Ações da alma Humana · Assuntos Aleatórios · Comportamento de homens · Comportamento Social · Geral, amplo e irrestrito · Opinitivo e Pessoal

Ter uma família é viver em diversas, constantes e inimagináveis rotinas.


Há milhares de semelhantes que a tônica é reclamar da rotina no casamento. E atribui à rotina a causa o efeito deletério dos relacionamentos cada dia mais. Eu sou daquelas pessoas que discorda deste conceito. Afinal, afirmo e reafirmo que a rotina é necessária em toda jornada humana. Nossas vidas são feitas de diversas pequenas rotinas.

  • · Hora de dormir;
  • · Hora de levantar;
  • · Hora de trabalhar;
  • · Hora de comer;

Eu sempre digo que se reclamam muito e se repete muito: evitar a rotina no casamento. Alguns casais para fugir da rotina criam outras rotinas: dia de ir comer fora; dia de ir ao motel; dia de fazer atividades físicas juntas; hora disto juntinhos… Ou seja, rotinas para fugir das rotinas.

Você não vê porá ai, reclamações de rotinas como por exemplo: vou pedir demissão por que nos últimos vinte anos eu fiz a mesma coisa na minha profissão; o jogador de futebol parar e justificar: jogar bola é muito rotineiro. Tenho que dominar a bola, driblar os adversários, marcar gols. Esta rotina me cansa; quem sabe então o político reclamando da rotina: é que política é isto mesmo. E a rotina de político enerva qualquer um. Afinal, toda e qualquer atividade humana exige rotina. Eu não me canso da rotina em minha vida, porque penso que a rotina faz parte de minha rotina humana, e deixo, para que os eventos casuais, caóticos, destinados, traçados, escritos, ou seja, que aconteça do jeito que tem que acontecer para que minha vida conjugal, profissional, amorosa […] ainda que seja feita e inúmeras rotinas, fique mais agradável de viver.

Imagine você que minha rotina nestas últimas quatro semanas foi muito alterada e o que aconteceu foi que minha esposa recebeu ordens expressas do ortopedista: “você tem que desistir de fazer certos trabalhos domésticos como lavar, passar, varrer e outras atividades em que você faça força nestes músculos.” A mim, ele impôs outra regra: “você tem que vigiar sua esposa para ela não se prejudicar.”

Acontece que optamos por um modelo de família, segundo as pessoas, ultrapassado, e que inibe o desenvolvimento feminino, e confina dentro de casa uma criatura que nasceu para dominar o mundo: a mulher. Lamento! Nós pensamos e agimos de forma diferente. Nós adotamos o modelo em que ela tem as tarefas dela em casa, e eu tenho as minhas tarefas em função da casa dela, e dos filhos que ela concebeu. Ainda que eu saia para prestar serviços em empresas e residências, minha vida é tão cheia de rotinas quanto as rotinas que minha esposa leva em casa.

Não há diferença se o assunto é rotina. O que há, são rotinas. E se diz que a rotina de uma dona de casa é mais desgastante por que ela faz, refaz, e torna a fazer. Tá! É verdade. Mas, é diferente a minha rotina de fazer as mesmas tarefas? Ajuda-la na educação, sair para comprar alimentos, carregar as sacolas, colocar o lixo nos dias e horários corretos, levantar mais cedo do que todos, dormir mais tarde do que todos, ser responsabilizado quando falta mantimentos, quando falta dinheiro para pagar água, luz, telefone, prestações… Tudo é muito rotineiro.

Porém, é imperativo reconhecer que além da rotina nestas tarefas, o que faz-nos ficar chateados, é o isolamento; e ter que fazer tudo isto sozinha, sem ajuda, e sem reconhecimento, sem entendimento, sem auxilio. Isto é desolador, desanimador, e se é para estar só, evidente que se deve reclamar desta rotina, que além de tudo, deves ainda permitir a rotina sexual da outra parte.

E minha rotina nestes últimos dias mudou. E, eu não tenho que reclamar. E o que mudou em minha rotina? Bem! Agora tenho que sair, trabalhar, comprar o que ela mandar e voltar uma hora antes para auxilia-la a fazer o almoço, pois, as 12:50 o filho caçula vai sair para a escola, e o mais velho chegará da escola as 12:45. Ou seja, como minha esposa não pode fazer força com os braços, eu tenho que chegar para cortar e descascar vegetais, pegar as panelas com água, varrer a casa, lavar os pratos sujos (quando estiver caindo água: tempos de racionamento. Seca na região), arrumar os pratos e ser os braços dela nestas tarefas.

Muitas destas atividades eram dela, e que com esta inflamação do músculo “não-lembro-o-nome”, passaram para mim automaticamente, afinal, quem são os responsáveis por tudo na casa: NÓS DOIS! Isto mesmo! Não é só ela quem é responsável pela família. Eu também sou. A família é nossa. É minha família. É a família dela; É a família que temos; que construímos que geramos que concebemos. Eu moro aqui! Apesar do pouco tempo que passo dentro desta casa (eu venho para comer, fazer algumas tarefas, e venho dormir).

Se você acha que a rotina está matando seu relacionamento, faça algo diferente de sua rotina. Interesse-se e participe da rotina de sua esposa, e ou, participe da rotina de seu esposo. No mínimo você poderá compreender o que é que ele/ela tanto reclama do dia-a-dia. Talvez você consiga entender os motivos daquele olhar atravessado, por que aquele grito: “NÃO! Eu não estou nem ai com seus problemas!” – Como se fosse um desabafo: “olhe e reconheça o que eu faço todos os dias de minha vida.”

Ah! Gente! Este negócio de rotina é mesmo uma encrenca. Quem olha de soslaio, ou quem fica apenas contemplando no viés, pensa que a outra parte reclama sem motivos. Participar da rotina do outro é fundamental para entender e dá uma sacada de outro ângulo, vê como se enrola completamente quando falta uma das atividades a serem executada. Como o dia se perde em pequenas rotinas. Não realizar uma só coisinha, as vezes atrapalha todo o andamento do dia. Atrasa tudo. Atrapalha tudo.

Hoje, por exemplo, tive que intervir nas tarefas escolares do filho caçula. Tive que cortar o aipim, a carne, a batata, a cenoura. Hoje soube que carne ensopada é o prato que agrada a todos, e que o aipim agrada o mais velho, o caldo agrada o mais novo, e a carne, do jeito que foi cortada e temperada era para agradar a mim. Esta visão do todo me fez perceber o quanto a visão das mulheres em relação a família é mais amplo do que podemos imaginar. Pequenos detalhes na rotina dela é para suavizar a rotinas de outros. Mas, minhas rotinas também são.

Quando voltei à noite para casa recebi a informação: as blusas das fardas dos meninos estão aqui. É para lavar, torcer e estender no varal. Já estava na metade do primeiro tempo do futebol quando fui alertado: não se esqueça das fardas! Antes de uma terceira menção, fui lá e fiz a tarefa. Pronto! Minha vidinha rotineira, nesses últimos dias acabou? Não! De jeito nenhum. Pelo contrário. Agreguei a rotina chamada EMERGÊNCIA de todas as jornadas.

Eu sou do tipo que penso que nem todos, sejam Homens ou mulheres, estão aptos a terem uma família. Ter uma família é viver em diversas, constantes e inimagináveis rotinas. Até para sair da rotina, deve-se criar outras rotinas. Se achas que será diferente, nem tente. Nem queira. Se não aguenta, depois de estar dentro, não tem como pedir para sair.

Anúncios

2 comentários em “Ter uma família é viver em diversas, constantes e inimagináveis rotinas.

  1. Como sempre Adão vc nos faz refletir em pequenas grandes coisas q passam desapercebidas a nós. Parabéns pelo brilhante texto!

    Ah! Denise, muito obrigado! É bom saber que fiz você pensar na situação!

Comentar este texto!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s