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Minha vó em quatro momentos em minha vida e por toda a vida!


 

Laurentina Borges

Esta é uma da última imagens que recebi de minha vó, que minha mãe, sempre chamou de mamãe. Faleceu na última quarta-feira, 12/06/2013. Laurentina Borges, Dona Filhinha, mãe de Maria Eulália passou por todas as etapas biológicas, só para lembrar: Nasceu, cresceu, reproduziu, envelheceu, e esta foi a última etapa: morreu no dia dos namorados.

Segundo comentam, sempre há os bons comentários, foi um dia marcado para se encontrar com seu “namorado” – companheiro de longos anos, que faleceu faz poucos anos. Como diz por aqui em Irecê, e na região – quiçá no Brasil: “Pense numa mulher arretada e porreta! Era esta ai.”

Tive pouquíssimos contatos com minha avó e com meu avô. No entanto, ainda que poucos encontros – eu consigo contar apenas 04 vezes – foram encontros marcantes. Tenho lembranças boas de minha avó, a dona Laurentina Borges. Um amigo me inquiriu sobre eu ser racional e, chorar pela morte de minha vó. E lhe expliquei, que razão e emoção são coisas diferentes. A razão se alimenta de dados, de informações, que gera conhecimentos, de dados lógicos, aritméticos e as emoções não. As emoções surgem, são provocadas e nosso corpo reage com lágrimas, sorrisos, arrepios, tremores, e até reações físicas mais intensas como suores, calafrios. As emoções nos balançam demais.

A Primeira vez que tenho lembranças de minha vó Laurentina não foi uma ocasião boa. Ela, e o meu avô, levaram minha mãe com eles. É uma história longa e  triste, e com final que só as mães conseguem fazer. Ela e seu Antônio Borges foram lá em Nanuque e levaram minha mãe de mim, e de minhas irmãs. Passamos muitos dias sem nossa mãe.

Segunda vez. Meus avós passaram “lá em casa” (A casa de nosso pais, nunca deixam de ser nossas casas) para se despedir de nós. Meu avô havia vendido o que tinha para aventurar a sorte no norte do Brasil. Foi naquela época em que o governo estava incentivando quem quisesse ir morar naquelas bandas. Meu avô e minha avó foram dos que creram e investiram na ideia. Eles passaram lá em Nanuque – MG, e, me lembro até, que abracei meu avô ainda abaixo da cintura.

Terceira vez. Meus avós, depois de alguns anos retornaram. Não me lembro o motivo ou quais motivos os fizeram voltar à região. Sei que passaram alguns dias lá em casa. Era o ano de 84/85 e eu tinha uma camisa de malha com a imagem de Bob Marley. Tiramos fotos na área em que havia a mesa de almoço e jantar.

Quarta vez. Eu estava na cidade de Frutal – MG no ano de 1991 e soube que meus avós estavam em São Paulo. Meu avô estava lá fazendo tratamento e cirurgia de catarata. Estavam uns 350 ou até 400 quilômetros de distância. Antes de voltar para Nanuque, fui ao encontro de meus avós. Encontrei-os, e são estes os dias que estive com eles que estão na minha memória. Todos estão, mas, estes foram os últimos em que os vi e que com eles convivi. Todos os dias ia à casa de tia Missi para pedir a benção. Era interessante ouvi minha vó dizer: Deus te faça feliz!  Igual à minha mãe Maria Eulália. Até a entonação da voz.

Minha avó faleceu esta semana, e, sei que o convívio foi muito breve, ainda que tenham vivido mais de oitenta anos cada um deles. Mas, a herança que recebo deles é inestimável. Seja pela educação, que herdo por parte de minha mãe, as características biológicas, as hereditariedades genéticas, os traços, os jeitos, os conceitos morais, éticos, o carinho, a dedicação, bem como alguns, evidente pouquíssimos defeitos que carrego, tudo vem deles.

Gratidão Laurentina pelo exemplo que fostes. Gratidão pela vida digna que  transmitistes; Gratidão Laurentina pelo esforço em educar, cuidar, proteger, zelar, inspirar, talhar, apontar, endireitar, e tantos outros verbos que demonstra sua ação e seus ideias.

Na nossa última conversa, ela me falou algumas coisas. Eram coisas sobre a família, as filhas, os filhos, os netos e sobre a religião e me confidenciou assim: “eles querem que eu mude para o templo deles, mas, eu não vou mudar não. Eu nasci nesta igreja e vou morrer nela, mas, eu vou lá com eles, mas, não fala com ninguém não que eu não pretendo ir para o salão deles não” – Ela me colocava no colo e passava a mão nos meus cabelos duros e dizia palavras carinhosas e amáveis.

Podem ver e saber, nem é questão de dedução, que nosso tempo juntos foram mínimos, se contarmos todos os dias, talvez nem dê uma quinzena. Porém, foram suficientes para marcar minha existência com suas palavras, atitudes, modo simples de tocar a vida, de vestir, palavras corretas no tempo certo, um conselho no momento necessário, a reprimenda na medida, o olhar de desaprovação de forma carinhosa, um jeito de andar que parecia estar flutuando, mãos firmes, pernas fortes, sorriso tímido. São tantas lembranças com esta pessoa que viveu muito em minha vida, e que, tão pouco esteve fisicamente presente.

A minha mãe é uma cópia muito fiel de minha vó. E, de uma, sei como é a outra. Com uma passei de zero a vinte quatro anos juntos. E com minha vó, poucos dias que valeram toda a existência: Vai com Deus Laurentina. Fica registrado meus agradecimentos e minha gratidão por ti.

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