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Quando os “meninos machos” viram homens


No dia 13 de outubro passei em frente a loja de um amigo e tinha uma indicação de luto. Ao anoitecer soube que o pai de um deles havia morrido. Passado uns quinze dias, encontrei-o. O abracei e apertei-lhe a mão. Por alguns instantes choramos. Pode ser estranho, mas, não tenho vergonha de chorar. Nem reservadamente, nem em público. É claro, se a emoção chegar a tanto.

Na conversa, soube que ele tem e sente algo que também sinto. Hoje!. Agora!. Neste instante, estou completo. Mas, só em pensar que a morte pode levar, por exemplo, meu pai, abre-se um buraco nalgum lugar que me provoca saudade e ausência. E foi isto que vi naquele amigo e foi isto que ele me disse:

– Olha Adão! Meu pai vinha sofrendo a vários dias. Nós lutamos para mante-lo bem. Mas, a dor de saber que ele não está mais lá, é imensa. Eu, que já tenho mais de trinta, me sentir desamparado.  E, mesmo tendo minha vida encaminhada, e faz muito tempo que não dependia dele financeiramente, até hoje me pergunto: o que vai ser de mim sem meu pai.

Eu, esta semana, estou sentindo a ausência de pessoas que nunca vi. Talvez seja falta mais da ideia que tenho de certas pessoas do que mesmo da pessoa em si. Mas, é possível existir em mim uma ideia sem que exista uma pessoa associada a esta ideia que tenho dela?  Morrendo a pessoa, morre em mim a ideia? Inexistindo a ideia, inexiste também a pessoa?

Eu bem sei porque isto tem aflorado agora esta busca por apoio e por esta busca de afago. Eu tenho a resposta. Eu não quis admitir antes. Eu sei a falta que sinto. E sei porque sinto o que emergem em mim. E sei, que também provoquei tal sentimento em meu pai. Sinto a dor que ele sentiu, porque a dor nele, foi eu quem a fez surgir, a dor da separação. A dor do desligamento. A dor da declaração de independência, mesmo, dependente.

O fato é que a criança está virando homem. E o homem que emerge de criança quer, a semelhança de todo e qualquer pequeno macho ser dono do terreiro. Dominar a savana. Conquistar o direito de urrar, zoar, rosnar e mostrar-se valente. A diferença aqui, nem é que estamos lutando pela mesma fêmea. Talvez estejamos, mas por motivos diferentes.

Ele pensa. Ele age. Ele existe. E, aquela criança que eu colocava para dormir sobre o peito já não existe. Talvez exista. É esta ausência que agora sinto! Ele só vai sentir esta falta quando eu morrer. Eu, já a sinto desde agora!

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5 comentários em “Quando os “meninos machos” viram homens

  1. Adão,
    Também ja sinto falta do meu bebê, eles crescem e quando nos damos conta temos vozes com alguns acorde acima. Mas acredito que sentimos falta da proteção que podíamos dar em época anterior
    A vantagem de ser mãe é que temos uma ligação mais sentimental, talvez ela perdure por mais tempo, damos mais colo.
    A relação pai e filho é muito machista e nessa nós mães ganhamos, quando a criança volta a existir por um breve momento, é alento materno que eles procuram.

  2. Adao!

    Quando eu li quem amigo, jornalista conhecido, enfatizara num texto que homem que é homem nao chora e, tendo dúvidas o escrevi perguntado e ele respondeu: SIM, GRACE…EU PENSO QUE HOMEM QUE É HOMEM NAO CHORA…. Meu mundo deu a certeza: ESTAMOS TODOS FRITOS SE ELES, OS FORTOES DOMINAREM O MUNDO

  3. Um homem também chora
    Menina morena
    Também deseja colo
    Palavras amenas
    Precisa de carinho
    Precisa de ternura
    Precisa de um abraço
    Da própria candura
    Guerreiros são pessoas
    São fortes, são frágeis
    Guerreiros são meninos
    No fundo do peito
    Precisam de um descanso
    Precisam de um remanso
    Precisam de um sonho
    Que os tornem perfeitos
    É triste ver este homem
    Guerreiro menino
    Com a barra de seu tempo
    Por sobre seus ombros
    Eu vejo que ele berra
    Eu vejo que ele sangra
    A dor que traz no peito
    Pois ama e ama
    Um homem se humilha
    Se castram seu sonho
    Seu sonho é sua vida
    E a vida é trabalho
    E sem o seu trabalho
    Um homem não tem honra
    E sem a sua honra
    Se morre, se mata
    Não dá pra ser feliz
    Não dá pra ser feliz

    (Guerreiro Menino – Fagner)

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