Opinitivo e Pessoal

O que é que ameaça o nosso conceito de família?


Na metade da década de 80 até a metade da década de 90 eu dediquei como diz a Bíblia, corpo, alma e espírito no que eu pensava e tinha certeza que era o que Deus exigia de meu ser, para ser feliz, completo, salvo, moral, ético, realizado, controlado, praticando o amor, cumprindo a lei de Deus, obedecendo as autoridades humanas… etc e etc e tal. Não tenho arrependimentos, nem penso que foi um tempo jogado fora. Não! Não foi! Eu apenas, constatei, que depois da década de 90 que, o que aprendi até então, ou seja, a assimilação, a sociabilização, e por fim a vida adulta, era o necessário para continuar independetemente de estar ou não ligado a um grupo religioso, seguindo um corpo doutrinal, e tem sido assim desde então.

Neste período eu não apenas estudei os conteúdos dogmáticos, doutrinários e relacionados apenas à religião e a vida religiosa. Estudei muito mais. E, desde aquela época dizia aos amigos: “O individualismo, a competição de mercado, e uma sociedade baseada em satisfazer desejos ególatras, a falta de habilidade para lidar com as emoções, com a opinião e expressividade são elementos desestruturante da família e dos laços afetivos”

Pelo menos dois amigos riam e caçoaram de minhas posições e explanações. Porém, a realidade e acontecimentos neste período tem demonstrado o quanto minhas observações foram acertadas. Em especial, se eles forem listados como vítimas de tal realidade.

Quando aponto o individualismo como item degradante, o faço, pensando no contrário do que é o individualismo dentro da família, que é a hegemonia, a união, o aconchego, o grupo, o coletivismo que traz na palavra família. O individualismo é esta tendência, estas atitudes de quem revela pouca ou nenhuma solidariedade e que busca viver exclusivamente para si. Mas, isto não é culpa de um só individuo na família. Isto veio sendo agregado. Isto veio sendo aglutinado às famílias.

E, não foi um elemento externo quem fizeram isto às famílias. Foram as próprias famílias que, ao longo destas últimas décadas vieram adotando tais elementos como sendo úteis e necessários. Vieram aos poucos isolando as partes da família. Cada ser da família tem seus bens pessoais e invioláveis: Um quarto para cada filho; cada quarto com seus utensílios e móveis: ctv., som, computador, telefone… etc.

Além de entregar o ambiente individualizado, também vieram reforçando este comportamento com regras e outras imposições do tipo a impedir que um irmão, primo, parente entre no ambiente pessoal e individualizado de cada um dos filhos. Veio com isto as regras de privacidade, direito à exclusão social familiar.

Associado ao individualismo vem a competição que a economia de mercado, o capitalismo nos cobra cotidianamente. Devemos ser educados, estar inseridos no mercado de trabalho, e assim, competir por nosso lugar, ser melhor do que nossos colegas, irmãos, primos, primas, tios, tias, parentada toda. Então, sim! Eu penso que a atual situação do mercado de trabalho, da economia de mercado também colabora para que as famílias estejam mais desagregada.

A inabilidade emocional é consequência desta nossa sociedade, mas, não exclusivamente. Ao longo da história temos exemplos antigos do quando a nossa inabilidade, e mais, a incapacidade de lidar com nossas emoções são provas de que, sofremos, e sofreremos muitos milhares de anos com tal situação, pois, não é fácil lidar com a frustração, com o desespero, com a angústia, com o medo, com a ausência, acostumar com o que já tínhamos como certo, e agora, não mais; não saber agir e reagir ante uma negação: não amo você, por exemplo; “você está apaixonada, mas, eu não estou por você”, “nós só ficamos! Isto não significou nada para mim” – coisas assim.

Por fim, os recentes direitos conferidos na Constituição de 1988 ainda que expressa e promulgada, não está socialmente impregnada. Não está totalmente inserida no convivo social de cada um de nós. Uma coisa simples, mas, de fundamental importância é reconhecer que, o individualismo, do jeito em que está, não é algo que valoriza e ajuda as famílias, mas, por outro, é necessário reconhecer o direito individual de cada pessoa de ter seus sentimentos, seus segredos. E quando digo que as pessoas podem ter segredos, pode-se pensar que dentro da família não. Mas, sim! Cada pessoa, cada ser da família pode ter e manter seus segredos, coisas e itens individuais, mas, não dentro do conceito de individualismo expresso acima.

Que riscos você vê por ai que ameaçam a sua família? Diga-me!

2 comentários em “O que é que ameaça o nosso conceito de família?

  1. Oi, Adão!
    O que ameaça o conceito de família? Ui, que difícil questão! Não penso que manter a privacidade de cada membro da família seja alimentar o individualismo. No passado, eram muitos filhos, os mais velhos cuidavam dos menores e a mãe cuidava do pai, o soberano! Um amigo mais velho, contou que o pai lhe beijou apenas uma vez na vida, não dialogava e que a qualquer traquinagem dos filhos, achava que a mãe não estava educando, que estavam lhe faltando o respeito…
    As relações eram muito mais complicadas no passado. Filhos menores não sentavam à mesa com os pais, comiam na cozinha, iam dormir mais cedo…
    Casavam cedo porque na casa dos pais ficavam apenas quem optava por ser solteirão. A família cobrava a mulher casar logo e os filhos homens a contribuir para o sustento da casa. Eles preferiam sair logo de casa para não serem capachos dos pais.
    A família atual é muito mais saudável. Os filhos interagem mais com os pais, trocam interesses como gostos musicais, assistem futebol e filmes juntos…
    Como vivi em uma família muito tradicional, havia muitas histórias antigas de “obrigações”… Atualmente pelas famílias estarem organizadas além do papai e mamãe, temos a impressão de que ela está separada, mas penso que não. Estão juntos porque querem.
    Beijus,

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