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Haverá o movimento “Eu odeio o dia oito de março” ?


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Hoje foi o dia dedicado às mulheres. O tal do 8 de março. As vezes tenho a impressão que fui eu quem começou esta onde homenagens às mulheres. Lembro-me da primeira vez que presentei minha sogra – que me detestava – com um quadro religioso. Ela se espantou, era o ano de 1993, e quis saber porque estava ganhando o presente, e expliquei-lhe:

– Hoje é o dia internacional da mulher.

Desde então, o movimento municipal, regional, estadual, federal e mundial só fez aumentar.  Não me lembro de antes desta época haver tanta atenção ao dia 8 de março, e, naquela época eu fiz isto, por que era pauta da programação da Escola Sabatina da IASD de Irecê, na Bahia. Até parece que fui eu quem comecei todas estas comemorações, he he he he

No entretanto, já entrei em movimento solitário e contrário ao dia. E já tenho minha lista de desagrado quanto ao dia. E, vamos lá.

1 – Fui/Sou cobrado por… Cheguei numa empresa em que a maioria do quadro funcional é feminina e fui cobrado por, ao entrar no recinto, não ter chegado dizendo: “Feliz dia internacional da mulher, meninas"!

Evidente que receberam uma resposta adequada e a altura da cobrança. Mas, fui educado em justificar. Curiosamente, o gerente, o mais detestado por todas, fez assim, já fui menosprezado e equiparado a ele. Isto, no entanto, me enfureceu, e, assim, parti para a defesa mais agressiva e apresentei a incoerência delas com a situação.

– Vocês passam todos os outros dias do ano reclamando do patrão. Dizem que ele é mau educado; dizem que ele é grosso; dizem que ele é a pior parte deste trabalho; dizem que ele não vale nada; que ele é burro; dizem e reclamam de estarem abaixo de uma pessoa como esta … mas, hoje, ele é melhor do que eu, que as elogio sempre, que ajudo vocês, que as auxilio, que as amparo… e por que ele é melhor que eu? Porque as felicitaram hoje… e eu, simplesmente ignoro este dia. O que vocês preferem então? Já sei! Um dia de felicitação!  Não de mim. Se acostumem!

2 – Mistificação do gênero. Fiz e recebi criticas e xingamentos por criticar a mistificação que a Clarissa Pinkola Èstes faz do gênero feminino. E o dia 08 de março tem sido um instrumento de ampliação da mistificação do gênero feminino. Eu acho muito.  Reconheço que há diferença entre nós. No entanto, não chega a ser, elas as deusas, e nós, pobres diabos. Não mesmo!

Ontem na TV alguns programas só falavam da superioridade feminina e a funesta vida de serem, quase sempre, submissa ao gênero masculino. Um dito canto de pagode, agora a pouco, deixou claro que, quando as esposas adoecem, tem que ficar hospitalizada, “são abandonadas” por seus companheiros.

Não é uma verdade absoluta. Há homens insensíveis. Um muito próximo, abandonou a companheira por que o médico, a aconselhou ficar em repouso total, inclusive, quanto ao sexo. Ele justificou: “não vou  ficar com uma mulher que não pode me dá, quanto há tantas que podem”. Existem aos montes, assim, como há, as que abandonam os companheiros quando estão em situação financeira ruim.

Já reclamei aqui no blog das vezes que tive que voltar da porta da enfermaria do Hospital Regional. É regra: “esposos e pais não podem acompanhar esposas, filhos e filhas” – Preferem e exigem acompanhamento feminino nas alas e enfermarias. “HOMENS são monstros e se veem uma doente nua, ocorrem ereções”, e havendo ereções, consequentemente, quereremos estuprar as doentes. – Foi o que me disseram no hospital regional de Irecê e a parte sem aspas, é a dedução lógica.

3 – irrealidade da situação. Evidente que há muitas mudanças quanto a sexualidade, quanto as diferenças de gêneros, o tratamento social, os direitos conquistados, os reconhecimentos… etc. e tal. Mas, a irrealidade do que se transparece no dia oito de março é espantoso.

Há milhões de mulheres em situações vergonhosa e que o dia oito de março sequer acolhe, conhece, estende as mãos. Exemplo disso são as colegas acima citadas, em que, exige-se, cobra-se, xinga-se, maltrata-se, mas, que tudo se justifica no final do mês, com o salário mínimo. Eu digo a estas colegas, que, o trabalho fora de casa, o acumulo das funções de funcionária, mãe, esposa, dona de casa serve para demarcar as diferenças entre irmão, pai e patrão.

Os irmãos os primeiros guardiões de suas celas invisíveis e impositores de regras, leis e exigências. O pai o terrível monstro a ser derrotado, destruído, seja na vida real, quanto na imaginária, na ficção e na cabeça de Clarissa Éstes. Todos são imagens e metáforas do mal a ser vencido pelas semideusas. Já o patrão é o que digo: é para vocês saberem que há algo pior do que irmão e pai. – Mas, apesar dos gracejos, tudo verdade!

4 – Divisão e facção. Lamentavelmente o dia tem se transformado num banker da divisão e da facção. É o dia do levante. E, homens como eu, que vê com desconfiança tal movimento, somos taxados de insensíveis, trogloditas, ultrapassados, toscos, irrelevantes, quando de fato, estamos levantando a bandeira do alerta para a grande divisão e a grande  facção que a comemoração tem estabelecido na sociedade.

O dia 08 de março é um grande símbolo. E, ai daquele, daquela, de qualquer grupo ou individuo que ousar dizer algo contra.

Podem pesquisar na internet e vê a importância que se dão à origem do dia internacional da mulher. E daí? Quais tem sido os direitos conquistado pelas mulheres?

– De trabalhar? Sim! De trabalhar “fora de casa”- Ah! tá. Eu nasci em 1968. Só tive um professor (do sexo masculino) na quinta série em 1980. Da alfabetização até então, só mulheres participaram desta minha fase. O que os homens faziam? Trabalhavam para suster a casa, e os cargos mais importantes das mulheres eram na educação, e na revolução. Evidente! Me lembro de ser estranho ouvir nome de mulheres ligadas às lutas comunistas.

Pois então! Hoje se vangloriam de ter obtido o direito de trabalhar.  E reclamar da carga excessiva, das jornadas, da insensibilidade masculina… ai! ai! No mercado de trabalho meninas, somos todos quase iguais. E vos garanto que já ouvi: meu computador não tá funcionando bem, pois, quem formatou e instalou tudo foi aquela moça lá daquela loja. Bem vindas.

– De estudar? Sem dúvidas esta é uma enorme bandeira. E como se vangloriam de as mulheres estarem mais estudiosas do que os homens; e como se enchem a boca para dizer, que as mulheres são mais aplicadas; do quanto as mulheres dedicam mais tempo aos livros; de como as mulheres são mais cultas; do quanto as mulheres são mais preparadas; de como as mulheres… choram quando o patrão, menos tudo, grita com elas, e elas, … elas, a maioria, se calam e voltam para suas tarefas.

– De beber, ir a festas, de dá vexame. Agora que meu filho tem tido uma vida social normal e agitada, tenho visto o comportamento feminino desta nova geração, e como elas se sentem no poder, por, ter a liberdade de ir às festas, competir com os colegas no gole da bebida, de vomitar, de embebedar, cair bêbada, fazer “coisas feias”, grotescas. E, tudo isto, é visto como conquistas.

Por outro lado, as normas sociais continuam a prevalecer, e os colegas, amigos, amigas continuam naquela linha anterior de censurar, criticar, dizer que é feio.

… tem muito mais por ai.

Eu vejo com desconfiança e descrédito certas conquistas. Vejo uma grande conspiração em ter mão de obra barata, qualificada e com menos problemas de insubordinação, de irresponsável e afrontamento, ameaças, violência, força, resistência.

Certos direitos femininos vieram não do direito mas do mercado de trabalho. Adquiriram por umas e outras que lutaram para exercerem certas atividades, e que o mercado de trabalho preferiu-as. Outras áreas estão sendo invadidas exatamente pela qualidade das mulheres. Outras no entanto, nem tanto.

Por tudo isto, e mais outros que eu tenha esquecido, é que o dia 08 de março está na minha lista do dia a ser ignorado, enquanto, dia de enaltecimento, consagração, dedicação às mulheres. Eu insisto, e continuo a tratar todas as mulheres com carinho, elogios, atenção, dedicação todos os dias do ano, e nos contatos. Mas, para aquelas que preferirem, eu faço como certos gerentes que conheço: trato mau todos os dias do ano, e  trato bem, apenas neste dia oito de março.

O que vos parece? Eu ainda não posso odiar o dia oito de março, mas, a comemoração, as celebrações, as mistificações, as massificações, tem me feito colocar o dia na minha lista de dias a ser ignorado. Não por causa das mulheres, mas, por uma série de fatos e eventos: em especial estas atitudes de vitrinização do gênero, do empedestalamento da figura feminina, do engrandecimento, da vitimização… de uma série de coisas e eventos, que de outra maneira, não existiria.

Pior: é a aceitação e a defesa que o gênero tem feito do dia, como, que sendo contra, sou o pior de todas as criaturas, pior de todos os monstros, pior do que todos os torturadores, de todos os estupradores, pior do que todos aqueles que destroem, aprisionam, maltratam as mulheres, tão somente por serem mulheres, e conheço homens  que assim fazem. Conheço também mulheres que falam assim, das mulheres.

O titulo é este mesmo: Poderia ser este o título: “Eu odeio o dia oito de março” – E não existe ainda o movimento, e outros textos na internet em que se afirma: “Eu odeio o dia oito de março!” ou “Porque eu odeio o dia oito de março”. Não é de espantar, afinal, há tais movimentos em outros dias comemorativos como o natal, carnaval, dia das mães, dia dos pais, dia das crianças… etc.

Vai existir em breve o “eu odeio o dia oito de março?” É esperar para ver!

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