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O enfeitiçado!


Desde que aqui cheguei e conheci Gildásio Alencar  que ouço a história de sua vida.

– Aquele ali, – apontavam com o dedo – foi enfeitiçado por uma mulher que vivia na zona.

A família, por longos anos, destinava recursos e conselhos para que ele a deixasse. Entrentanto nenhum dos recursos e nenhum dos conselhos o movia da sua situação.

Ele tinha uma condição financeira satisfatória. Não era rico, mas, também não era miserável, exceto, nas questões emocionais, segundo a opinião dos familiares.

Sempre teve móveis, imóveis e automóveis. Sempre teve condição financeira suficiente para manter a família com todas as necessidades supridas, e, com certo conforto. Porém, ninguém da família aceitava o fato dele estar vivendo a tantos anos com tal mulher.

– Só pode ser feiçaria!

– Que homem é assim com uma mulher se não for por meio das coisas ruins da macumba?

– Não existe amor neste mundo que faça um homem, como era Gildásio, neste pastelão que ele se transformou.

As críticas e as teorias surgiam com maior força e zelo, quando ela resolvia abandoná-lo. Tal evento aconteceu muitas vezes.

– É só ele juntar um patrimoniozinho, e ela separa, pega a parte dela, vai gastar com os machos que ela sempre teve. Depois, quando ela gasta tudo, volta com a cara limpa, com o rabo mucho, e o pior? O besta aceita!  – Diziam e criticavam.

No ano dois mil, ela separou-se dele. Exigiu-lhe a metade de todos os bens adquiridos na última década. Ele vendeu a casa, os dois veículos, dois terrenos, e entregou-lhe a parte exigida.

Ela partiu no dia seguinte, e passou três meses em viagem. Voltou. Comprou uma pequena casa. E, chamou-o para morar com ela. Para angustia e desespero dos familiares, ele aceitou o convite.

A parte que lhe coube, ele comprou seis tarefas de terra, num lugar ermo. Construiu uma enorme casa. Alpendreou-a de todos os lados. Desde então, passou a viver por lá, e também, quando vinha à cidade, se arranchava na casa dela.

Depois de duas chuvas, quando ele conseguiu boas safras, ajeitou a casa, comprou novos móveis, automóveis e arrumou a sua propriedade rural, ela se achegou!

– Ai meu Deus. Já tá lá dentro! Vai tomar tudo de novo! – Disse a velha tia Zefinha.

Ficaram apreensivos. Seis meses depois, estranharam os fatos na Fazenda Renovada.

– Gildásio está andando com roupas novas. Voltou a usar botas de couro, camisa de linho e calças sociais.

– Tá acontecendo alguma coisa com Gildásio. Ele anda diferente, anda cheiroso, roupas novas. Tá sempre de cabelo cortado, barba feita. – Observou tia Zefinha!

– É que tio Gildásio, tá namorando a viúva do Tião Moleza. – Avisou a sobrinha Soninha!

– ÔÔÔÔÔ Glórias a Deus! O feitiço foi quebrado! E o feitiço dela só podia ser quebrado com um novo amor.

Ontem estavam na igreja! Estavam sentados no banco do meio e o padre, abençoava-os pela encomenda da missa em homenagem às trocas de alianças entre os noivos.


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5 comentários em “O enfeitiçado!

  1. Gildásio viveu o que queria viver!!!

    Feitiço????? É como muitos rotulam quando alguém resolve se lixar para o que os outros pensam.
    Muitas moças que não passaram por prostíbulos ao separar-se exigem a metade dos bens, isso não se deu por conta do passado dela, se deu por direitos adquiridos pela constituição.

    As pessoas preferem estar cercadas de pessoas que vivem de acordo com seus pensamentos, se alguém lhe desperta um ponto de interrogação sobre a vida, já incomoda.

    Será que Gildasio foi feliz??? Será que importou que apesar de tudo ele pode ter sido feliz????
    O feitiço acabou, ou ele se rendeu as regras de uma sociedade machista e hipócrita???

    Bjs

  2. Leticia levantou um ponto complementar….a opinião dos outros nas nossas vidas e o estrago que elas podem fazer com isso. Opiniam, se metem na nossa vida, tentam influenciar se mostrando boazinhas e preocupadas…mas são pragas, ervas daninhas. Pessoas assim são as àquelas que irradiam sentimentos negativos e positivos e que minam nossas vidas o tempo todo como gotas que caem incessamente na pia de madrugada e que nos despertam para a insônia.

    De qualquer forma Gildásio se libertou, dele mesmo.

    Beijão……

  3. Ai Adão… Não acredito em feitiço não kkkkkkkkkkkkk Só pq o cara se apaixonou por uma pessoa que levava uma vida não muito aceita pela sociedade (??? coloco ponto de interrogação entre parêntesis pq várias mulheres consideradas icones fazem exatamente a mesma coisa), ele foi enfeitiçado?
    Mas gostei do tom que tu usou… é um conto, e bem contado!
    Abraços

  4. Epê pê ô…mangalô 3 vezes…Xô Ebó Mal Despachado!

    Bem, não acredito em feitiçaria…mas acredito e muito em energias negativas e energias positivas, muitas vezes nem é proposital, mas tem gente que emana, irradia sentimentos nem tão positivos assim. São sempre do contra em tudo….e nunca é legal ficar perto de gente assim.

    Acredito que quando nos livramos de amarras, quaisquer que sejam, nossa vida tende a fluir com harmonia e paz, mas temos que estar dispostos a isso. As vezes culpamos os outros por nosso desequilibrio, mas acredito que a harmonia só depente tão somente de nós mesmos. O Gildásio só se libertou e encontrou o equilibrio, inclusive o emocional, quando ele se propôs a isso, quando ele estava liberto consigo mesmo…ele era o feiticeiro e feitiçaria de si próprio.

    Beijos no seu coração e boa semana para ti

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