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O cheiro da cadeirante!


Outro dia eu encontrei com Deus ali na oficina. Ele estava olhando para as estrelas assim como faço de vez em quando. Não me disse nada. Deduzi apenas que Ele estava me esperando. Não puxou conversa. Deduzi que Ele só veio ouvir-me. Desabei a falar e a perguntar, e dar pitaco na minha vida, na vida de pessoas próximas, e de outras pessoas próximas mas que moram longe daqui.

Ele olhava para mim as vezes sério. As vezes um econômico esticar de lábios com um sorriso preso. Eu então aproveitei para comentar as dores que eu sinto pelo mundo.

Falei de um pequeno ser. Tem dez anos. É a cara de meu filho menor. O rosto, os olhos, a boca, os dentes … tudo se parece com Pedro. Mas, ele é, como dizem: “especial”. Não fala, não anda. Não tem firmeza nas mãos. Não consegue segurar nada.

Eu conversei com a mãe dele! Perguntei sobre a idade mental dele. Se ele entendia. Se ele demonstra inteligência. Se demonstra questionar a situação.  Me perturba saber da existência de tais pessoas nestas situações. Ele demonstra querer usar o computador, demonstrar querer coisas. Mas, minha perturbação é maior: O que é que ele pensa? Ele sonha com o que? Pergunta pelo futuro? Pensa que algum dia será diferente.

Só de pensar nele e noutras pessoas assim, sinto vontade de chorar. Ele virou o rosto e apontou para o céu quando o céu foi riscado por um meteorito. Queimou. Sumiu o brilho. Será que era uma parabola? Um metafora? Não parei para pensar naquele instante, se era uma comparação com as situações que questionava, com a existência.

Eu apenas continuei a questionar. Só que era  sobre a maldade. O porque de muitos humanos quererem resolver tudo na base da violência e do poder de fogo, da tortura.  Porque homens matam mulheres depois que o relacionamento acaba? Para onde é que vai todo aquele amor de antes? Que reação fisiológica provoca e transforma a química do amor em elemento mortal tal qual o ódio, que os leva ao assassinato, a mutilação?

O que será de todos estes homens e mulheres violentos e que são armas e agências do ódio?

Não posso dizer que dialogamos. Ele olhava para mim, e eu via naquele olhar toda minha angustia. Percebia que Ele, a minha semelhança, ou eu a semelhança dEle, sentimos todas as dores do mundo. Ele, muito mais do que eu.  Não somos iguais, eu sei! Mas, enquanto estou ali conversando com Ele, me sinto como Ele.

Hoje, ao ir atender um cliente encontrei uma cadeirante. Ajudei-a a subir o degrau da farmácia de pelo menos 40 centímetros. Sai em seguida e fui comprar um fusível. Ao voltar, ainda estava ela me esperando para descer o degrau. A puxei e a trouxe até o nível da rua. Ao entrar, falei com as colegas:

– Que mulher cheirosa!

– Quem? Aquela da cadeira de rodas?

– Sim!

– Uai Adão e você foi ajudar ou foi cheirar a cadeirante?

Eu apenas sorrir! Hoje ao ir olhar o céu, penso que Ele, talvez não estará lá. Nem sempre Ele aparece. Mas, vou dizer-lhe que eu ainda sinto todas as dores do mundo. Choro por algumas delas. Agradeço por não ter ou estar noutras situações. Mas, já entendo a situação dEle, e de nós outros. A vida, por mais dolorosa que seja, ela traz esperança, ela gera fé, e produz amor. E isto, faz com que Ele e eu, bem como você possa viver cada dia como se fosse o último, e esperando que este último dia seja cada vez mais adiante.

Isto é a vida! Isto é viver. Isto é sentir todas as dores do mundo.

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5 comentários em “O cheiro da cadeirante!

  1. Adão, também não entendo como uma pessoa diz amar outra e quando separa para a odiar, então não é amor.
    Sabe as vezes também me sinto carregando as dores do mundo.
    Também sempre vivo cada dia como se fosse o último, procurando viver da melhor maneira possível.
    Bjos

  2. Fiquei tao feliz em ler seu post!! Meu dá força, coragem de continuar, sempre! Écerto que o filho que nos chega com deficiencias fisicas ou mentais, vem com uma mensagem de sofrimento para si e para nós. Fica dificil convencer pessoas totalmente despreparadas a aceitarem situaçoes como essas,nas quais a dor que nos causam a limitaçoes de um filho ou filha que muito amamos, é precisamente o remédio que a lei esta ministrando, a nós e a ele, para que, futuramente, possamos chegar juntos ao territorio livre da paz, que está alhures , à nossa espera. Não existe sofrimento eterno, tudo nos é transitorio. E eu nao preciso entender mais nada desse mundo. Há muito tempo conversando com voce, me explicou uma passagem de Pilatos, que perguntou a Jesus se ele o Rei dos Judeus, e ele respondeu que era Rei, e que seu reino nao era desse mundo.
    Saudades…um dia…

  3. Neste mundo, não tenho certeza de quase nada, mas tenho fé de que nada é por acaso! Para Deus não existe tempo e uma vida bem vivida pode ser apenas um riscar de meteoro no céu, aos olhos de Deus. Evito buscar explicações e apenas acredito, assim as dores do mundo ficam mais leves por que sei no final, tudo vai dar certo! Mas daí cruzar os braços, jamais!! Lutar todos os dias com fé! Beijus,

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