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Nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer


O sistema ora é machista, ora é classista. E, a pressão ciclo-sócio-hormonal” é intensa. Muitas e muitos sofrem com esta pressão. Não importa de onde vem a sentença, o machismo sempre dá um jeito de aparecer e impor-se.k_utero-1

Eu denomino de “ciclo-sócio-hormonal”, este ciclo determinado pela ciência: NASCER, CRESCER, REPRODUZIR, ENVELHECER e MORRER.

Esta pressão e opressão é duro, insensível, desumana, cruento, para o gênero feminino.

Para as mulheres, o fato de não terem ao menos um filho, é visto, em muitos casos, como sinônimo de FRACASSO.

Esta incompletude além de cobrada, é também imposta com outras regras, em especial uma que diz: – Para se ter um filho, é preciso ter marido.

Alguns trastes podem nem prestam, mas, tem que ter aquele, amplamente divulgado como: “O pai do meu filho”.

Não importa o sucesso que ela tenha obtido nas ciências, nos estudos, nas finanças, na faculdade, no direito, na psicologia, na política, nos esportes, etc..

Não importa se ela é famosa, rica, poderosa. Passou de certa idade, continua solteira, não usou o aparelho REPRODUTOR, é vista com  reservas, e alguns comentários sórdido surgem nalgumas rodinhas de amigos, e também, fazem parte dos diversos comentários familiares.

As cobranças  sobre este item do ciclo humano é veemente. Na falta do mesmo, é como ter adquirido o rótulo e ou o diploma de INCOMPETENTE. As cobranças são tão populares, que, as próprias mulheres se colocam na posição. 

“… me dei conta de que eu era A solteira. A única que não fazia parte do contexto: separada, sem namorado, sem filhos, sem uma baita barriga de gravidez.
Ok, eu não sofri dessa vez, foi mais um catatonismo e um reconhecimento da minha condição. E sério, não sei o que dizer sobre esse assunto… só sei apenas que tudo o que pensei é que estava desencaixada, como se tudo em volta estivesse em outra rotação.” –
Acalma Alma Má.

O melhor testemunho que li sobre o assunto e copiei para o texto.

Aqui na cidade, já ouvi algumas reclamações de amigas que sofrem esta pressão hormonal uterina. Elas sofrem com a validade dos óvulos, e com a pressão social, a cobrança familiar, porém, se não casarem e tiverem um filho, são mal vistas, e difamadas. É como, se fossem inúteis à existência se não REPRODUZIREM, sem também seguir as regras sociais.

Algumas, só falta gritar:

– Eu quero REPRODUZIR.

Mas, porém, contudo, todavia, no entanto, para tal evento, e para não ficar mal na fita, eu preciso de um par. Necessito de um marido. Eu careço de alguém que me queira. Não existe um meio termo para elas: Ou abraçam tudo ou arca com todos os ônus.

Na linha descendente do ciclo, (Envelhecer e Morrer), deixa de existir a cobrança, e passa aos comentários depreciativos, acusadores e inquisidores. É como ter que olhar e conviver com a constante acusação:

  • Você não reproduziu;
  • Você entrou e saiu desta vida e não cumpriu o ciclo;
  • Você falhou;
  • Inútil;
  • Imprestável;
  • Incompetente.

O fato é que as cobranças existem. Não importa a situação. A idéia é a mesma: quem se casa, constituem família, REPRODUZ, ENVELHECE, e MORRE foi bem sucedida.

As solteiras, mesmo com todas as outras questões resolvidas, nada realizaram! O sistema funciona assim. Somos julgados, comparados, ainda somos condenados pela sentença antiga da ciência: Nascer, crescer, REPRODUZIR, envelhecer, morrer.

Pressão maior sobre as mulheres que aproximam da data de validade. Depois deste prazo,  sem o sucesso, sem a estabilidade, sem a economia suficiente para pagar um tratamento hormonal, restará a estas, envelhecer e morrer de forma ignominiosa, desonradas, oprobriosas, vergonhosa e comentada por vários familiares das mais diversas forma. Mesmo depois de morta, ainda se ouve no dia do velório:

– Morreu e não deixou um filho no mundo.

Só faltam criarem o epitáfio padrão para todas que assim fizeram como: “Aqui jaz uma que não reproduziu”

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10 comentários em “Nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer

  1. Esses dias recebi no e-mail do trabalho uma homenagem ao dia das mulheres de uma outra instituição em que a homenagem consistia em descrever o ciclo de vida das mulheres e fiquei muito indignado, porque a tal homenagem simplesmente descrevia o ápice da vida de uma mulher o momento em que ela tinha filhos.

    Não adianta, infelizmente, apesar de todas conquistas, a mulher está muito longe de ser vista por nós sociedade como um ser livre que não precisa necessariamente “servir ao mundo”.

  2. Eu tenho uma profunda revolta com esses padrões de conduta que a sociedade impôe a nós… pobres mortais.

    No namoro… uns perguntam:
    “Quando é o casório ?!?!”

    No casório… uns pergutam:
    “Quando vem o bebê ?!?!”

    Na concepção… uns perguntam:
    “Quando vem o outro… pra fechar o casal ?!?!”

    A sensação que tenho é que essa dita sociedade… fica torcendo que o tempo passe… e que passamos o mais rápidopossível por todas as etapas da vida… até a morte chegar.

    Até hoje se duas mulheres tomam uns chopinhos juntas numa mesa de bar… uns olham com certa saliência.

    Um mundo preconceituoso e pobre de espírito esse em que vivemos.

    Principalmente nas cidades do nosso Nordeste… onde a vida alheia é o jornal diário.

    As mulheres não são meras “parideiras” e podem optar… simplesmente optar “livremente”

    abraço.

  3. Gostei do artigo polêmico e muito oportuno, ser pai e mãe é uma responsabilidade muito grande, no início as emoções são divididas e mais pra adolescência as dores de cabeça e não pára mais… Penso que, é preciso o casal está bem afinado e produção independente eu acho um absurdo, assim como pai e mãe desnaturado, vejo a relação sexual como uma coisa muito bonita, séria, agradável e não pode ser feita com qualquer pessoa e nem de qualquer jeito e a reprodução então, colocar o fruto do amor no mundo, é muito mágico e indescritível. Enfim, parabéns pela brilhante idéia do tema.

  4. A pressão social existe sim, e é indiscutível! São papéis que se somos mulheres temos e se somos homens temos também. Agora a palavra fracasso eu acho injusta!
    Bem, eu honestamente acho que nem todo mundo nasceu para ser mãe, porém filhos fazem com que mulheres que insistem em não crescer e são egocentricas … Aprendam a viver! Veja que em nossa sociedade, o homem assume responsabilidades de ” homem” muito cedo, mulheres (algumas) penso que ainda estão descobrindo o que querem da vida com 35 anos! Não acho isso bonito de maneira nenhuma Adão, como detesto gente que diz que “tem espírito infantil”. Pessoas com espírito infantil, provavelmente não consigam resolver seus problemas.
    Nessa questão da reprodução, gosto do que Nietzche diz, pode soar machista… Mas algumas mulheres deveriam gerar filhos para desprender – se do seu próprio umbigo!
    Se eu pudesse eu tinha uns 7 filhos, porém a grana não permite! Tenho um natural e dois enteados… Acho que já está de bom tamanho!
    Sobre o que tu colocas de “que para se ter um filho é preciso ter marido”… Já vi gente falando isso, em parte concordo viu? Crianças precisam ao menos saber de onde vem… Ou que tudo seja bem claro para não afetar psicologicamente o indivíduo. Tipo, é produção independente… Fale que é… agora não diga que o pai morreu em acidente!
    Abraço

  5. Provocando? Tolerância? Eu, como mulher que já passou por trocentas cirurgias para salvar meu lado reprodutivo e que “casou” aos quarenta anos poderia muito bem me sentir ofendida por gente que pensa assim, tão bem descritas no teu texto. Mas não estou nem ai…jamais bato palma para maluco dançar.
    Tudo o que você escreveu, jamais é dito e psicologicamente exercido contra um homem. Ninguem nunca ousa dizer essas coisas para um homem, caso contrário leva um murro na cara. E você, como homem, deve saber disso. A mulher sofre muito mais com essas pressões.

    Nesse exato momento, uma amiga minha, está travada na cama, seus membros inferiores e posteriores estão sem coordenação, sua cabeça cai se ela mexer um pouco mais, ontem ela caiu no banheiro. Diagnostico: depressão. E ontem, minha mãe levou-a ao médico, e ela gritou, chorou e disse: não quero ser mãe, quero voltar a trabalhar, ter minha vida, quero minha vida de volta, não quero depender do meu marido, quero meus amigos de volta, quero gastar o que ganho a hora que eu quiser sem precisar fazer conta. Quem é minha amiga? Minha cunhada, minha linda e loira cunhada que largou uma brilhante carreira de advogada para cuidar da casa e investir em concurso. A pressão foi maior, a pressão dela mesma causada por uma sociedade besta que só vê a mulher como dona de casa e parideira. E que não está nem ai para os gritos sufocados dela.

    Nós tivemos que chamá-la para a realidade da forma mais crua possível, antes que ela se matasse de desespero. Nesse exato momento ela está fazendo fisioterapia para voltar a ter sua coordenação motora, ter sua vida de volta.
    Você acha que euzinha, que já passou o pão que o diabo amassou por causa de pressões diversas e conheço milhares de meninas que já sofreram também, vou dar importancia a gente assim?
    Não preciso ficar lendo em blogs para ver que existe gente assim, ou gente que pensa assim.
    Da forma como você descreveu o texto, independente das pressões sociais, é coisa do tempo da vovó – como bem disse Leticia.
    Não quis atingir ninguém diretamente em teu texo, estou falando da vida e como devemos reagir contra essas pessoas que nos minam o tempo todo, ou aprender a lidar com nossas próprias noias.

    Eu heim! Atira, mas me erra neguinho…

    PZ é metafora sonial.

  6. Adão, conheço mulheres realizadas profissionalmente, sem marido, sem filhos e felizes.
    Elas viajam, compram o que querem, fazem o que tem vontade e adoram a vida que tem. Não imaginam dividir o banheiro com ninguém e lidam muito bem com a história de não deixar herdeiros.
    Este modelo de mulher que descrevestes faz parte da geração de vovó. Beijos no teu coração.

    O foco não é a existência delas, mas, a pressão social e a opressão de imputar fracasso, por não ter filhos e famílias… a existência não nega a verdade de que elas sofrem pressão familiar e social.

  7. Que gente babaca! Jura que tem gente que pensa assim em pleno seculo XXI em relação a reprodução? Meu Deus! Esse tipo de pensamento, cobrança, é capaz de destruir uma vida. Se soubessem a força que essa negatividade tem numa mulher fragilizada, ficariam calados. Por isso que tem tanta gente no analista, tanto casamento desfeito, tanta criança infeliz.

    O engraçado é que a cobrança nunca é a mesma para os homens neh? Na pior das hipóteses se o cara é solteiro – é gay ou galinha. Se não tem filhos – é brocha. Mas duvido que ousem falar isso para um homem…não é mesmo Adão?

    Cobranças nunca são legais, principalmente as que fazemos a nós mesmos e que foram plantadas pelas sementes do mal. Mas temos que saber gerenciar tudo isso, pois tudo tem seu tempo certo de acontecer e um porque de não acontecer – a resposta vem com o tempo.

    Reprodução: Fator cervical, uterino, tubário, hormonal, peritoneal, endometriose, imonologico, variocele, azoopermia, cancêr, emocionais…entre outros tantos fatores que impedem um casal, ou uma mulher, ou um homem de reproduzir, de gerar uma criança; além do seu livre arbitrio de não querer ter um filho. E tem gente que não nasceu para a paternidade ou maternidade. Tem gente que não quer ter filhos para não perder sua liberdade ou colocar mais um para sofrer nesse mundo insano. E dai ? Alguém tá pagando a conta deles? Alguém vai estar segurando sua mão durante as seguidas injeções doloridas para estimulação do ovario? Ou pagar as contas do pré-natal, das fraldas? Não neh?? Então f…para esse tipo de gente.

    Estado civil: Solteiro, e dai? A pessoa tem que aproveitar essa fase para curtir a vida, conhecer gente nova, diferente, viajar, trabalhar, estudar, arriscar, se poupar, amar, desamar e estar pronto para dividir, a querer dividir. Não adianta ter alguém do lado para ficar cobrando e levando para ele o grande fardo da sua felicidade nas costas. Estado civil, não é pré-requisito de felicidade. Ser solteiro, estar solteiro é muito bom e não é vergonha. É uma fase gostosa de conhecimento, muito aprendizado, de se gostar, se curtir, se amar.

    Super interessante esse texto…mostra que com todos os recursos tecnologicos, de informação, de oportunidade as pessoas ainda vivem estagnadas e influenciadas nas opiniões dos outros.

    Uma pena ! Deixam de viver…, pois quem contaminou/influenciou está se divertindo e nem um pouquinho preocupado com você, com sua solteirice, com seu relógio biológico! Ele só queria colocar minhoca na tua cabeça e conseguiu.

    Bjs
    Fica com Deus.

    PS: a prometida era a fêmea (uma lady, toda charmosinha, delicada)…mas por sedex não poderia neh ?? E ela iria sofrer muito por transportadora. Num futuro, vai uma tartaruga tá?

    PS: Pô véio…nunca sonhei com Paulo Zulu. Dá licença? 🙂 🙂 Paulo Zulu pode…

    Primeiro, vou te avisar de que estás abusando de minha tolerancia… voce está provocando mesmo! Quanto a seu espanto de existir pessoas neste século assim, é só ler nos blogs que você percebe a existência e a verdade descrita no texto.

    Sobre PZ, eu digo que a vida é injusta, ao menos comigo foi!

  8. Adão,
    seu Eu não tivese filhos seria uma mulher infeliz. Se tivesse condições financeiras teria uns 10 filhos, não por que a sociedade cobra, mas porque eu adoro crianças. Ja minha irmã se tivesse filhos seria uma mulher infeliz.

    Tenho admiração por mulheres que defendem o seu direito de não reproduzir, boa parte das minhas amigas ja passaram dos 30 e não tem filhos, mas são mulheres que tem uma historia maravilhosa pra contar, mas a maioria não ve isso…

    Tem uma musica da Xuxa que eu acho linda, um trecho dela diz assim:
    “Não basta
    Trazer ao mundo
    Porque é obrigatório
    Ou porque faz parte
    Do matrimônio…”
    O restante da musica é a realidade de boa parte dos filhos de mulheres que se reproduzem pra prestar contas a sociedade.
    As que não tem filhos tem mais consciencia da maternidade do que aquelas que fazem de tudo pra engravidar e depois fazem dietas arriscadas na gestação pra não engordar, que depois do parto tomam remedios para o leite secar e não amamentar, que cometem absurdos e todos a volta perguntam, ” pra que teve filhos?”

    Vou dar uma olhadinha no post dela.

    Beijinhos

    Eu estaria em busca dos meus filhos. De fato, existem mulheres e pais que assim agem. A questão das amigas e de outras mulheres que optam por não terem filho não invalida a cobrança social, hormonal e também a pressão por terem que reproduzir. Hoje até ouvir a velha expressão:
    – Virou moça velha
    Tal frase, revela o preconceito social para com tais mulheres. Por outro lado, nossa sociedade está tão individualista que…

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