Lembranças e Nostalgias · Relacionamentos, casamentos e contratos

medidas extremas


Don Corleone!Quando cheguei pra estas bandas, lá pros idos de 1990, conheci, lá na região de Jacobina um certo homem.

Naquele tempo, havia um burburinho no meio, a respeito dele. Diziam que outrora era “barra-pesada” e que tinha ligações com todo tipo de crime.

Passou-se muitos anos até que este certo homem e eu nos reencontrassemos. E ele, passado algum tempo, me inquiriu se não lembrava dele.

– Não! Não me lembro! De onde nos conhecemos?

Ele me explicou e eu relembrei a história, mas, mesmo assim, não consegui ter uma fisionomia passada na memória. Não importava muito, começamos outra amizade.

Certo dia, ele saiu de onde estavamos e foi seguindo o filho. Seguiu-o e depois retornou. Não demorou muito o jovem voltou triste e sentou-se na frente da televisão. Não disse uma palavra.

O comportamento dele estava estranho. E ele investigou diversos motivos. Drogas foi a primeira desconfiança. Passou a semana de tocaia. O rapaz estava estranho de fato. 

No sábado, assim que escureceu, ele chamou o filho e deu-lhe R$ 100,00 e disse que era para ele sair com a namorada no fim de semana. Entretanto, ele não quis o dinheiro e disse que o namoro havia terminado.

– Mas, cadê aquela paixão ardente? Aquele amor vigoroso que existia entre vocês?

– Acabou! – Limitou-se a dizer.

Na segunda-feira, ele foi para a escola do filho. E ficou de tocaia. Quando o sino tocou, o primeiro a sair foi o filho dele. Saiu correndo e olhava para trás em clara demonstração que estava sendo perseguido. E estava.

Eram quatro jovens. Não era mais fortes que ele. Mas, eram em maior número. Quando chegou em casa, ele cercou o filho. E ele abriu o jogo. Estava sendo perseguido. Fora obrigado a terminar o namoro, e tinha que ficar em casa sem sair, pois, se fosse surpreendido fora de casa, apanharia.

Assim ficou explicado todo o comportamento estranho. Na quarta-feira, ele saiu da casa dele, e ficou de tocaia na praça. Quando os quatro passavam, foram cercados por seis homens.

– Cala a boca e senta no chão! Quero ver quem de vocês é o mais valente agora. – Disse ele. E vou avisando. Já paguei pros cara ai, uma garrafa de cachaça e dei R$ 5,00 pra cada um para quebrar vocês. E já escolhi os ossos para ser quebrado. Agora vou apontar em quem.

Saiu então do lugar escuro, e apontou para cada um e dizia: Esse aqui é pra quebrar a perna porque ele gosta de jogar bola. Nesse quebra o braço, por que ele joga volei. Esse aqui, quebra uma costela, porque é o mais implicante, e aquele ali que é o mais novo é pra quebrar os dedos.

– Adão, a Bíblia diz que quando aceitamos Jesus, o velho homem morre, e é sepultado pelas águas do batismo.  Mas, o diabo manda umas “peças dessas” ficarem pulando sobre a lápide do sepulcro do velho homem, e se a tampa quebrar, vai sair de lá uma natureza que eu sempre agradeci a Deus, ter aprendido a controlar.

Passado alguns dias, encontrei um daqueles jovem com o braço engessado. Ele garantiu que foi uma queda, e o filho deste outro voltou a sair e renovou o namoro com a garota.

Vai saber!!

Me pergunto: Do que sou capaz de fazer por meus filhos?


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7 comentários em “medidas extremas

  1. isso aí, tem que dá pau! UHAHEe

    ha ha ha… Quando menino, eu não apanhava na rua, e ninguém me batia, porque não sabiam como eu me vingaria, então era melhor não baterem em mim. Apanhei poucas vezes, duas ou três, e fiz fama com as vinganças e reações.

  2. Oi Amoreco !!! Olha li muito rapidamente e vou fazer umas analogias bem loucas haja vista o adiantar da hora e o cansaço fisico e mental pós viagem.

    Uma vez minha defensora pública me disse: todos somos capazes de matar, poucos de estuprar.

    Sou contra a violência, mas não imagino outra reação tomada por “este” pai, que carrega na veia o velho e bom sangue nordestino que não leva desaforo para casa. Ainda bem que ele não levou a pexeira. Mas penso que é um instinto paternal falando mais alto.

    Mas como diz uma amiga minha: há pais e pais; há filhos e filhos.

    Então somente um pai ou uma mãe para responder sobre o caso concreto.

    Beijos meu querido
    Saudades.

    Matar? Eu tenho coragem? No calor da situação sim. Mas, prefiro esperar esfriar e planejar.

  3. Não sei se chamaria de medidas extremas….
    …..me agrada mais atitudes necessárias.

    Não sou a favor da violência, mas ficar com discursos morais vazios não resolvem nada. Muito pragmático esse pensamento? Talvez. Contudo, acredito que esses moços aprenderam que alguém aparentemente indefeso, pode ter consigo uma legião de defensores. Quem sabe se nós tivessemos mais esse sentimento de proteger uns aos outros, estariamos em melhores condições frente as diversidade de violência existente no mundo.

    abraços

    Não sou dos que deseja arrancar os dentes e olhos dos outros, mas, ficar fincando cruzes e rosas em praia também não é lá grandes coisas não!!

  4. Diz Daozin,

    O que voce é capaz de fazer por um filho?

    Eu os aceitei Julie. Aceitei-os como meus… acreditei na mãe que é a única que tem “absoluta” certeza da paternidade! rs rs

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