençoar pela última vez meus filhos; para que ele abrace a nora; e que descanse em paz! Que vá com a última visão desta vida, como diz a benção antiga – rodeado por seus descendentes; Feliz! como dizia a velha benção: “Te farei ver até a terceira e quarta geração!”

Meu pai está nestas condições! Está de partida! Foi um homem forjado nas entranhas do trabalho, das dificuldades de sua época; criou-nos com mão de ferro, e alguns lampejos de afeto – suficiente para sabermos que ali naquele homem cru, havia também, um ser que demonstrava emoção. Foi capaz de sustentar a nós todos: 10 filhos com minha mãe; 3 de D. Valdivia que lá em casa viveram; além de duas irmãs, que tive breve contato.

Meu pai! Está ainda respirando. Espera a nossa visita para partir!

“Estamos indo pai! Aguente até amanhã pela manhã! Já estamos saindo de Irecê! Chegaremos em Nanuque na manhã de domingo! Aguente meu velho! Vamos tomar ainda uma dose de conhaque São João da Barra. Juntos e pela última vez! Me espere! Estou indo!”

Até! Isto aqui é meu divã e meu analista!

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A sobrinha de Kátia disse-nos: nestas horas, é ruim morar longe!

6 comentários em “Indo para a despedida final; a última visita!

  1. Oi, Adão!
    Nessas horas passa um filme pela cabeça de quem já perdeu seus entes queridos mais caros! Imagino toda a sua dor, mas pelo menos teve tempo para a última benção… Eu, nem isso! Realmente morar longe da família não é bom em qualquer situação, boa ou ruim. O momento agora é de união para que os vínculos não se percam!!
    Força aí!!
    Beijus,

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