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Paciente e injustiçado!


As vezes saber algo, é determinante nos rumos que damos à nossa existência. O conhecimento nos concede poderes incríveis. Nos impulsiona, e muitas vezes impede-nos. É sobre isto que desejo escrever-vos.

– Mãe! – Chamou ao entrar na porta da velha casa – E foi direto para a cozinha onde D. Maria estava, como sempre!

– O que foi filho? – Perguntou aquela senhora, identificando certa tensão na flexão e tonalidade da voz do filho.

– A mulher foi no médico hoje, e agora, tá me dizendo que o Doutor Urias, disse pra ela, que a doença dela é “doença de rua” – (A expressão: Doença de Rua, é uma designação genérica e comum no interior para designar a maioria das Doenças Sexualmente Transmissiveis.)

Ela olhou o filho e procurou apaziguar aquela alma, que já bandeava para o lado do desespero. A desconfiança uma vez gerada numa mente qualquer, é capaz de estragar o mais lindo os sentimentos, que é o amor.

– Eu gosto tanto dela mãe! – Disse-lhe com a voz chorosa e triste! E, só então, com esta declaração, é que ela entendeu a gravidade da situação. Ele estava desconfiando da esposa. Por outro lado, a esposa desconfiava dele.

D. Maria, contou-lhe a história de uma vizinha e disse-lhe:

– Não faça a besteira que Clarino e Amélia fizeram da vida deles! Amélia foi ao médico, e o doutor lá do hospital regional,  disse que ela estava com “doença de rua”, e desde aquela época, ela nunca mais “se deitou” com ele. Sempre dizia que estava doente.

Depois de 14 anos, ele descobriu, que ela não se deitava com ele, por causa disso. Chegou em casa, arrumou as poucas coisas que tinha, e foi-se embora, saiu só com a roupa do corpo e alguns objetos pessoais.

O Clarino viveu 14 anos, esperando ela sarar das doençadas, mas, no dia em que descobriu que ela não se deitava com ele, porque pensava que foi ele quem trouxe doenças para ela, ele perdeu o carinho e o afeto por ela. Deixou de confiar, porque ela não confiou nele. Viveu estes anos todos mentindo pra ele.

O pior, da história deles, é que quando ele soube a verdade, sobre o porque dela não se deitar com ele, foi a vez dele desconfiar dela, pois, se ela pegou “doença de rua”, e não foi ele quem trouxe, como foi que ela pegou a doença? Foi assim que o casamento deles teve inicio, não teve meio e chegou ao fim.

Amélia, depois disso, entrou numa tristeza e morreu! Ela soube, que ele nunca teve outra mulher na vida, e estava ali, todo aquele tempo esperando ela sarar.

Na manhã seguinte, D. Maria levou a nora ao médico, pediu um outro exame. Apresentou os exames ao filho, e encaminhou a um médico que também era farmacêutico, além de ser amigo da família. Este, disse ao filho de D. Maria:

– Esta secreção branca e mucosa, que você está vendo aqui, é típico em mulheres e também nalguns homens. Há em jovens virgens e ou em mulheres que não tem uma vida sexual ativa.

Em seguinda a esta breve explicação, na tampa da cara, perguntou-lhe:

– Você está desconfiado de sua esposa? – Demonstrando intimidade, e também, carinho por aquele jovem, que desde criança viu crescer.

– Estou! – Disse ele.

Estando com os exames em mãos apresentou algumas fotos, e ele assentiu com a cabeça, ser algo parecido com que estava nas partes intimas da esposa. E o farmacêutico explicou-lhe:

– Este tipo de doença é causada por diferentes germes que provocam corrimento branco-amarelado ou acinzentado, coceira, dor durante a relação sexual, ardor e odor ativo.

Na maioria das vezes, os parceiros sexuais não apresentam sintomas, mas podem estarem com estes germes. Por isso, O Remédio que vou passar pra ela, é o mesmo que você vai tomar. Uma caixa pra você, outra pra ela. Voces vão tomar por 15 dias, e refazer os exames.  E nada de triscar nela neste período de tratamento.

E concluiu dizendo:

– Muitos desses germes, no entanto não são necessariamente uma “doença de rua” (DST) e podem representar apenas uma alteração vaginal. Vá pra sua casa, converse com sua esposa, e não faça besteira!

É muito bom saber, ao menos, para se continuar iludido e crendo. Manter a mente livre e liberta. Mas, que é de se suspeitar, isto é!!

Ele ainda foi conversar com o pai. Explicou a situação ao velho pai e senhor, que vivia de um parco salário da aposentadoria do INSS. E este, disse com ar de rabugisse:

– Não sei como é que essa mulher pôde ter botado chifre em você, ela não sai dessa casa, vive trancada ai dentro com essa criança. Ninguém entra. Nós só vemos a cara dessa mulher aqui no passeio da casa quando você está aqui. Eu passo o dia inteiro aqui sentado nesse banco. Quando saio pra almoçar é a hora que você já chegou. – Fez uma breve pausa cuspiu e concluiu o raciocinio.

– Só se ela for muito descarada, e o safado tem a chave da casa, chega de madrugada quando você está dormindo e se esconde dentro da casa, e sai quando voces vão dormir – Teoriozou o velho rabugento, espalhando cizania, desconfiança e dúvidas.

E, por via das dúvidas, todas as manhãs ele passou a olhar debaixo da cama, e antes de dormir conferia a casa se estava fechada, e também se não havia alguém escondido na casa.

O conhecimento serve para o bem e também para o mal, desde o inicio foi, e ainda é assim!

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9 comentários em “Paciente e injustiçado!

  1. Olá! Tens certeza de que esse pai não está interessado na nora? Mesmo com todas as explicações, ele ainda ficou desconfiado? Bem, tudo depende da educação e informação de cada pessoa teve. Cuidada na mulher. Um abraço.

    Parece que não Cármen. Nunca soube de nada!

  2. O texto mostra a mulher dividida nos dois vértices impostos pelo sistema : A pura e a puta. A pura na cozinha onde sempre esteve e a puta traindo o santo e devotado marido. Um dia … Deixa prá lá…

    Mas, ela não traia... o caso, foi apenas, e tão somente dessas coisas que acontece com mulheres e homens. Mas, ambos eram inocentes da acusação do médico. Mais tarde o médico, sofreu um processo por parte de um outro casal que tiveram problemas com os diagnósticos dele.

  3. Adão,
    ainda existem mulheres sexualmente ativas que não vão ao ginecologista preventivamente, acham que la é so quando resolverem ter filhos.
    Muitos casais desconhecem problemas serios causados por pequenas infecções mal tratadas, falta de higiene antes, durante e depois do sexo e por ai vai….
    Mas o cara é tosco mesmo, o pai foi justificar a confiança que tinha na nora e causou uma desconfiança…. E o outro que esperou 14 anos???? Esse tinha culpa…. só é sexualmente transmissivel, ou é um ou é outro…..

    Por isso digo sempre, camisinha dentro e fora do casamento, não é desconfiança é proteção!!!!

    Beijinhos

    Aquele que esperou 14 anos Sarah, esperou a mulher sarar, mas não sabia que era, das doenças que diziam que era ele o culpado... isso me admirou nele... passar 14 anos, sem saber a doença da mulher!

  4. Ir ao médico sempre não é mesmo??? Nada substitui um exame médico e exames clinicos. Ate mesmo uma baixa imunidade do organismo pode causar alguma alteração no corpo. E os homens também deveriam ir pelo menos 1 vez por ano ir no urologista fazer uma peniscopia.

    Qualquer mulher é propensa a ter essas coisinhas, não é a toa que hoje em dia existem as loções vaginais e justamente para manter o ph do local equilibrado. E toda mocinha quando vai no gineco a primeira vez é ensinado coisinhas tipo: como como usar o papel higienico, não usar muito calcinhas de lycra, nem roupinhas apertadas o tempo todo, manter aparados os pelos pubianos – essas coisa que se diz quando vai no gineco a primeira vez na vida (eu tinha 12 anos quando minha mãe me levou).

    Mas isso é normal…anormal é essa visão do casal. Acho que a mãe dele é muito mais informada e sábia do que o próprio casal.

    Enfim…
    beijos

    Tem homem que acha bonito mesmo, ser o rei do "pau de sebo" sem saber o perigo que existe... nalguns pontos é aceitável a conduta dos hebreus.

  5. É, Adão, o conhecimento se bem usado liberta. Por outro lado, pode aprisionar. Por isso, muitas vezes é bom não termos consciência do todo, pois existem muitas coisas que não entenderíamos e nos fariam mal.

    Ótimo texto.

    Abração!

    Nem sempre saber é poder!

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