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Este marido é meu!


Semana passada adentrei na intimidade de uma amiga. E fiquei surpreso em saber que ela ainda pratica algo tão antigo quanto o casamento moderno.

Ela é gerente de uma rede de loja da cidade. A cidade é pequena, assim, a rede de loja também é pequena, todavia, é ela a gerente de lá, e ela confessou:

– Quando eu preciso, eu roubo dinheiro na carteira de meu marido.

– É mesmo? E desde quando?

– Desde sempre! Mamãe fazia assim com papai. Eu faço também com ele. O dinheiro que tá na carteira é dele. Eu sou mulher dele, também é meu! – Justificou-se

Este comportamento, é comum neste nosso mundo,  cercado de tecnologias, cheio de mulheres inteligentes, independentes, bem sucedidas.

Sei que muitas colegas, leitoras e amigas pensarem que não, e recriminar tal ação. Mas, é assim que acontece.

Outra curiosidade que descobri conversando com ela, é a maneira “antiga” como ela trata o marido. Certamente, também herança do comportamento da mãe .

– Eu vasculho tudo dele. Carteira, orkut, MSN, bilhete no bolso, marca de batom.

Ela faz marcação forte e direta sobre ele.

– Homem é assim mesmo. E mulher também. Se eu pego “neguinha” rodeando ele, eu rodo a baiana, e até deixo ele de castigo. Faço “beicin“ de choro!

É curioso como “cada um é cada um” neste mundo. Ela age assim. Vez em quando vai passar uns dias na casa da mãe. Faz teatro. Demonstra irritação. Faz “briga”, …  faz tudo para manter o relacionamento. Age de forma emocional, passional, racional para chegar ao lugar onde estava.

As vezes é sério. As vezes encenação. As vezes usa a verdade, noutros casos, mente. Usa tudo que é lícito e ilicito. É democrática e ditadora. Mas, faz tudo para manter o marido dentro do seu cercado, e evitar a entrada de outra nos seus domínios.

– Sai prá lá, que este marido é meu!

São mulheres que foram ensinadas a ser responsáveis por seus maridos. Se eles lhes são infiéis, elas se irritam, e correm para fechar as brechas e acabar com os motivos que facilitaram a escapulida, e ou eleminar as razões que ele teve para ir atrás da sirigaita.  Por outro lado, se são elas quem vem atrás do homem dela, ai a coisa fica feio para aquela que pensou que poderia aproveitar-se dele, bem como, pensou que poderia engana-la tomando-lhe o marido.

– Mulher descarada eu pego pelo cabelo. Se não for assim, eu perco meu marido.

Este sentimento de posse, esta nomeclatura “meu marido” é levado a sério, e defendido de forma agressiva, e também passional, com todos os cuidados que mulheres do tempo de minha mãe tinham. Elas defende o seu direito de esposa como um traficante defende a boca de fumo.

O mundo mudou. As ciências evoluiram, mas, o relacionamento homem e mulher em muitos aspectos, em muitas regiões, muitas famílias, não mudou, e percebo, que nunca acabará.

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8 comentários em “Este marido é meu!

  1. Adão, passei para conhecer o blog e agradecer a mensagem no Coisas Banais. Este texto é muito legal. Realmente, existem maneiras que mãe passa para a filha, mesmo que não seja de caderninho e lápis na mão para apontar. É intuitivo! Faz-se como se viu fazer. No entanto, na idade adulta, já era tempo das pessoas terem “adultez”, ou seja, capacidade para reflectir sobre as suas acções. Cercar o marido é que nem tratar ele como um cavalo que temos de domesticar à força. Para mim, o sentido de um relação não é força, nem resistência, é Amor. Para outros, não é bem assim. Respeito. E continuo meu caminho. Obrigada pela sua partilha tão viva e clara.

  2. Obrigado pela visita.

    Kkkkkkkkkkkk, Amigo, tem muitos irmãos nossos que são mais extranhos que os vizinhos e muitos vizinhos mais irmãos que vizinhos… Quis chamar atenção para as pessoas que falam que gosta e destróem, ou seja: Na base de, “Quem ama não mata” quem é de Irecê ou gosta, não destrói. Grande abraço. Valeu a foto?

  3. Adão, eu não me encaixo nesse rótulo ai.

    Nunca fucei as coisas do meu marido e principalmente nunca roubei dinheiro dele, e também nunca achei que fosse meu, o que tenho de meu é a escova de dente, shampoo, sabonete, essas coisas…

    Até a minha bolsa que achava ser minha o ladrão veio e tomou….

    Beijos

  4. Pensei que não existisse mais este tipo de mulher, que tivesse sido enterrada com a minha avó. Coitada da tua amiga não tem tranquilidade em nenhum momento. A falta de confiança tira até o sono.
    Beijos no teu coração.

  5. Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata. (Nelson Rodrigues).

    Adão, não é o relacionamento homem e mulher que não mudou. Alguns seres humanos é que continuam previsiveis, repetitivos, nada interessantes.

    Beijos
    Bom domingo

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