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A obrigação de demonstrar


Se tem algo que faço constante e conscientemente é demonstrar o que penso, o que sei, e o que sinto. Não sou de ocultar posição, em especial nos detalhes mais comuns do dia-a-dia.

– Quer café Adão?

– Não, obrigado!

– Tá gostoso! Experimenta!

– Não! Obrigado. Normalmente não tomo café, exceto aquele que faço. – É o que respondo. Algumas pessoas pensam que sou mal educado ao não aceitar certas ofertas. Não é que sou mal educado, esta é minha educação. Prefiro dizer que não quero, que não tomo, do que aceitar e depois, comentar:

– Que café ruim!

Afinal, ao que me parece, existem tantos gostos de café quanto existem de gente. Para evitar devolver a xícara com o café e a frase: Não gostei!  – Eu prefiro não aceitar a oferta do café. Algumas vezes, já vi pessoas passar por situação constrangedora por ter que beber um grande xícara de um café, que o sabor, não lhe agradou.

Com as idéias também sou assim. E quem me conhece, sabe que não gosto de feriados. Não sou dos que quanto mais dias na semana parado melhor. Não! Eu não gosto de feriados. E também não gosto de datas comemorativas. Não gosto de dia de aniversário. Não gosto de natal. Nem de virada de ano. Dia de mãe, dia de pai, dia da noiva, dia santo, dia disso e daquilo, etc., …

E porque?

Porque se por um lado se rotula, se diz, se pode acusar de hipócrita os filhos que ao longo dos outros dias do ano ignoram, desobedecem, maculam a mãe, e somente no dia das mães chegam em casa com presentes e cartões, o outro lado também é verdadeiro: exige quase que por obrigação a demonstração de respeito, amor, carinho e mudança de comportamento no dia das mães, ao ponto de haver a cobrança do tipo:

– Ele é gente ruim até no dia dedicado as mães;

– Nem mesmo no dia das mães ele se lembra dela;

– Ih! Filho que até no dia das mães é assim! Imagina nos outros!

Isto digo porque, sou do tipo citado, e hoje, no dia das mães, me cobram uma atitude assim. – Ah! Você não pode ser assim amargo!

Como o fato de eu não comemorar, nem ter lá grande afagos com estas datas me tornasse um homem sem sentimento, sem emoção, sem coração, sem tato, sem traquejo sentimentais. Não é verdade. Não tenho com as demais datas. Mas, lembro de datas especiais: inicio de namoro, nascimento dos filhos, data do primeiro beijo, data daquela viagem especial, aniversário, aniversário do pai, da mãe, dou presentes inesperados, chocolates surpresas… mas isto, tudo é nulo, se no dia das mães …

Há, de todas as formas, a obrigação de demonstrar amor e carinho neste dia às mães. Mesmo que eu nunca tenha desrespeitado, nunca tenha esquecido, desonrado, desfigurado a pessoa e a imagem de minha mãe.

Se o sujeito, no dia das mães, não age de acordo com a regra já estabelecida, também é visto como mal filho, como exemplo a ser esquecido.

Hoje, o dia deveria ter sido comum. Mas não foi. E não foi porque, não respeitam o direito que tenho de não seguir esta norma. A mãe que existe nesta casa aqui, mesmo tendo a idéia de que os filhos devem outro tipo de atitude com as mães, como não recebeu presentes no dia de hoje, não recebeu cartões, não recebeu almoço, e nada em especial, fechou a cara, permaneceu o dia inteiro em provocações e resmungo. Ainda que reconheça que a maré não está pra peixe, que sabemos que é muito frustrante  nosso “cachorro chorar por um colar de diamante.”

Por isto, aprendam mais esta regra: “TODOS, somos obrigados a demonstrar …” mesmo de forma hipócrita um sentimento e uma atitude que não reconhecemos como expressão da verdade e de utilidade prática na vida.

– Demonstre carinho, mesmo que hipocritamente!

Esta é uma atitude exigida para os dias moderno, bem como, atitude exigida dos que querem viver em harmonia com a moral e a ética dominante. Este tipo de comportamento e atitude das pessoas e nas pessoas, me faz ser contrário a estas datas.

Estas datas, nos impõe um comportamento e nos impõe atitudes, nos impõe maneiras de ser, e maneiras de viver de forma que agir de acordo, demonstra conivência, hipocrisia, acomodação, ESTAR DOMINIDO, e agir ao contrário do proposto, tem lá suas consequencias.

No fim de tudo, o que se aprende é que, tais eventos, já tem um peso sobre nossas atitudes, e já não podemos mais agir livremente sem estar violando a regra imposta por tais eventos e datas.

A sociedade já está bitolada. Jà foi quase dominada por esta tendência, e isto me incomoda, ou seja, ser e estar dominado, estar escravizado por um costume, amestrado por um código de conduta imposto tão somente para me ocupar, para que eu tenha pequenas metas. Isto porque, passou o dia das mães, já começa um novo período: Dia dos Namorados, Festas juninas, Dia de Santo Antônio… etc. *

Texto em Cinza foi acrescentado no dia 10/05/2010

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Um comentário em “A obrigação de demonstrar

  1. Eu só gosto destas datas por dois motivos:

    1 – ganhar presente
    2 – dar presente
    e ponto !

    Eu não gosto por estes motivos e outros citados… he he he

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