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Quando o amor vira dor e lamentação


– Eu falei para ela não ir! Eu falei! Falei, falei. Repeti. Repeti. Ela não me ouviu!

Era só isto que ele falava. Só isto a repetir todo o dia do velório. Nada mais dizia. Era só esta lamentação. Muitos, inclusive eu, sair de lá com a certeza de que ele sentia uma dor muito mais forte pela desobediência dela do que pela morte da criança. E não demorou para estarem separados.

Passados mais de dez anos, ele ainda reclama da decisão da ex-companheira em ter insistido e ido contra a vontade dele naquela fatídica viagem.

– Se ela não tivesse ido, meu filho estaria vivo. – Ainda repete como se certos eventos pudessem ser evitados. Como se fosse possível antever, premunir tais tragédias.

De fato, há, em determinadas situações, ainda que existam várias explicações de especialistas, um momento que o amor que se sente por uma pessoas se transforma em dor. E isto se torna possível, por várias vias de acesso, uma delas é a culpa.

Este meu conhecido, por exemplo, por todos estes anos, ela, ainda é a culpada. Não importa quanto tempo passe. Não importa o que ela faça. Nada importa. Ele a culpa sempre. E, o amor que sentia a ela, transformou-se num gigantesco bloco de dor, rancor e finalmente o impede de olha-la de forma diferente, a não ser culpando-a, incriminando-a, como se ela mesma, já não a fizesse isto a si.

E o que aconteceu com eles, volta-e-meia, acontece com outras pessoas. Naquela época, ele queria que todos viajassem em janeiro, ela queria viajar em Dezembro para arrumar tudo para quando ele chegar apenas curtir.

Ninguém planeja uma tragédia. Ninguém coloca na lista de eventos um acidente. Afinal, quando tudo acontece normal e naturalmente, na maioria das vezes, nem se lembra que alguém planejou, executou tudo aquilo. Mas, basta existir algo fora do lugar para se procurar e encontrar um culpado, uma culpada. Foi o que aconteceu com eles.

Depois de longos meses de agonia, finalmente divorciaram. Não houve mais brigas, desavenças, ironias, piadas e insinuações. Acabou aquilo.

No entanto, o amor transformou-se em dor, ao ponto de, o nome dela ser sinônimo de pessoas erradas, desobedientes, e sobretudo amargura.

– Desde aquela época, todas as vezes que olho pra ela, eu me lembro do que eu disse naquele dia: Não vá na frente. Espere mais quinze dias, e todos iremos juntos.

Ela preferiu ir! Nunca saberemos para onde o outro caminho os levaria. Sabemos apenas este que ela resolveu percorrer, e que ele teve que adentrar pelas circunstâncias. Agora é tarde, todo o amor que ele sentia, todo o amor que eles exalavam, num só evento, ficou tão somente a dor, o remorso, e da parte dela a culpa, que também vive a repetir em tristes lamentações:

– Ò meu Deus, porque eu não esperei aqueles quinze dias! Por que?

Da parte de um, dor. Da parte do outro lamentação. Eles não vivem mais juntos. Não se odeiam, porém, não conseguem mais estarem juntos no mesmo lugar. Não é fácil a vida de certas pessoas!

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Um comentário em “Quando o amor vira dor e lamentação

  1. A vida é cheia de eventos desse tipo, para quem está de fora é fácil dizer que foi apenas uma fatalidade. Agora para quem vive, a coisa muda. Uma pena.

    Adão te desejo um Feliz Natal em família e que 2011 seja um bom ano.

    Obrigado querida pelos votos. Quanto ao assunto, só a ideia dói!

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