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Eu sempre achei o caminho, por que tive quem apontava a direção!


Faz pouco tempo escrevi que sempre soube encontrar o caminho. Este texto completa o sentido daquele outro.

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Há 4 horas que essa tristeza chegou e não se foi. Não me abandonou e não sei quando irá. Minha cabeça só tem dois assuntos pipocando, e, tanto um quanto o outro é de fórum intimo. Dói intensamente. Arde. Queima. Um alívio só por uns breve instantes.

– Alô tudo bem! Quem é? Não senhor! Foi engano.

Quem foi meu padrinho? Meu padrinho um dos homens mais espetaculares que tive a oportunidade de conviver, e que tive por longos anos como referência moral. Referência ética. Referência de bondade. E também fonte de inspiração e vida. Não que a vida dele tenha sido de bons eventos. Não! Poucos sabem, e eu sou um destes poucos, ele foi abandonado no altar. E desde então, optou por viver só, a se entregar a um outro amor. Em sua vida jamais demonstrou mágoa. Talvez chorasse a infelicidade do evento. Mas, jamais, ouvi dele palavras de rancor, de ódio. Não que o amor lhe tenha magoado. Jamais. O amor não magoa nunca. Nós, as pessoas é quem magoamos nossos semelhantes.

Certamente o amor não correspondido lhe tenha causado dores até seu último suspiro, mas, nem por isto deixou de viver.

Ele era amigo e confidente de meu pai. Por isto fora escolhido para ser meu padrinho. Certa vez eu fugi de casa, e fui parar na casa dele. Esperando ser recebido com festa. Fui recebido com amor e paciência. Fiz algumas atividades no quintal. Obedeci todas as ordens. Depois, sentado num tamborete, lá na cozinha de chão batido, ele conversou comigo. Ao final da conversa, ele havia me convencido que meu lugar era de onde eu havia fugido.

A primeira vez que tomei caldo de cana, ele gargalhou. E com sua voz parcimoniosa, ainda rindo disse a meu pai assim:

– Compadre, Dãozin quer colocar açúcar no caldo de cana!

Era torcedor ardoroso de dois times: Vasco da Gama e Atlético Mineiro. Parece-me que torcia para o Atlético tão somente para ser contrário a meu pai, que sempre foi torcedor do Cruzeiro. Andava sempre numa velha bicicleta da década de 50. Ele participou de vários eventos em minha vida, até andar de bicicleta ele ajudou.

Mais tarde foi abandonado por outra mulher. Desta vez uma mulher simbólica, a igreja católica. Ele sempre dedicou sua vida ás obras de caridade e ao evangelho. Sempre foi católico. Morreu abandonado e esquecido pela igreja que ele dedicou sua vida. Quando ele soube que eu estava indo para a igreja dos crentes, ele foi lá em casa conversar comigo. Quando todos esperavam que ele iria me impor a religião dele, que iria me pressionar a retroceder, que iria ameaça, fazer chantagens emocionais, que iria me amedrontar com o fogo do inferno, com as pragas de um Deu poderoso, zangado e sempre irado, ele apelou para a razão, a inteligência e para as emoções e me disse:

– O caminho é você quem tem que trilhar. Não se esqueça que seu pai estará sempre aqui. Se ele lhe faltar, eu sou seu padrinho. Estarei aqui para te apoiar. Vá com Deus. Se o caminho não for o que você pensou que era, volte!

Sempre que o encontrava pedia-lhe a benção! O que sempre fez com gentileza e atenção. Sempre foi me visitar quando retornei a Nanuque, com exceção das duas últimas vezes. A penúltima vez, em 2004, ele estava asilado. E agora em 2011 ele estava acamado. Debilitado. Não se movia da cama. Minha mãe perguntou se eu queria ir lá visita-lo. Eu disse não! Não gosto, exceto se não houver opção, de ver qualquer pessoa que amo em situação de morte e tristeza. Se tem algo que apagou em minha mente foi vê a imagem de minha vó num caixão. Daquela tarde até hoje, antes de qualquer lembrança dela, me vem a imagem daquela foto. Trágico só lembrar das pessoas assim!

Ele se foi! Perdi a referência física e material, corpórea de um homem que transferiu a mim, o que de melhor havia nele: princípios, valores, atenção, amor, carinho, afeto, coragem, retidão, ética, moral, … me orgulho de tê-lo tido em minha vida.

Minha tarde foi de romantismos, lembranças, visitação a lugares e a situações. Minha mãe, D. Maria Eulália as vezes me questiona: você se lembra disso Dãozin! Faz tanto tempo filho! Mas, eu sou assim. Fica tudo guardado aqui.

Vai em paz padrinho!

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Um comentário em “Eu sempre achei o caminho, por que tive quem apontava a direção!

  1. Eu já sabia que meu padrinho era portador de cancêr nos ossos; na ultima vez que ele esteve no RJ fui visitá-lo. Mas, quando ele morreu, eu estava na Região dos Lagos e foi como se o universo tivesse ficado em silêncio. Sentei e comecei a chorar.

    Bem, lá se vão uns 5 anos. Ano passado criei coragem e fui visitar minha madrinha em Floripa/SC e compartilhar com ela as histórias, as lembranças em retratos e o desejo de um breve retorno…sempre fui convidada para passar férias em Floripa/SC e só me dei esse presente muitos anos depois da partida do meu padrinho. Mas é como se ele estivesse, ali, do meu lado…me mostrando cada cantinho da casa, da cidade !!! Sai de Floripa/SC com a certeza de que meu padrinho estava presente – para sempre !!!

    Lamento a sua perda Adão …. !!!

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