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Vergonha é roubar e não poder carregar!


Desde criança, nas ruas, nos caminhos, nos terrenos baldios da Vila Esperança, bairro onde nasci e cresci na maravilhosa Nanuque, em Minas Gerais que ouvia e dizia repetidamente este ditado português:

– Vergonha é roubar e não poder carregar.

Nunca me importei em procurar saber o que realmente queria dizer tais palavras. Mas, será que tem necessidade de explicar? Pelo sentido da palavra não! Mas, pelo sentido moral sim. A frase é categórica em afirmar que se roubar e poder carregar, não existe motivo nenhum para se envergonhar. Ou seja, ainda que faça algo errado, mas, se ninguém souber que foi você quem fez nada de vergonha, nada de consciência pesada, nada de cobranças.

Acontece que milhares de pessoas não mais sentem vergonha de serem pegos com a mão na botija. Não se envergonha mais de roubarem e não conseguirem carregar. E, os valores estão hoje tão às avessas que tem se a impressão que errado é quem tem vergonha até de roubar, e não somente de não poder carregar.

E digo isto por que, nas duas últimas semanas tenho “sofrido” com ideia que tenho, de que cada pessoa tem a liberdade de ser, e tem a liberdade de viver como quer e como pode.

Não me faz vergonha se você usa drogas. Não faz vergonha se você se prostitue. Não me envergonha se você é do PT. Não me envergonha se você votou em Lula. Não me envergonha se você votou em Dilma. Não me envergonha se você defende os ministros corruptos do governo. Não me envergonha se você pensa que os maconheiros da USP tinham razão. Não me envergonha se você foi contra a desocupação da Cracolândia. Não me envergonha se você é contra a desocupação do Pinheirinho. Não me envergonha se você gostar do BBB. Não me envergonha você ouvir Michel Teló, Adele, Kiss, AC/DC, Pink Floyd, Leandro, Ch&X, Vitor & Léo… não me envergonha você beber até cair, falar besteiras, sair mijado de uma festa, cair na rua, perder a noção de onde está, e de com quem está falando… isto é, se você não sente vergonha por você, de si mesmo, por que eu teria? Não há motivo! Em suma: eu não me envergonho se você faz o que faz, sem sentir-se envergonhado.

Não me incomoda o seu jeito de ser, vestir, falar, andar, estar, pensar, opinar, ir, vir, defender, maldizer, xingar, orar, bendizer, louvar, meditar, beber, comer, peidar, cagar, estar doente, com diarreia… Etc. E vou adiante. Quando fui casar ouvi pelo menos duas opiniões desconfortáveis:

1) – Ela não é mulher para você! Você merecia mulher melhor.

2) – É! É verdade! Quem ama o feio bonito lhe parece!

Quem disse a primeira frase, não me soube explicar quais os critérios da eleição de mulher melhor para mim. Não soube dizer para mim, quais critérios eu deveria listar para ter escolhido mulher melhor. Se mais bonita. Se mais alta. Se mais magra. Se mais inteligente. Se menos faladeira. … Nada! Não sei! Só acho que você merece coisa melhor.

A segunda frase foi dita num contexto em que não me foi ofensiva, nem desmerecedor. A pessoa quis até justificar. Olha! Eu quero dizer que o importante é o amor. E que quem ama, ainda que outras pessoas digam que é feio, o amor, modifica as coisas, e faz a gente melhor. … Etc. Verdade é que estas pessoas não sentiram vergonha em agir assim comigo. Porque eu devo sentir vergonha por elas serem assim: intrometidas, enxeridas, inconvenientes, sem noção de certos valores e conceitos.

Em minha visão, em minha cosmovisão, em minha mundividência penso que cada pessoa tem saber lidar consigo mesmo, e saber se colocar nos lugares e nos meios de acordo com o que tem e o que pode oferecer. Existem certas posições, certas opiniões que são vexatórias, no entanto, se a pessoa não sente isto, o que é que eu posso fazer? Sentir vergonha por ela? Sim! Pode existir este negócio de vergonha alheia, porém, penso que não se aplica a muitos casos. Exemplos:

1 – Escrever palavras erradas: conheço várias pessoas que escrevem errado. Não só trocam ç, x, s, ss, z, etc. Escrevem palavras simples erradas. Não sabem escrever corretamente. E algumas destas pessoas têm formação acadêmica, tem diploma dependurado onde trabalham, outras são famosas, importantes, poderosas. Isto, ainda que possa ser vergonhoso para quem estudou não me traz vergonha, se a pessoa que escreve, sabe e não se envergonha.

2 – Falar palavras erradas: Às vezes, certas pessoas falam errado, e não falam errado por querer falar errado!  Falam errado por não conseguir falar de outra maneira. Tem pessoas que vão crescer falando ELADO e escrevendo ERRADO. O importante é reconhecer nas pessoas tais circunstâncias. E isto não me envergonha. Não sinto vergonha de minha esposa que fala Fossi, afinal, um amigo, terminando o doutorado em Administração Pública também fala: FOSSI. Bem como, muitas pessoas aqui em Irecê chama minha esposa de KAITA, e fala RAIDO, OIDIO, BURRALIDADE, … não tenho vergonha disto, porque são regionalismos, são maneiras de se falar, e não tem gramático, nem fonoaudiólogo neste mundo que consiga mudar esta realidade.Mas, tem quem não fale assim, e tenha vergonha de quem assim fala.

3 – Ter opinião: Algumas pessoas tem vergonha de mim. Outras têm vergonha de minha esposa. E o motivo é simples: nós expressamos nossas opiniões. Ainda que estas opiniões vão de encontro a sua fé, a sua posição política, a sua classe social, sua profissão, sua família, seu grupo de estudos… tão importante quanto tudo isto, é eu ter minha opinião, e dela só abrir mão, abdicar se encontrar outra que se adapte melhor a nossa filosofia de vida.

Esta é a minha dificuldade. Não sentir vergonha de você! Ainda que você seja branca cheia de pintas; não ter estudado e formado em pedagogia, nem ter concluído o ensino médio; não tenho vergonha de sua posição política; não tenho vergonha de sua aparência; não tenho vergonha de suas roupas; não tenho vergonha de suas danças; não tenho vergonha de sua risada… E sim, você pode interpretar errado o que eu penso. Eu também não sentirei vergonha disto! Afinal, vergonha é roubar e não poder carregar. Não estou roubando. E se eu roubei, eu carreguei, e carregarei sempre!

E não tenho vergonha de ser mal interpretado, mal compreendido, mal entendido, mal julgado, mal executado, maldito, malediciciado…etc.

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Um comentário em “Vergonha é roubar e não poder carregar!

  1. procurei o significado dessa expressão e achei muito mais, muito bom texto e muito boa a forma de pensar, gostaria de ser mais assim, dar menos importancia em ser mal compreendido, entendido ou julgado, ate pq, que diferenca faz o que o outro pensa se eu to carregando bem o que eu “roubo”?
    abraço

    clari

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