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Lembranças de mães.


Neste dia das mães, é inevitável não lembrar de nossa mãe, ainda que ela seja de uma comunidade cristã que abomina estas datas comemorativas. Minha mãe pertence ao grupo religioso Testemunha de Jeová.

Nestes dias que antecederam e hoje, passou por minha cabeça,algumas lembranças que D. Maria Eulália, querendo ou não deixou de forma indelével na minha mente em formação.

Lembro-me de uma vez que ela me levou à feira. Em determinado momento, ela chegou numa banca para comprar alhos, cebolas e outros condimentos. Aproveitei que o dono da banca estava ocupado com o atendimento, e embolsei três cabeças de alho.

Quando saimos, fui todo contente, entregar-lhe o produto de “minha esperteza”. Ela olhou-me e perguntou como foi que eu tinha conseguido.

– Eu peguei quando ele não tava olhando. Não sou esperto?

– É verdade!

Demos umas voltas, e novamente, paramos na mesma banca. Eu corri para o outro lado. Ela ficou me olhando fixamente. Esperou a minha ação. E então, o dono da banca, me surpreendeu. Me segurou pelo braço, me sacudiu, me chamou de ladrãozinho descarado!

Eu olhava para minha mãe esperando socorro, e ela nada fez! Apenas, deixou-me sofrer as consequências de meus atos. Me borrei todo, e soube naquela época que minha mãe não compactuaria comigo em nenhum negócio desonesto. Nem adianta pedir a ela segredo por algo ilicito. Ela é do tipo que ai denunciar o próprio filho se for necessário.

Lembro-me que ao chegar em casa recebi o meu galardão: Uma surra de sinto de couro. Não me lembro, mas, tenho a impressão, que ela e o dono da banca agiram juntos para que eu jamais esquecesse aquele episódio.

Agradeço D. Maria Eulália pela lição ensinada!

Quando sair da casa de meus pais, eu tinha 16 anos. Fui morar e trabalhar numa pequena cidade do extremo sul da Bahia, chamada de Posto da Mata. Lá trabalhei e morei de 1986 até 1989, quando fui para o colégio interno, estudar teologia.

Depois disto, tive várias mães adotivas. E lembro-me e faço ao menos duas ou três linhas a estas mulheres maravilhosas que ajudaram e participaram de minha jornada.

A mãe do Capoeiruçu.

Quando fui fazer vestibular para teologia, hospedei-me na casa de uma senhora na vila do capoeiruçu. O marido dela era carpinteiro, e ela cuidava de cada estudante como filho.

Betina:

Betina, é a esposa de Milton. Uma santa mulher que tive a oportunidade de morar na casa dela em 1989 por três meses. Ela era uma mulher sincera, amiga, zelosa. Tinha três filhos biológicos e uma criança que o marido pediu para uma senhora alcoolatra lá do bairro onde moravam em Belo Horizonte. Além é claro de ter me doado um creme que acabou com o meu chulé!

Dezuita.

Em Jacobina conheci Dezuita e sua família. Lá eu morei por mais de três anos. Tive namorada e apresentei-a como sogra. Sou considerado como filho. E considero-os como família.

Maria dos Passos

Na pequena e acolhedora Caldeirão Grande, tive a oportunidade de morar na casa de Maria dos Passos, por cerca de um ano. Além de cuidar dos filhos e marido, cuidava de mim, de tal maneira a criar ciúmes e até desentendimento, mas, tudo não passava de intriga de alguns que não aceitaram o tratamento exclusivo deles sendo doado tão altruisticamente a um desconhecido.

Diolina.

Aqui em Irecê, conheci e fui bem cuidado por Diolina Dourada. Uma senhora admirável. Forte. Digna de exmplo, e uma frase emblemática que o esposo falou sobre ela:

– Adão, o mundo anda tão complicado, que até Diolina, essa pureza de mulher, outro dia, desabafou dizendo que deveria haver algum meio de exterminar essas pessoas maus que comentem certos crimes.

Era mesmo de admirar!

Linda, a mãe do Lapão

Em 1993, conheci Linda. Não sei quem me tratava melhor como filho, se ela, ou se era a mãe de Linda. Eram duas mãezona para mim. Se preocupavam comigo. E até diziam que eu era o filho homem que eles queriam ter.

Há outras que merecem meus reconhecimentos. Fico com estas por enquanto, com o coração alegre de ter recebido destas criaturas divinas, atenção, dedicação, apoio, carinho e amor de mãe que são!

 


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5 comentários em “Lembranças de mães.

  1. Adão,
    esse tipo de lição não dá pra esquecer né?
    Eu não tive esse tipo de castigo, mas meu irmão.. Pior que eu e minha irmã iamos ajuda-lo a não ser castigado e sempre sobrava pra nós, até hoje não sei de onde minha mãe tirava tanta vara, teve uma epoca em que eu achava que em cima do guarda roupa tinha um pé de vara.
    Ter uma boa mãe é uma benção, ter tido varias durante a vida é mais que benção.

    Beijos

  2. Quanta mae prum homi so moço!!??

    O que voce modificou o layout primeiro que eu??

    So pra constar e nao pra contrariar, ficou lindo.
    Tipo assim, as letrinhas do favoritos estão minusculas, mas ficou leve, light, clean, muito legal.

    🙂 🙂

    Se bem que pro wordpress existem lindissimos templates…so acho complicado demais modificar-los.

  3. Bem feito. Merecida surra. Se fosse minha mãe ainda tinha te levado para a Delegacia para levar uma bronca do delegado.

    Acho barbaro mães que não passam a mão na cabeça dos filhos, independente da idade que tenham. Já pensou se sua mãe fosse romantizar o pequeno delito que fizestes? Assim como tantas outras mães que romantizam e são aquiescentes com o alcool, as drogas, os pequenos furtos? E ainda dizem: tadinho do meu filho, ele matou, ele estuprou, batia na mulher, mas ele era alcoolatra…tadinho! É claro que ela não vai evitar os descaminhos que o filho pode seguir, mas nao deve jamais deixar de passar bons valores para ele. E muitas mães abandonam, desistem de seus filhos no meio do caminho. Ainda bem que vc teve uma Dona Eulália na sua vida, tenho certeza de que ela se orgulha muito de você.

    Sou super suspeita em falar de mamãe, pois sou fã. Ri muito dessa tua surra, pois por aqui meu irmão passou por poucas e boas com ela. Cada história, cada lembrança que só me faz rir.

    Uma vez, em uma viagem que fiz ao interior de SP, fui obrigada a parar num posto da PRF e pedir informações, acho que foi em Aparecida. Durante o papo com o inspetor comentei que minha mãe era guia de turismo e fazia semanalmente excursões de compras para SP e interior de SP. Na hora, ele gritou: Gente…esta aqui é a filha da Severina. Menina, tua mãe é uma figura, adora nos enrolar e só vive reclamando quando paramos o ônibus dela. Que mico! Resumindo: fui ao meu destino muito bem monitorada pelos caras da PRF que passaram rádio para todos os postos que estariam no meu caminho, avisando que a filha da Severina estava na estrada e fornecendo os dados do veículo. E ainda cheguei no destino e liguei para os caras e avisei que havia transcorrido tudo bem na viagem.

    Meu irmão aprontava muito na infância e adolescência dele. Na infância um fato muito hilário foi quando ela pegou-o pelo braço e levou na Delegacia. Acusação: apertar interfones no bairro. Acho que ele nunca esqueceu a bronca que o Delegado deu nele. 🙂 Na época do serviço militar, quando ele fazia parte da brigada paraquedista, meu irmão passou 1 semana sumido por causa de uma garota “Maria Batalhão” que morava nos cafundós de algum lugar, tipo um lugar muito esquisito naquela época, meio roça, meio morro…sei lá…até hoje ela fala daquele lugar com desprezo, com nojo. Ele tinha 18 e a menina uns 17. Minha mãe descobriu o endereço da garota, foi na casa dela, deu uma surra nela, deu outra surra nele e ainda ligou para o quartel, disse que tinha encontrado-o e mandou os caras irem prendê-lo. Ele saiu de dias de sexo e prazer e foi direto para a cana de 15 dias no quartel. No dia da formatura dele, o comandante falou desse episódio em plena cerimônia e fez uma bela homenagem para ela.

    Temos a mesma idade Adão e enquanto vc estava saindo de casa aos 16 anos, eu estava levando uma surra com os mesmos 16 anos quando fui ao baile de carnaval e cheguei em casa depois das 22:00 horas. Depois dessa? Até hoje ligo para ela e aviso por onde ando, e com quem estou. Descobri que era muito mais que rigidez na educação e com horários determinados, era preocupação. E não importa a idade que tenhas, ela sempre se preocupará com você. E nunca faço uma viagem sem passar na casa dela e dar um beijo nela para me despedir, ligar no meio do caminho, chegar ao destino e dar o telefone da pousada/hotel. Pedir a benção pelo telefone ou pessoalmente é um ritual que tenho diariamente até o dia que Deus nos separar.

    E eu também tive várias outras mães no meu caminho durante a minha vida. Principalmente quando fui morar sozinha em São Paulo e em Recife. Ótimas vizinhas que souberam cuidar e zelar de mim como se minha mãe fossem. Vizinhas maravilhosas, mães emprestadas e inesquecíveis.

    Beijos Adãozinho
    Boa semana para ti….
    Lindas e boas recordações que tive com teu textinho
    ++++ Beijinhos no seu coração

    PS: Semana que vem mando tuas paradas, esta semana estarei dividindo meu tempo entre SP/RJ, vou ajudá-la nas excursões que ela anda meio gripadinha.

  4. Adão:

    “Deus” não podia estar em todas as partes
    ao mesmo tempo e por isso criou às mães…

    Que bom que você encontrou tantas mães em sua vida.
    Acredito que as janelas se abrem e somos sempre ajudados,
    até nos momentos que pensamos que estamos sozinhos.
    E não existe “porta maior” para felicidade,
    que o amor e a dedicação de uma mãe.
    Mãe não é simplesmente aquela que gera
    mas aquela que nos acolhe com amor.

    Deixo aqui um abraço carinhoso com todo o meu respeito
    e uns versos de Vinicius de Moraes:

    “Minha mãe”

    Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
    Tenho medo da vida, minha mãe.
    Canta a doce cantiga que cantavas
    Quando eu corria doido ao teu regaço
    Com medo dos fantasmas do telhado.
    Nina o meu sono cheio de inquietude
    Batendo de levinho no meu braço
    Que estou com muito medo, minha mãe.
    Repousa a luz amiga dos teus olhos
    Nos meus olhos sem luz e sem repouso
    Dize à dor que me espera eternamente
    Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
    Do meu ser que não quer e que não pode
    Dá-me um beijo na fronte dolorida
    Que ela arde de febre, minha mãe.

    Aninha-me em teu colo como outrora
    Dize-me bem baixo assim: – Filho, não temas
    Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
    Dorme. Os que de há muito te esperavam
    Cansados já se foram para longe.
    Perto de ti está tua mãezinha
    Teu irmão, que o estudo adormeceu
    Tuas irmãs pisando de levinho
    Para não despertar o sono teu.
    Dorme, meu filho, dorme no meu peito
    Sonha a felicidade. Velo eu.

    Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
    Me apavora a renúncia.
    Dize que eu fique
    Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
    Afugenta este espaço que me prende
    Afugenta o infinito que me chama
    Que eu estou com muito medo, minha mãe

    Vinicius de Moraes
    (1913-1980)

    in “O caminho para a distância
    “in “Poesia completa e prosa: “O sentimento do sublime”

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