Ações da alma Humana

Eu olhei para ela. Ela olhou para mim.


– Ai, eu cheguei na esquina e dei de cara com ela. Eu olhei para ela, com o olhar firme e decidido. Ela olhou para mim. Esboçou um sorriso.

Assim Antônio, costumava contar aquela história de amor e paixão que ele vivia. Neste relato, entretanto, ele terminou melancolicamente com a frase: – E, nada mais aconteceu!È intrigante o mundo dos apaixonados. Nós sabiamos. Antônio sabia. A garota sabia. Todos sabiam que Antônio gostava dela, e que, ela gostava de Antônio, mas os dois nunca chegaram a namorar. Porque?

A resposta é mais simples do que se pensa. Ambos, sucumbiram ante a idéia de perfeição que fazia um do outro.

Para Antônio, ela era uma musa. Uma deusa entronizada.

Ela vivia na redoma de suas fantasias – Ela é linda demais para se interessar por mim. – dizia ele.

A idéia, o padrão de beleza que ele criou em sua mente, era personificada nela, e ele simplesmente, não podia possuir sua idéia. Neste caso, a beleza dela, causava nele, um sentimento de incapacidade. A beleza dela, inseriu entre eles um abismo que ele simplesmente não conseguia transpor, por mais que ouvisse dos colegas e amigos:

– Ela tá afim de você!

– Toín, a menina tá amarrada em você… vai dar mole?

Não houve resultado. Não achamos meio algum que demolisse tal complexo estabelecido por ele. Ela, segundo a opinião dele, era muito bonita, linda demais, para se interessar por ele.

 Neste caso, era ele, quem se inferiorizava ante a beleza superior e idealizada por ele. Se ela soubesse, ou tivesse uma leitura da situação, talvez desejasse até ser um pouco menos bela para poder estar com ele.

Ele negava a si mesmo o direito de possuir tal beleza. Na mente dele, apenas uma pessoa especial, apta, merecedor de tal beleza podia possuir. E essa pessoa, não poderia ser ele.

Quem sou eu?? – Indagava ele. As vezes até exclamava: – Quem me dera!

Esse complexo de inferioridade fez com que Antônio – ainda que soubesse dos sentimentos dela – jamais ousasse declarar seus sentimentos. Por outro lado, ela nutria bons sentimentos e arrastava-se por Antônio, mas o complexo dela, também contribuia para que os dois nunca tenha se relacionado.

O complexo dela, atingia-a no campo da desconfiança e do julgamento da personalidade de Antônio.

– Imagina se Toin, todo solto, e que já saiu com Andréia, toda fogosa, vai querer sair comigo, toda recatada e tímida. As vezes até repetia: Beleza não põe mesa!

Há muitos nos dias atuais que vivem assim. Vive se negando. Vive se inferiorizando. Criando idéias a respeito de outra pessoa que gostaria de namorar, de ter uma vida a dois, um casamento talvez. Isto porém não se realiza porque, não conseguem demolir uma idéia perfeita que fez da outra pessoa, ou da idéia de inferiorização de si.

Funciona desta maneira: Um homem olha para uma mulher e cria uma idéia dela. Esta idéia se torna tão poderosa em sua mente, que mesmo que um Anjo do céu, desça e o comunique que Deus quer que ele junte-se a ela, ele simplesmente recua, porque a idéia que ele tem dela, é mais forte do que a realidade. Eu denomino isto de Complexo de  Inferioridade Invertida (CII). Não sei se há uma outra denominação para tal evento. Sei que ele existe. 

É complexo porque pode ser notado de formas diferente e com muitos aspectos. É  inferioridade, porque leva-nos a faltar a confiaça em si próprio e em suas capacidades. Declaro que é invertida, porque na mairia dos casos, as pessoas envolvidas, tem uma idéia inversa de si, e de outra pessoa, ou seja, enquanto inferioriza a si, superioriza a outra e seus aspectos admirados.  Veja, que ele inverte de si para converter para o outro.

O CII, acontece quando, duas pessoas não se relacionam porque a idéia que eles tem um do outro, é um padrão elevado demais para si, ou seja, estas pessoas se inferiorizam, e supervaloriza o objeto de seu amor, e além disso, criam um campo de força tão forte sobre esta idéia, que é quase impossível destruir. Só com o tempo, se derruba tais idéias.

No campo filosofico se diz que a idéia de algo é mais fraco do que o algo real. Até se faz a seguinte observação: Você num certo dia queimou a mão. Inflamou. Doeu. E você sofre vários dias com a queimadura. Apartir deste dia, todas as vezes que você lembrar que queimou a mão você sentirar algum tipo de reação. Só que esta idéia que atualmente você tem da queimadura, não causa a dor que você sentiu no dia que você se queimou, porém, você sente algo na região queimada. Ou seja, a idéia tem menor intensidade do que o real.

O problema da idéia nos relacionamentos, é que algumas pessoas fazem uma idéia tão forte de certa pessoa, que acaba atrapalhando o conceito real da pessoa, ou seja, a idéia se tornou mais forte do que o real, a ponto de impedir que o real se concretize, porque eles simplesmente, se julgam, se condenem incapazes, inferiores ante a superiodade de suas idealizações falsas.

Deve-se descobri em ambos, meios de revelar as suas igualdades e similaridades. Quando eles se virem como iguais; quando eles se virem sem suas deificações talvez seja possível uni-los num relacionamento.

Porém, quando duas pessoas, separadas por idéias, conseguem vencer tais barreiras, nalguns casos, há uma forte tendência de o relacionamento se deterior rapidamente, porque, se um elemento tão poderoso foi quebrado, as demais realidades podem gerar uma fragilização neles, a ponto de chegarem a pensar: foi por isso que eu me apaixonei?

Há porém outros fatores, que impedem pessoas de se relacionarem, mesmo quando é sabido que há entre eles algum tipo de sentimento. Um segredo. Um impedimento pessoal. Timidez. Etc. Cada caso é um caso.

Não sou especialista nestes casos, sou apenas um pedante opinando.

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9 comentários em “Eu olhei para ela. Ela olhou para mim.

  1. Nossa, quem nunca passou por uma situação dessas heim…
    E isso é uma característica muito mais constante nas pessoas inseguras (como o meu caso, infelizmente).
    hahahaha

    Muito muito muito bom o seu texto, parabéns pelo blog!

    Bjãooo

  2. adorei, adorei, adorei. uma vez passei por um causo assim. e não deu em nada. outra vez passei pelo mesmo causo e acabou tão rápido porque ele não era nada do que eu idealizei. fogo né? mas é assim mesmo que acontece.
    Acho que com o tempo isso vai passando, porque vamos ficando mais adultos e perdendo esses medos bobos, além de encararmos a vida com outros olhos, esquecendo a idéia do principe encantado e encarando a realidade de que todos nós temos defeitos, e temos que saber conviver com eles.
    beijos!

  3. Bem, Adão nosso papo no msn foi produtivo. Só não sei se vc percebeu que a desafiada e a fonte de inspiração era eu mesma. Eu teria que falar sobre mim. Minha amiga me desafiou, medrei e vc entendeu ……… tudo se completa.

    Dificil falarmos de nós mesmos Adão. As vacas e novinhas entraram até em deprê após o ultimo texto da AP.

    No meu caso ouvir que a inteligencia da burralda aqui é a fonte de admiração e afastamento foi a gota d´agua. Eu? Inteligente? Desde quando? Mal sabe ele que só o fato de me fazer rir já me deixa feliz por toda vida. Acho que ele é burro sim, mas por não entender que preciso apenas de um lindo sorriso para me fazer feliz e dos carinhos e a atenção que só ele sabe me dispensar.

    Beijão Adão ……. nos completou !!! Os dois textos estão bárbaros

  4. Ai, Adão… Tive que dar uma voltinha pra pensar depois que li seu texto. Lindo. Perfeito!

    Sabe, ouvi recentemente de um cara que eu era demais pra ele. Muito bonita, muito legal, muito inteligente… e ele nem sabia que eu é que achava ele uma das pessoas mais legais, bonitas e inteligentes que eu conheci. Resultado? Ainda não teve resultado… continuamos nessa adoração mútua… CII… Acho que não vai adiante… empacamos nos nossos medos. Ele lá. Eu aqui. Que droga.

    Mas, quem sabe? Agora que li o que você escreveu… Quem sabe? Se a gente parar com essa adoração agora, se nos enxergamos como iguais… Sei lá. Depois eu conto.

    Ai, adorei. Vou voltar. Muitas vezes.

    Beth, linda, vc estava certa. O Adão entendeu tudo!

    Beijos!

  5. O pior, o mais do que linda ou feia é ele dizer: ela é muito inteligente para mim ai o amigo FDP diz: é…ela é inteligente. O amigo quis dizer, você é burro? Não…o amigo disse: nós somos burros – é um fomentando a CII do outro.

    Laudo psiquiatrico: CII elevado a 10ª potência – rs rs rs

    Jullie vai adorar esse teu texto. Vou ligar para Manaus agora. kkkkkkkkk

    beijos meu amigo querido.

  6. Ahhhhhhhhhhh
    Perfeito !!!!
    Vc, Wolverine….nossa!!! Arrebentaram. Acho que a mulher vive sempre na defesa quando se fala dos sentimentos masculinos, principalmente esses sentimentos de confusão e dúvidas no amor – sempre acham que o homem é um grande babaca, que está enrolando. Mas esses sentimento existem sim. Parabens Adão …….. foi maravilhoso te ler.
    É uma pena que esse endeusamento seja prejudicial aos que se amam – mas nada é por acaso – as vezes faz parte desse amadurecimento que a gente tanto busca e somente o tempo e a distância nos trazem.

    beijinhos ——- belo texto !!! Vou copiar seu link e mandar para minha amiga que me desafiou. Acho que ela vai gostar.

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