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Desmistificando Clarissa Pinkola Estés


Em 2008 ganhei uma ruma de livros de presentes de minha amiga Beth Santana. Um dos livros é da autora Clarissa Pinkola Estés. Já estou para mudar esta frase: Politica, futebol e religião não se discute, para esta outra semelhante: Política, religião, futebol e Clarissa Pinkola não se discute. Mas, eu sou dos que anda na direção contrária, que chega e fica sem o beijo da namorada, e sem pódio de chegada, bem como canta, Damien Rice:  “No hero in her sky”.

A autora Clarissa, no livro Mulheres que correm com os lobos,  afirma o seguinte no inicio do capitulo 2, que trata do Barba Azul:

“Num único ser humano existem muitos outros seres, todos com seus próprios valores, motivos e projetos.”

Pois bem, ela crê nisto, ensina isto, e as discípulas saem por ai defendendo tais ideias como cada torcedor defende seu time do coração, como cada religioso defende a doutrina de sua congregação, como os políticos defendem as ideologias de seus partidos. Eu porém, discordo da autora, dos torcedores quando errados, dos políticos e também os religiosos, da Bíblia, do livre arbítrio, dos filósofos e as vezes de Deus.

Há diversos pontos e listo alguns abaixo em que se possa discordar da autora. Eis alguns:

  • Embora a causa de grande parte do sofrimento humano possa ser atribuída a uma criação negligente, existe também dentro da psique um aspecto contra naturam inato, uma força voltada “contra a natureza”
  • Trata-se de um antagonista debochado e assassino que nasce dentro de nós e, mesmo com a criação parental mais cuidadosa, sua única função é a de tentar transformar todas as encruzilhadas em ruas sem saída. – Pág. 57

Isto pode ser aceito como uma verdade. Mas, na interpretação da autora da história do Barba Azul, o que ela sugere é que, isto na vida das mulheres, é função, é atividade típica de nós homens, em especial do marido. Não necessitamos de mais elementos para separar os gêneros.  A autora é uma especialista na arte de desagregar os gêneros. E, o elemento contrário a natureza, aquele aspecto “contra naturam inato” é assim descrito na página 63:

  • A história do Barba Azul fala desse carcereiro, o homem sinistro que habita a psique de todas as mulheres. O predador inato. Ele é uma força especifica e indiscutível que precisa ser contida e mantida na memória. Para conter o predador natural da psique, é necessário que as mulheres permaneçam de posse de todos os seus poderes instintivos.

Não é só na história do Barba Azul que o gênero masculino é descrito como elemento predador, como sendo o vilão, o ser aprisionador, castrador, inibidor, o elemento a ser combatido, a ser vencido, ser derrotado. Não, não é!  Ela, ao longo desta história, e de outras fica saltando de um lado para outro:  o lado interno e o externo. Num paragrafo da pág. 63, ela escreve:

  • O Barba Azul simboliza um complexo profundamente recluso que fica espreitando às margens da vida da mulher…

No entanto, a interpretação da história gera principalmente este conflito de elemento interno da psique com elemento externo. Ela assim se expressa na página 66:

  • A irmã mais nova, a menos desenvolvida, cumpre o roteiro tipicamente humano da mulher ingênua. Ela será capturada temporariamente pelo seu próprio inimigo interior.

O Barba Azul representa um elemento interno, mas, o Barba Azul na história é um elemento externo, e a moça da história é capturada por seu inimigo interior, o Barba Azul… complicado a interpretação assim.

A autora seguindo o principio de que somos e temos dentro de nós vários seres, vai nomeando e dando cargos a cada uma delas: mãe interior, irmãs interiores, predador inato, protetor, alma, ingenuidade e de vez em quando, ela lembra que somos humanos e deixa escapar frases como esta: “Todos os seres humanos querem atingir um paraíso prematuro aqui na terra”.

Um outro exemplo de confusão da autora entre elementos internos (psique) com elementos externos está nestas palavras: “Quando uma alma jovem se casa com o predador, ela é capturada ou reprimida durante uma fase da sua vida que deveria ser de desdobramento.” – Pág. 71.

Observe  que neste ponto ela está descrevendo as jovens que se casam mal, que fazem mal escolha de seus companheiros. Não é uma questão interna de psique. A autora está falando de relacionamento, de casamento, de vida amorosa externa e não interna. A autora em muitas e muitas citações, parágrafos, páginas inteiras usam frases do tipo: 

  • O noivo animal é um marco na psique, representando algo perverso disfarçado como algo benévolo;
  • uma mulher sonhou com um homem belo e encantador… ;
  • e o velho de repente sorriu diabolicamente para ela e… ;
  • Algo em seu futuro marido deixa transparecer que ele não é um ser humano;

Para piorar a minha opinião sobre a autora nas mesmas histórias em que os homens representam tudo de ruim, representam o lado mal, a psique perturbada são também relatados como os heróis, os salvadores das mulheres é assim descrito na página 76:

  • – […] e os homens armam uma emboscada para o noivo animal e o matam.

Vejamos: o homem é símbolo do predador inato na mulher. Elas estão em perigo quando deixam este predador seduzi-la. Mas, quando estão em perigo, aparece outro predador inato e mata o predador dela? – Que confusão!

A história do Barba Azul é utilizada pela Clarissa para detonar, falar mal, criticar os maus relacionamentos, as más escolhas, os humanos do gênero masculino e que são violentos, as infelicidades que nos cercam no dia-a-dia. Ela manipula a história do Barba Azul para um fim que a história não se aplica:  Violência contra a mulher.

Não uma só, mas, muitas vezes, ela usa exemplos de histórias tristes, de casamentos tristes, de relacionamentos fracassados. Mas, não há como unir esta realidade com a história do Barba Azul, e uma confusão mental, espiritual, de sentido a não ser através da manipulação. E isto ela faz com jeito e com habilidade.

A história do Barba Azul é bem conhecida no mundo. E há muitíssimas interpretações, mas, só Clarissa usa a história para dizer que o Barba Azul representa algo ruim dentro de cada mulher, em especial, que este algo ruim dentro das mulheres é um homem, que este algo ruim que aprisiona, que mata, que impede a mulher de crescer, que maltrata, que é o carcereiro das mulheres.

Ou seja, é muito fácil culpar uma outra pessoas, mesmo que simbolicamente, por nossas incapacidades. É muito fácil acusar o companheiro, a companheira de nossas frustrações e de, e por, nossa mediocridade, insegurança, por nossa falta de habilidade e conhecimento, seja ele técnico, educacional.

Para finalizar:

Aqui neste link: Duas versões do Barba Azul deixo a história para você ler e ou estes links para entender o desenrolar deste texto. 

  1. Barba Azul – Parte 1
  2. Barba Azul – Parte 2

Uma – vou rotular assim – discípula de Clarissa Pinkola Estés tem um blog  e publicou a história do Barba Azul na integra e eu comentei. É só clicar nos links 1 e 2. Para saber do assunto. Ela também escreveu: A bendita chavinha.

De forma indireta, ela responde aos meus comentários. Bem! Eu não gosto da maneira como ela quis responder-me. Eu prefiro as palavras mais duras e sinceras do que as palavras mais bonitas com certo viés. Ela usou de certa cautela, diria até, que usou uma máscara, uma forma indireta de querer discordar do que comentei. Não sou contra as pessoas terem ideias contrárias as minhas, mas, não gosto de pensar que alguém está falando por meio de certos enigmas para mim.

  • “Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto.” Fiéis são as feridas dum amigo, mas os beijos dum inimigo são enganosos.” (Provérbios 27.5,6)
  • “O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com língua”. (Provérbios 28.23)

Pretendo, em outros textos explicar e responder ao texto da Ana Lúcia Sorrentinoem especial sobre A bendita chavinha.

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37 comentários em “Desmistificando Clarissa Pinkola Estés

    1. Li esse livro e me senti orfã depois de concluir a leitura.Estou buscando livros com linguagem e conteúdo semelhante. Comprei A ciranda das mulheres sábias, da mesma autora, mas não me saciou. Nessa busca me deparei com O livro das mulheres de Osho, também achei fantástico, porém assim como Clarisse requer um conhecimento prévio de psicologia do inconsciente, Jung, filosofia, etc. Tem livros que a linguagem é muito metafórica e embasadas em linhas de saberes que o leitor não dispõe de conhecimento prévio ( minimo) para compreendê-lo. Estude primeiro Psicologia Analitica ( Jung) e depois analise o livro. Eu li e pretendo ler inúmeras vezes. Aceito recomendações de publicações similares.

  1. Como pode um homem querer entender a alma de uma mulher e que ela diz?
    Impossivel
    Somente se algum dia for mulher podera entender o que dizem e o que sentem as mulheres
    Enquanto isso nao acontece,conforme-se em entender seu proprio mundo

    1. Tolice Márcia, se fôssemos incapazes de nos entender o mundo tinha acabado a muito tempo. Por acaso você vive na ilha das Amazonas e os homens na dos Ogros? Não existe Alma da mulher e (falta de) Alma do homem, existe Alma Humana, eu já fui mãe e você já foi soldado romano. O problema é exatamente quando se colocam limites materiais no que é transcendental. Vivemos em corpos diferentes, e podemos sentir o mundo de formas diversas por causa disso, mas pela Alma mesmo é de onde podemos nos olhar nos olhos e nos ver iguais.

  2. Meu querido Adão, boa tarde! Ao procurar por mais coisas de Clarissa, me deparei com seu texto e tive a certeza do que minha psicanalista diz: Não é qualquer pessoa que pode ler esse livro. Somente após um ano de terapia fui “liberada” a lê-lo, pois a linguagem é realmente bastante complicada. Seus estudos, conforme ví, são voltados à teologia e você tem grande tendência à queda religiosa. Logo, estude psicanálise, faça terapia (que ao contrário do que todos pensam, não é coisas de loucos), tenha base e estrutura para falar sobre esse assunto e depois volte a pensar a respeito. Se quiser. Assim como todo evangélico você pega trechos soltos do livro para justificar determinadas teorias, assim como os crentes assemelham trechos isolados da bíblia para utilizar de muletas, sem se aprofundar e utilizar da história toda. Realmente, minha terapeuta tem razão: Nem todos estão preparados. E você, não está. Levou totalmente para o lado pessoal e está tentando denegrir a imagem de uma pessoa que fala sobre o que é a especialidade dela, ao contrário de você.

    Meu querido, continue lendo somente a Bíblia.

    Discernimento é o que te desejo.

    Celi

    1. Para quem anda recebendo bons conselhos de quem diz: “Nem todos estão preparados”, para você e sua especialista, falta no mínimo algo que a lei diz: “liberdade de expressão” o que é natural nas democracias e nos países em que há o Estado de Direito em vigência. Que, veja que curioso, tem no Brasil.

      Minhas opiniões sobre o livro e sobre a autora, são minhas, e, ainda que o estudo da teologia tenha me ajudado, não é o caso entre eu e o texto do livro.

      Li o livro, e, reafirmo: é um livro no mínimo tendencioso a criar uma imagem de superioridade do gênero feminino; tendencioso a manchar o gênero masculino; tendencioso em ferir o que há de legal entre homens e mulheres: o desejo de serem felizes juntos, e vencendo as dificuldades e as barreiras.

      Eu não peguei nenhum trecho isolado do livro, o livro todo foi lido e rabiscado, estudado e dado atenção às ideias fantasiosas e deturpada desta senhora que você e toda este grupo de adoradoras dela, insistem em dizer que é de difícil compreensão, para mim, são apenas, produtos de uma pessoa que tem ideias estranha sobre homens e mulheres. Nada mais. Não é um conceito de um trecho isolado, foi da leitura de todas as histórias que ela insiste em querer mudar e modificar as interpretações e originalidades.

      E, por fim, eu leio o que quero Celi. E para quem recebeu orientações, eu te faço o mesmo: continue com suas terapias, mas, aprenda a respeitar as opiniões dos outros ou então troque de profissional, por um que saiba te dar ao menos conceitos básicos de cidadania e conhecimento dos direitos civis brasileiros.

      Paz e bem para você!

      Adão Braga

      1. Adão,

        Quando se coloca algo na internet, deve-se estar disposto a ler tanto críticas quanto elogios. Principalmente quando se critica algo de que não é “sua praia”. Leia o que quiser, mesmo porque, quando não se tem intelecto suficiente para entender o que está escrito, a interpretação tanto faz. Infelizmente, é o teu caso. E além de falta de intelecto, você é uma pessoa hipócrita, pois ao mesmo tempo que diz que eu tenho que te respeitar, você também não respeita a minha opinião e muito menos o trabalho da Clarissa. Como todo crente, prega o que não vive – sim, sou preconceituosa, e foda-se. Pense o que quiser sobre o que eu te falei, sobre minha terapeuta, e continue aí dentro da sua caverna. E por falar em caverna, procure para ler o Mito da Caverna, de Platão.

        Dúvido que você irá entender, mas….

        Discernimento é o que eu ainda te desejo!

        Celi

      2. Celi! Celi! Celi! Eu já estou na internet desde 1995/1996 e tenho blog desde os anos 2002/2003 e sei muitas regras de convivência e regras de publicações, e aceito criticas, sugestões, reclamações. Este tempo todo, e todas estas regras, não me dão direitos especiais, nem poderes especiais, apenas, me faz saber conviver neste espaço.

        Sei também Celi que quando uma pessoa parte para agressões morais, éticas, palavras grosseiras, afirmações que tem a intenção de diminuir a pessoa, e não argumentar as ideias, bem! Isto quer dizer que a pessoa não tem argumentação sobre o tema, não tem como sustentar o que pensa, não tem como provar suas teses. Tudo bem! Nas democracias, até estas pessoas tem direito à tentar opinar, tentar se expressar.

        Eu discordei de você quanto a suas ideias, e das ideias da profissional que te aconselha (por tabela), mas, em momento algum te rotulei de hipócrita, de burra (baixo intelecto, é só um eufemismo, não é?), de cretina, e não desrespeitei sua opinião, é tanto que dedico tempo e atenção às suas criticas, e sugestões, apesar de discordar delas.

        Se, você não leu, eu repito o que está no texto: “… discordo da autora, dos torcedores quando errados, dos políticos e também os religiosos, da Bíblia, do livre arbítrio, dos filósofos e as vezes de Deus.”

        Mais! Se você tivesse ao menos a curiosidade de ler algo mais sobre mim, saberia, que não frequento igrejas. Nenhuma delas. E, não preciso de acompanhamento de psicólogos, psiquiatras, nem psicanalistas. Estou satisfeito com o que sou, como sou, e com todos os conceitos, preconceitos, e ideias que carrego. Não preciso de alguém para me ajudar a ser o que sou, quem sou, e pelo que sou.

        Eu te desejo, condições mínimas de ser você mesma! Seja feliz!

  3. Irei discordar de você. Primeiro, porque quando Clarissa fala do predador, ela se refere a uma força psíquica que age para nos sabotar. Se você tivesse entendido isso, talvez não teria se sentido tão agredido pessoalmente, e então teria lido o segundo conto interpretado no livro, logo depois do Barba Azul, que é uma linda história sobre um relacionamento positivo entre homem e mulher. O inconsciente do homem encontra expressão como uma personalidade interior feminina: a Anima; No inconsciente da mulher, esse aspecto é expresso como uma personalidade interna masculina: o Animus. Se estas forças estão bem integradas, você será um homem ou uma mulher mais feliz e saudável, e com mais respeito por si e pelo outro, independente do sexo. Senão, aumenta suas chances de se relacionar de maneira difícil e por vezes prejudicial. Então homens e mulheres poderão virar vilões na história… Não é que Clarissa Estes seja inquestionável, pois tudo é, mas simplesmente sua analise não condiz com o que está escrito no livro.

    1. Você a semelhança de todos os defensores da Clarissa não explica porque motivos a figura do mal é masculina, ou de homem. E que somos como gênero, a pior dos castigos impostos as divindades: as mulheres.!

      1. Olá Adão. Acabei de ler o seu post e esta pergunta q fez ao @nicgior. Se vc realmente leu o livro, verá q BABAYAGA não é figura masculina e q os 3 cavaleiros q aparecem no conto da Vasalisa são homens e são as forças poderosas da psiquê HUMANA. Desculpe-me….Acho q vc não conseguiu interpretar bem o conto. Não entendeu q são metáforas e q, nem sempre a figura ‘do mal’ (usando suas palavras) é masculina.
        Boa sorte em suas leituras!

  4. Perde se tempo discutindo ou homem e mulher e o livro da clarissa serve para seres humanos,. são apenas metáforas relacionadas aos contos de fada por isso o barba azul é assim tão complicado…enfim critica totalmente dentro do quadrado da matrix. Ou isto ou aquilo…não é guerra dos sexos, relatos apenas de períodos de dominação por parte dos dogmas religiosos e do silencio da mulher iniciado no cristianismo, ela ta falando de homens e mulheres…só não entende quem não quer…mas é aquela coisa se a cabeça só pensa dentro de um quadrado como é que vai ver o redondo? não vê…rejeita…tudo aquilo que não conseguimos compreender nos rejeitamos e é isso que acontece com os julgamentos que vi na critica, falta total de entendimento, é uma pena, pois é um livro muito interessante para dar uma balançada na cabeça.É mais ou menos como o Reich, que morreu sendo chamado de louco e preso por suas idéias, hoje tudo o que ele falou se torna a cada dia a mais pura verdade…

    1. Só que as metáforas dela são assim: tendenciosas para apontar os homens como aqueles que impõem sofrimento às mulheres, e que, mesmo quando uma mulher sofre, sem que exista homem algum em sua vida, este sofrimento é por que, e tão somente, porque ela teve o esperma de um homem, que INCONSCIENTEMENTE a torna presa fácil e que ela não consegue sair desta situação. O livro não deixa de ser interessante porque o critico. Nem porque discordo da autora e das defensoria que ela tem mundo afora.

      1. Acho que vc precisa ler de novo… acho que vc naum pegou o espírito da leitura dela… ao meu ver ela o tempo todo busca mostrar que os conflitos que temos surgem de dentro de nós e naum por causa de um homem que causa sofrimento as mulheres, O aspecto feminino/masculino que ela usa é próprio do que todos temos dentro de nós e precisamos tê-los em equilíbrio – a linguagem é simbólica, tente naum ler tanto ao pé da letra.

        Preciso ler de novo não Bruna. Se eu ler vou descobrir mais coisas equivocadas. Se para entender um texto, se tem que pegar “o espírito da leitura…” ai é que tudo se complica.
        Eu te pergunto, baseado no texto dela: por que os conflitos internos das mulheres tem a aparência masculina? Essa explicação de que é linguagem simbólica também é criticado por mim, pois, nalguns parágrafos, há uma mistura tal que, ora ela escreve literal, na linha abaixo, é figurado, as vezes, é símbolo, na outra é concreta, é alegoria, não é mais! Ou seja, nem ela sabe diferenciar uma coisa de outra.

  5. Adão, você defende o Barba Azul dizendo que ele reagiu à desobediência da esposa, mas não concorda com a morte do Kadafi, um assassino sanguinário. Isso é incoerente! “…Para minha esposa, mãe e irmãs, e para todas as mulheres a minha volta, ensino, a não seguir este caminho longo, tortuoso e idiota que a Clarissa aponta. Pelo contrário. Ensino-as o belo caminho do dialogo, da lógica argumentativa, o incentivo as decisões fundamentada, sem perder o carinho, o amor, e a ternura, a pureza e a grandeza que cada mulher é capaz de ter, ser, e fazer.” Você as ensina. depois diz que não é machista.

    João. Releia o texto para poder opinar melhor. Eu defendo o gênero masculino, não apenas o Barba Azul. E, a morte de Kadafi da maneira que foi, e a morte do Barba Azul do jeito que foi contada, estão erradas de igual modo. As duas histórias apontam para a ideia de que podemos executar qualquer pessoa em nome da lei, da justiça e de nossas contrariedades.

    Sim! Eu sou machista, assim como minha esposa é feminista, e tenho um imrã(o) que certamente está do lado dos GLBT, o que tem isto demais? Eu sou machista em defender o que defendo. Não tenho vergonha, e não penso ser esquisito que eu aja como macho, e as fêmeas como tal. É a natureza de cada um.

    O que há de errado eu as ensinar o que digo que ensino? Eu não posso ensinar às mulheres? Se é verdade, também, o contrário é verdadeiro: as mulheres não podem ensinar os homens, pois será feminismo.

  6. Maravilhosamente… através de Clarissa… só vi gente boa escrevendo aqui! Gente conscientizando sobre uma migalhinha do nosso Mundo, sobre uma gotinha de nossos Oceanos! E de nossos “ossos”, de nossa ancestralidade enquanto Humanos. Que bom que a gente buscou do pensamento de Clarissa, essa imperiosa e urgente necessidade de vivermos “o amor”, “com o amor” e “pelo amor”… estando atentos, é claro, a todos os “predadores” de todas as espécies, para nos defendermos e defendermos os mais indefesos, por vezes tão juntinho a nós… e nós nem vemos! A maravilhosa mensagem é que podemos amar mas estando atentos! Devemos isso a nós, a nossas famílias, nossa sociedade e a nosso Deus, nosso Pai, qualquer que seja Seu nome, na diversidade maravilhosa de nossas culturas. Um abracinho de costela, pra todos vós, que eu admiro mesmo… por terem lido e questionado. Meu nome é lígia maria.

  7. Caro Adão!

    Sou Mulher e psicóloga! Senti um aperto no coração e uma angustia por perceber que alguém que diz ter tanto conhecimento, demonstrar ter tão pouca sabedoria para abrir-se à compreensão do que Clarissa fala em seu livro. Não creio que seja possível confundir toda a questão arquetípica e sua interpretação de cunho simbólico com os fatos concretos. Mas como Mulher, numa sociedade cuja violência dirige-se a Mim, à Mãe, à Filha, à Irmã, à Amiga e consequentemente à todos os filhos (seja do gênero masculino ou feminino), chega-se à nausea observar que a insensibilidade leva homens como você a vir a público questionar principio tão fundamental. A palavra que aponta para as atrocidades cometidas às que estão, mas principalmente, às que vieram antes de nós. Não nos portamos como discípulas, mas como seres cujos princípios básicos foram aviltados e continuam a ser (a violência contra mulheres e crianças ganha as manchetes de jornais e a cada dia mais assustadoramente) de modo avassalador. Triste a sede de poder de homens como você, que tenta com ataque tão medonho, desvalorizar a palavra que não exclui, mas generosamente busca sinalizar para um mundo onde um homem possa ser um Homem (da Alteridade) e não um Predador. Este nosso mundo está cheio de Predadores. Graças a Deus que existem Homens maravilhosos que são homens sem precisarem negar em seus corações os horrores vividos por nós mulheres em todo o mundo. Leia Clarissa mais um pouco meu caro! Leia em especial seus agradecimentos! (no final do livro. Tenho lá minhas dúvidas se você chegou a ler mesmo este livro). Verá que lá Existem muitos homens aos quais ela dedica especial carinho. Verá que sua ternura ao agradecer seu companheiro é especialmente tocante! Então compreenderá que esta Voz, traduz Poder e Fé num modo de vida que seja Vida Para Todos. Use sua inteligência para algo maior! Ache sua verdadeira palavra. Assista o filme: Comer, Rezar e Amar… quem sabe possa lhe ajudar a encontrar Sua Palavra de fato. Venha nos contar.

    Miriam

    1. Miriam, a autora pode ser quem você descreve, mas, a interpretação da história do Barba Azul, é como declaro no texto: distorção da história. E, a violência contra as mulheres, é lamentável. Assim como é triste, lamentavel, estranho e inexplicavel para com as crianças, velhos, jovens, homens pobres, ricos, negros, brancos, peludos

      Se quer discutir violência humana. Vamos. Viu como mataram o Muamar Kadafi! Foi correto? Não! Nem os assassinos merecem, por parte dos que se dizem contrários a violência, morrer da forma que ele foi morto. Nem tão pouco o Sadan Hussein. Nem os milhares de vítimas destes assassinos.

      Quer discurtir violência? Venha! Vamos discutir. Mas, tenha paciencia. O uso da história por parte da Clarrisa como uma ponte, como uma parábola: está equivocada. Que ela abordasse o tema direto, claro e curto. Existem homens que são violentos. Existem homens que espancam suas esposas, seus filhos. E te digo mais: vivi 20 anos de minha vida com um homem que batia em minha mãe, e em minhas irmãs. E eu sou, o anti-homem que eles insistia que eu fosse.

      No livro, todas as histórias, independente da lista final, é usada de forma a colocar o GENERO MASCULINO COMO VILÃO. Como humanos somos o que somos. Mas, não podemos generalisar todos os homens pelos maus homens, bem como, não aceito tomar todas as mulhers, pelas mulheres má!

      Como não te classificar como discipula dela? Não tem como não! Veja como me ataca e me cataloga como homem violento, e como todos os vilões vislumbrado pelos olhos da autora.

      Se todos os homens deste mundo tivessem a se de poder que tenho, viveriamos todos no jardim de infância. Mas, este ataque a minha posição de genero, é o que me faz pensar que ela, influencia as discipulas a assim viverem e agirem. Mas, vir salvar Maria lavadeira, alí no bairro dos Preás, vocês não veem. Quando veem, é para contar histórinhas estranhas e ridiculas.

      E, não pensa que me ofendeu minha honra, e minha virilidade com estas palavras: “Graças a Deus que existem Homens maravilhosos que são homens sem precisarem negar em seus corações os horrores vividos por nós mulheres em todo o mundo.”

      Para minha esposa, mãe e irmãs, e para todas as mulheres a minha volta, ensino, a não seguir este caminho longo, tortuoso e idiota que a Clarissa aponta. Pelo contrário. Ensino-as o belo caminho do dialogo, da lógica argumentativa, o incentivo as decisões fundamentada, sem perder o carinho, o amor, e a ternura, a pureza e a grandeza que cada mulher é capaz de ter, ser, e fazer.

      Não preciso ler mais do que li. O livro está aqui, a menos de um metro de distância. Quando quero, vou lá e pego. Leio e reviso as anotações feitas nas páginas.

      Suas dúvidas em relação a mim, é um problema seu. Te garanto que não gasto uma mentira para tal. Muito pouco para eu gastar energia, imaginação e inteligência: dize que li algo sem ter lido? Pra que? Mentir é algo necessário. Mas, te garanto, não pretendo gastar uma com o livro da Clarissa.

      Quando fiz uma referência entre homens e lobisomem, eu o fiz. http://www.adaobraga.com.br/?s=lobisomem

      Por último Miriam, menos tá! Esta mania de dividir a mulher em vários seres. Isto é vitimismo. Não me comove. A violência é sempre contra a pessoa. É sempre contra a vida. Não me venha com mulher, psicologa, mãe, filha, irmã… eu também sou tudo isto, ao contrário. Eu sou homem, sou filho, sou pai, sou irmão, sou consumidor, sou eleitor, sou brasileiro, sou pobre, sou “afro-luso-descendente”, sou mineiro, sou nanuquense… se é pra dividir, vamos dividir, e seremos sempre uma minoria perseguida e sem direitos e que necessita ser defendida e protegida!

      1. Meu Jesusssssssssss!!! Vc naum está lendo o que as pessoas comentam!!!!!!! Vc está em posição de ataque, na defensiva e não em posição de diálogo! Abra os ouvidos e ouça de vdd o que estão comentando aqui.

        Pois então Bruna! O que as pessoas estão comentando é a defesa da Clarissa. Não é proibido não! O que você não tem compreendido, é que, na atual situação, e no Estado de direito, eu tenho direito a opinar, expressar, e todos vocês querem impor, a visão da autora. Vocês é que não aceitam a minha pessoa, minha ideia, meus questionamentos. Simples assim.

  8. Uma das primeiras noções que temos sobre igualdade, é sobre igualdade de direitos e não igualdade contrária à diversidade. Básico.
    Acho que vou parar por aqui porque é difícil nos fazer claros para alguém que desconhecemos a história de vida e os elementos que nos trouxeram até este momento. Não discuto com Mitologias, não por ser mulher, mas por ser humilde diante de produções humanas construídas ao longo de muito tempo. Posso discordar dessa ou daquela mas não sou juiz de nada.
    Chamou-me apenas a atenção a veemência como que você combate a Clarissa, que para mim propõe saídas e encontros para uma construção de relações baseadas em respeito e afeto e muito mais.
    Siga assim…

  9. Mais uma vez tenho que discordar: no patriarcado, em que ainda estamos homens e mulheres estão unidos na discórdia, na hierarquia. Quanto ao mito de Pandora, a cultura grega trouxe em seu bojo este patriarcado que ainda vigora. Eu não sou nada para reclamar de mitologias…Só acredito que elas desvelam uma visão de mundo que norteia nossas ações. Minorias, em poder não em número, sempre são desclassificadas em suas reivindicações por existirem outras desigualdades tão injustas quanto. Ao contrário do que imagina, trabalho pela igualdade e sei que homens também sofrem, e muito, sob este jugo de um Patriarcado implacável.E desde muito pequena não vi esta cumplicidade em Adão, o da Bíblia…

    1. Cassia Simone, começo pelo meio e cito esta frase: “Eu não sou nada para reclamar de mitologia…” isto é por ser mulher, ou por ser uma humana comum? Por se sentir incapaz intelectual ou por pensar que por ser uma mitologia antiga, não tem como desarraiga-las do senso comum coletivo? Penso sim, que você, a semelhança de Clarissa possa discordar, debater, ir de encontro as mitologias, se elas contém elementos discordantes da atual maneira de entender e aceitar os fatos.

      Eu procuro evitar, e sempre me posiciono ao lado destas posições em homens ficam e são opositores das mulheres, ideias em que há guerra entre os generos como por exemplo, o patriarcado. Me dá uma sensação de que nós, homens e mulheres estamos sempre a lutar pela supremacia sobre o outro. E creio que somos, não adversários, mas parceiros, companheiros, e que somos completos unidos, e não separados.

      Já, “MInorias, em poder não em número”, me lembrou uma frase numa antiga novela, em que a personagem vivida por Antonio Fagundes disse: O povo, a semelhança de uma manada de boi, não sabe a força que tem.

      Quanto as desigualddes, e as injustiças, sempre existirão por mais que existam pessoas que lutem contra elas. E, se você trabalha pela igualdade, a depender de como você define IGUALDADE, digo-te que é um trabalho contrário ao que se existe na natureza, que por sinal, ser diferente, e não ser igual, é o padrão. Não existe como estabelecer e transformar todos nós numa mesma base de igualdade. Só nalguns aspectos, e ainda assim, alguns rejeitaram.

      Quanto a esta frase: “E desde muito pequena não vi esta cumplicidade em Adão, o da Bíblia”, afirmo-te que a vida está sendo generosa com você, não te deixando sair dela, sem conhecer este outro lado da história. Tá lá nas linhas e nas entrelinhas do Gênesis.

      E discordar, é salutar, é permitido. Faz parte dos direitos individuais.

  10. Pode ser que eu esteja enganada, mas ao comparar a história com o mito de Adão e Eva, a culpa seria sempre da mulher? Por ela o pecado entrou no mundo e portanto toda punição seria merecida? Como as mulheres que são estupradas é porque provocaram o desejo masculino? As que apanham é porque desobedecem as ordens de seus maridos? Não creio que os homens sejam o mal do mundo, nem tampouco as mulheres o são. Ao ler os capítulos 4 e 5 do livro lembro que Clarissa propõe modelos de relações mais saudáveis e fala da necessidade de ambos buscarem a maturidade. Não vejo nada equivalente à misoginia subjacente a tantos discursos com os argumentos acima.

    1. É Simone, penso que esteja enganada. no mito de Adão e Eva, se Eva tem a culpa de desobecer e agir em desacordo com o ordenado, Adão também é culpado. É cumplice. Adão une-se a Eva. Adão e Eva estão unidos na desobediência. No blog já escrevi sobre isto. Adão, no mito, prefere seguir e acompanhar Eva, ter o mesmo caminho de Eva, por, e para não deixa-la sofrer a punição só. O mito mostra exatamente o contrário desta sua ideia e opinião. Se ela é culpada, Adão está unido a ela! Ele prefere e une-se a ela em ações e destino. Se ela errou, ele prefere estar com ela, ficar com ela, dividir com ela a punição: que é morrer. Adão, no mito, age como companheiro, amigo, parceiro, cumplice.

      As mulheres que apanham Simone, não é diferente de todos os outros humanos que apanham, que sofrem violência. Abra vossa mente para o gênero humano, e não apenas para o gênero feminino. Somos humanos, tanto homens, quanto mulheres, e não ganhamos nada separados em gêneros. Em gêneros somos fracos. Unidos somos fortes. Se há homens que são violentos, espancadores de mulheres, há também, os que espancam crianças, os que espancam homens, é um mal humano, e não do gênero masculino.

      Você não reclama da mitologia da Caixa de Pandora em que a mulher é uma manipulação de uma divindade para vingar-se de outra divindade e punir o homem.

      E, não sou misogino. Algumas histórias e interpretações de elementos no livro: As mulheres que correm com os lobos, a autora é claramente misotropica.

  11. Caro Adão, sou psicóloga jungiana e já li Clarissa Pínkola várias vezes. A forma com que ela aborda a história não e criação própria dela mas se baseia numa ampla teoria psicológica que foi construída por Carl Jung. Trabalhamos sonhos e histórias da mesma forma, todos os personagens simbolizam partes da própria psique. Em momento nenhum percebo Clarissa colocando o marido externo como o predador, mas sim uma parte interna à mulher. Freud fala do instinto de morte que seria semelhante a este predador, uma tendência inata à destruição interna e ao sofrimento com a qual temos que lutar. Certo ou não é uma visão de mundo amplamente difundida na psicanálise.
    O salto, ao contrário do que você diz, é que somos nós, homens e mulheres, os responsáveis pelos nossos problemas e conflitos e não nossos companheiros ou companheiras em quem os projetamos( outro conceito da psicanálise).
    A linguagem de Clarissa é simbólica e portanto não poderia nunca ser uma interpretação ao pé da letra. creio que lemos livros diferentes…

    1. Cara Cássia, sou teologo, e estudei Jung, Angel, F, W, … e já li Clarissa Pínkola algumas vezes, e a discordância continua sendo a de sempre. Não concordo com a ideia de que as prisões femininas sejam masculinas, nem que tudo de ruim existente na vida do homem, seja e tenha uma figura feminina.

      MInha distinção entre corpo, alma, e espirito é o mesmo que dizer: físico, emocional, e racional. Cada qual com suas ramificações. Pode ser amplamente difundida pelo mundo, tal qual, a violência, a corrupção, e mesmo assim, continuo a discordar dos violentos e dos corruptos.

      A linguagem da Clarissa é Simbolica, mas, sempre, e tendenciosamente contra o gênero masculino, tá no livro citado no texto.

  12. Então concordas com Adão Braga, e se põe contra a interpretação da Clarisse? Não! não é? Seu senso de lógica é fraco. Esta sua opinião mais favorece a mim, do que a proposta da Clarisse. Como erra ao interpretar aqui, também erras lá. Mas, quer saber se posicionar, mas, opinia errado.

  13. Super esquisito tratar uma fábula ao pé da letra ne? Achar que o marido é o marido de fato, que a esposa é a esposa de fato, e até que a chave é uma chave de verdade…E ainda querer colocar um mordomo no lugar da esposa pra ver se a lição de moral continua sendo a mesma…
    Senso de abstração zero…

    Desiste de ler a Clarissa se não gosta, tampouco compreende…

  14. E o que vc considera mais natural? Ela abrir por curiosidade ou o Barba assassiná-la por uma mera quebra de confiança? Justifica?

    toin oin oin!

    1. Nada disso M. Nem é natural invadir, nem é natural assassinar. É o real. As mulheres são assassinadas todos os dias, por motivos inferiores. Não só mulher adulta, mulheres adolescentes, jovens… são assassinadas todos os dias, e a história do Barba não se aplica a elas.

      Nos relacionamentos também a história não se aplica!

  15. A palavra ‘homem’ deve ser entendida como um arquétipo pois é assim que é tratada pela autora e dentro da psicanálise.

    “Mas, na interpretação da autora da história do Barba Azul… é atividade típica de nós homens, em especial do marido.” / “são também relatados como os heróis” – A figura masculina é arquétipa. Há muito tempo homens se colocam como a parte ‘forte’ da história, o fazedor de guerras, aquele que controla, o patriarca. Pois bem, assumiram, arquetipamente tanto a figura do destruidor quanto do salvador, já que no mundo real, e verdadeiro, só aos homens eram dadas as oportunidade de desempenharem estes papéis.

    “A autora é uma especialista na arte de desagregar os gêneros” – O homem figura em muitas dessas imagens mentais porque socialmente ele é peça central, afinal existe algo chamado machismo, patriarcalismo que por sinal é bem real, e verdadeiro, na vida da maioria das mulheres. E que não foi criado por mulheres, foi criado por homens. E não é a autora quem segrega, a sociedade machista segregou e como consequência disso temos tais arquétipos. Se não houvesse machismo, não haveriam arquétipos ligados a ele. Seriam outros. Foi a cultura falocêntrica que “provou” que a mulher não é mulher, mulher é a antítese do homem, ela é aquilo que o homem não é, o resto, o depósito de esperma, a gravidez, o sangue menstrual, a vergonha, o vácuo no qual o homem pode se perder se não for suficientemente “forte”, então ele briga. Muitos dos tidos ‘grandes pensadores’ publicaram obras expondo este ponto de vista. Assim como sacerdotes, governantes, médicos, psicólogos (Freud e muitos outros), homens comuns. Todos engajados na idéia de que a mulher é inferior, é suja, é aquilo que brotou da costela. Assentada nessa idéia, nosssa sociedade foi formada. Ou assumimos o papel de ‘santa’ ou de ‘puta’, de qualquer forma sempre perdemos, é assim até hoje. Tem mudado, mas não graças aos homens.

    “ela está descrevendo as jovens … de vida amorosa externa e não interna.” – A maioria dos casamentos no mundo são arranjados, não há amor, principalmente no oriente onde nem há o mito do amor romântico, é um negócio escancarado. Até bem pouco a regra geral era dar/vender meninas, tipo criança mesmo, para “casar”/estupro institucionalizado, ao lado das anotações do gado. Em alguns lugares ainda acontece. São meninas e mulheres jovens que para não se revoltarem ouviam/ouvem sobre príncipes encantados e afins porque a realidade seria, e ainda é para muitas, brutal, então era preciso enganar, até que ela já estivesse ‘casada’. É aí que a menina abre a porta e vê os esqueletos das mulheres que vieram antes, de sua mãe, de sua irmã, da prima, da desconhecida na rua, e ela se reconhece neles, porque ela já está brutalizada, então é capaz de ver isso nas outras mulheres. Homens não eram criados para serem gentis, gentileza era caracteristica feminina e se homem é oposto.., eles brutalizavam mesmo aquelas crianças e aquelas jovens, não há eufemismo que diminua a dor de uma criança exposta a tal coisa e não havia escapatória. Portanto não foi a autora quem promoveu a segregação dos sexos, ela só a expõe dentro de um contexto.

    “os humanos do gênero masculino e que são violentos, as infelicidades que nos cercam no dia-a-dia.” – 1 em cada 3 mulheres são vítimas de abuso sexual até a adolescência, note que determinadas formas de assédio sexual nem foram contadas, nem os casos de casamentos forçados de meninas. A maioria das mulheres casadas já foram agredidas de alguma forma por seus maridos. E não estou contabilizando outras formas de violência de demais homens da família, conhecidos e estranhos. É muita mulher sendo desrespeitada, e onde estam os homens que agridem? Pesquisa Ibope / Instituto Patrícia Galvão “Um em cada quatro homens (25%) sabe de algum parente próximo que já bateu na mulher ou na namorada, enquanto 48% afirmam ter amigo ou conhecido que agride ou costuma agredir a esposa. Desses só 8% assumem a agressão.” A violência contra a mulher parece invisível porque homens são maioria no poder e o mundo foi feito por eles e para eles (para você também) e eles não assumem a violência que comentem. Infelicidades cercam o dia-a-dia da MAIORIA das mulheres. Não é apenas realidade, é verdade.
    É então natural que a violência masculina figure na psiquê feminina e da forma mais negativa possível.

    “Quanto ao Barba Azul e a violência da mulher, não é verdade que o personagem seja violento… reage … Desleal. Infiel.” – E se ser um maníaco assassino não é ser desleal, minha nossa. O que você está dizendo é que uma simples desobediência (ela aqui é obviamente colocada como um ser inferior, que deve obediência cega ao seu amo e senhor) foi uma natural justificativa para um massacre. Sim, massacre, foram várias mulheres mortas. O ‘crime’ dela foi ter descoberto a verdade, foi ter ido além da realidade por ele projetada. Ele ‘reagiu’ a tamanha afronta com a única alternativa que lhe restava! A morte!! E o que ele não queria que a primeira mulher morta visse? O ursinho teddy? Não. Ele escondia sua violência, sua face mais sombria e quando seus absurdos eram descobertos ele as matava. Violência esta da qual toda mulher deve estar ciente, então abrimos a porta, e descobrimos o crime, e identificamos o monstro, real e figurado. De posse desta informação e com apoio (irmãs e irmãos) ela sai desta situação. Na vida real nem todas tem essa sorte.

    Toda essa violência pode não fazer parte da sua ‘realidade’ mas faz parte da nossa ‘verdade’. Pois até as poucas que não sofrem vivem o medo de virem a passar por isso. Estes fatos ferem sua sensibilidade? Mas não antes de ferirem nossos ossos. A sociedade agride a todos mas, é especialmente cruel com as mulheres.

  16. você é um babaca que não entende porra nenhuma de psicologia, e muito menos de jung.

    Obrigado Ana por me fazer entender alguma coisa de psicologia. Pessoas como você seria melhor estudada e experimentada do que cães e macacos.

  17. Caraca … vc gostou mesmo do livro heim?

    Bem, não acho que a autora manipulou a história do Barba Azul. No conto infantil é bem claro a violência praticada por ele contra as ex-mulheres (assassinadas por ele) e com a atual mulher que havia descoberto o segredo dele.

    No texto de Clarisse, assim como no conto infantil, o Barba Azul é o cara que encarcera a mulher nos seus valores, na sua voz, nos seus gestos, na sua liberdade de crescer e aprender – principalmente quando ele se sente ameaçado por esse crescimento. Agora, é questão de escolha vc dormir e acordar com um Barba Azul do seu lado.

    Mas no mundo também existem mulheres Barba Azul.

    Bjs

    Todo livro tem sua beleza e seu objetivo. Eu leio livros, as vezes, só para ter opinião sobre o autor e suas ideias. O fato d´eu discordar da autora não significa que não vou ler a sua obra.

    Já li todos os livros que ganhei! Já ouvi também o CD e já ripei em mp3.

    Quanto ao Barba Azul e a violência da mulher, não é verdade que o personagem seja violento pelo simples fato de ser diferente. A violência do personagem é provocada. E, é semelhante a expulsão de Adão e Eva do paraíso. Eu vejo similaridade entre a história do Barba Azul, e Adão e Eva no paraíso.

    Em todas as versões que li, ele sempre reage a ação da esposa. E, pela história contada, deduz-se que todas as outras foram mortas pelo mesmo motivo. Eu defendo a tese de que, ele reage. Ele não inicia a violência. Ele reage a quebra de confiança. E a chama de traidora. Desleal. Infiel. A história é trágica. No entanto, a moral da história, não é a moral e a aplicação que a Clarissa impõe.

    Me responda:

    – Volte a história para a primeira esposa. E digamos que ele tenha dito também para ela: não use esta chavinha! Não entre no meu escritório. Qual o motivo dele tê-la matado? O que havia no escritório que a condenou a morte?

    – Se, e existe versões, em que não se trata de uma esposa, mas de um mordomo que recebe todas as chaves do Barba Azul. E recebe as mesma ordens, e teve o mesmo fim da esposa.

    Se a personagem punido não for uma mulher, a tese da Clarissa afunda! É tanto que ela avisa que entre tantas versões ela escolhe esta versão. Por que? Porque favorece a tese e a ideia dela!

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