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As mulhers que choraram esta semana

19 jun

Esta semana que findou ontem encontrei três mulheres que choravam. O choro feminino por ter várias fontes. Invariavelmente muitas choram por sua desdita “situação amorosa”, o que para mim é uma grande antítese. Eu penso que o amor que sentimos por outra pessoa dói. E dói mais quando o objeto do amor age, reage e insiste em agir contrário a quantidade de amor que se envia a ele.  Pois bem, vamos a relação das mulheres que choravam e por quais motivos.

A primeira que chorava estava numa clinica médica. Estava lá oficialmente pode que havia quebrado o antebraço numa escorregadela doméstica. Oficiosamente, confessou-me que foi por ter batido de frente com seu companheiro, e na luta corpo-a-corpo ela levou a pior.

Sei que entre nós humanos, em todos os aspectos possíveis a serem analisados, NÃO EXISTE esta tal de IGUALDADE. Não somos iguais. E por isto, me incomoda a maneira violenta como nossa espécie quer sempre resolver as crises. E, invariavelmente, a violência é usada em casos extremos, ou não. Eu sei, e já usei de certa violência extrema, em pelo menos duas vezes. Não no meio conjugal, que penso, não deveria haver violência e sim sempre os embates diplomáticos, políticos, debates e resoluções de questões baseado na dialética, oratória, apologética (se é possível o uso do termo). Mas, nunca a violência entre os pares que se uniram prometendo se amarem, prometeram estarem juntos em situações adversas quaisquer que fossem.

Esta chorava por ter tentado bater no marido. E quis bater por que soube que ele estava com uma certa quenga pras bandas de um lugar de banho e encontros. Por conta da ação dele, ela, para se vingar, ajuntou com duas outras colegas e foram se insinuar para alguns homens em certo lugar, que sabe, geraria comentários e desaprovação do esposo. Realmente, o que falta a muitos de nós humanos, é um pouco de inteligência emocional. Afinal, qualquer tipo de violência, gera mais violência. Onde é que estas vinganças levam? A violência e destratos. Não prego esta subserviência feminina, nem masculina. Todos temos direitos iguais. Mas, se há este comportamento fora do prometito, é o suficiente para se, ou exigir mudanças, ou partir para outra. Simples assim!

Pois bem, a segunda mulher que chorava não quis comentar comigo do que se tratava. Mas, deixou claro se tratar de problemas com o trabalho. Os atritos entre humanos as vezes é inevitável. Somos diversos, heterógenos, e nalguns pontos, devemos obedecer as palavras do apóstolo: “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha queixa contra outrem.” (Colossenses 3.13). No ambiente de trabalho, é o ambiente perfeito para se aprender algumas lições. Uma delas, é que muitas vezes nós reclamamos de nossos pais, de nossos irmãos, mas, suportamos alguns gerentes, alguns chefes de setores, alguns colegas de trabalho muito mais pacientemente do que suportamos nossos familiares.

E, sim, aqui, por onde tenho andado, a vida de muitas pessoas, tanto faz se homem, se mulher, é muito ruim quando o assunto é o relacionamento funcionário X gerente, chefe ou patrão. Ambiente hostil, caótico, humilhante, desagradável, destruidor de qualquer doutrina e modo de vida zen.

Adiante!

A última que estava chorando … bem” … fui em parte culpado.

Se tem um estado em que admiro uma mulher, é quando ela está grávida. Eu paro e olho uma mulher grávida com prazer, satisfação e esperança. E se é tal mulher, é amiga… ai é quase tietagem. Mimo. Conversas. Perguntas diversas: tá fazendo o pré-natal? Como tá o bebê? Já tem um nome? Tá se alimentando bem? O pai tá animado? Tá recebendo atenção do papai da criança? O seu companheiro tá te ajudando? Já fez o enxoval, tá faltando algo? … etc.

Bem! Aconteceu que fui atender uma empresa e falei com as colegas todas. E a grávida não estava no alcance dos meus olhos. Não vi a criaturinha sentada lá no lugar de sempre. E, quando finalmente cheguei lá, ela estava chorando. Ai me preocupei. Fui lá perguntar o que havia acontecido.

- Eu pensei que você não vinha conversar comigo! Eu estava aqui pensando o que foi que eu fiz para você me esquecer, se toda vez que você vem aqui, você pergunta pelo meu bebê, como tá a barriga, se eu estou calma… – desandou a lamentar e lastimar sobre o ocorrido.

Soluçou! Limpou as lágrimas. E me sorriu!

Onde é que eu iria pensar e calcular o tamanho desta carência. Esta deficiência afetiva. Como poderia imaginar que um comportamento, uma atitude tão simples em perguntar pela gravidez dela, fizesse tanta falta. Mas tem explicação? Sim, claro que tem. Afinal quantas mulheres passam pelos 9 meses de gestação sem atenção, sem carinho, sem receber amor, afeto, abraços, beijos seja do companheiro ou familiares.

No final, tudo foi resolvido. Voltei lá na sexta-feira, e antes de fazer o serviço, fui lá na sala e fiz as perguntas de sempre, beijei-lhe carinhosamente a cabeça, elogiei a barriga, perguntei pela data prevista para o parto.

- Ah! vai demorar ainda! Será ainda em setembro. Obrigada!

Meus Deus, como são as mulheres! Tanta simplicidade e tanta complexidade ao mesmo tempo, num único ser!

Quando o amor vira dor e lamentação

13 dez

- Eu falei para ela não ir! Eu falei! Falei, falei. Repeti. Repeti. Ela não me ouviu!

Era só isto que ele falava. Só isto a repetir todo o dia do velório. Nada mais dizia. Era só esta lamentação. Muitos, inclusive eu, sair de lá com a certeza de que ele sentia uma dor muito mais forte pela desobediência dela do que pela morte da criança. E não demorou para estarem separados.

Passados mais de dez anos, ele ainda reclama da decisão da ex-companheira em ter insistido e ido contra a vontade dele naquela fatídica viagem.

- Se ela não tivesse ido, meu filho estaria vivo. – Ainda repete como se certos eventos pudessem ser evitados. Como se fosse possível antever, premunir tais tragédias.

De fato, há, em determinadas situações, ainda que existam várias explicações de especialistas, um momento que o amor que se sente por uma pessoas se transforma em dor. E isto se torna possível, por várias vias de acesso, uma delas é a culpa.

Este meu conhecido, por exemplo, por todos estes anos, ela, ainda é a culpada. Não importa quanto tempo passe. Não importa o que ela faça. Nada importa. Ele a culpa sempre. E, o amor que sentia a ela, transformou-se num gigantesco bloco de dor, rancor e finalmente o impede de olha-la de forma diferente, a não ser culpando-a, incriminando-a, como se ela mesma, já não a fizesse isto a si.

E o que aconteceu com eles, volta-e-meia, acontece com outras pessoas. Naquela época, ele queria que todos viajassem em janeiro, ela queria viajar em Dezembro para arrumar tudo para quando ele chegar apenas curtir.

Ninguém planeja uma tragédia. Ninguém coloca na lista de eventos um acidente. Afinal, quando tudo acontece normal e naturalmente, na maioria das vezes, nem se lembra que alguém planejou, executou tudo aquilo. Mas, basta existir algo fora do lugar para se procurar e encontrar um culpado, uma culpada. Foi o que aconteceu com eles.

Depois de longos meses de agonia, finalmente divorciaram. Não houve mais brigas, desavenças, ironias, piadas e insinuações. Acabou aquilo.

No entanto, o amor transformou-se em dor, ao ponto de, o nome dela ser sinônimo de pessoas erradas, desobedientes, e sobretudo amargura.

- Desde aquela época, todas as vezes que olho pra ela, eu me lembro do que eu disse naquele dia: Não vá na frente. Espere mais quinze dias, e todos iremos juntos.

Ela preferiu ir! Nunca saberemos para onde o outro caminho os levaria. Sabemos apenas este que ela resolveu percorrer, e que ele teve que adentrar pelas circunstâncias. Agora é tarde, todo o amor que ele sentia, todo o amor que eles exalavam, num só evento, ficou tão somente a dor, o remorso, e da parte dela a culpa, que também vive a repetir em tristes lamentações:

- Ò meu Deus, porque eu não esperei aqueles quinze dias! Por que?

Da parte de um, dor. Da parte do outro lamentação. Eles não vivem mais juntos. Não se odeiam, porém, não conseguem mais estarem juntos no mesmo lugar. Não é fácil a vida de certas pessoas!

Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte

7 set

Ela chegou antes das dez da manhã da última sexta-feira no escritório. Ao chegar na sala da supervisora assim se explicou:

- Eu vim pro modi quê um homi passô la in casa e dexô esse bileti que é pra eu vim aqui dá resposta pras pergunta do guverno.

Ao tomar conhecimento da situação em que a família daquela senhora vive, não de forma especial, aleatória, de vez em quando, não nada disso… como eles vivem todos os dias, e faz mais de dois anos no mesmo sofrimento, na mesma balada, na mesma velocidade, na mesma intensidade supervisora de área suspirou alto, encolheu os ombros e exclamou:

- Meu Deus, que vida é esta?

O que é sofrimento para mim? O que é sofrimento para você? Existem muitos que gostariam de ter o tipo de sofrimento que enfrentamos. Não de forma generalizada, não! De forma alguma.

Esta semana minha querida esposa estava chateada e reclamava da situação em que nos encontramos. Tomamos decisões calculadas, mas, porém, contudo, todavia, os próximos 40 dias não será nada fácil. Mas, ao final deles, haverá um certo período de bonança. Haverá bons ventos para nós todos. Então, os sofrimento de agora, é planejado, previsível, e até mensurável.

Já esta senhora e sua família não! Eles não planejaram nada do que lhes acontece. Eu, xereta como sempre, quis saber como foi que a vida deles chegou ao que está hoje. E assim ela resumiu:

- Quando essa minha filha tinha oito anos, ela viu o pai dela matar minha mãe com doze facadas.

- E porque ele fez isto com sua mãe?

- Por que… – fez uma pausa e concluiu – por que ele é gente ruim. Quando nós casamos minha mãe me prometeu uma casa. E, depois que ela não deu a casa, no tempo que ele queria, ele ficou com raiva e jurou que ia matar ela. Ai ele matou.

Ele não só matou a sogra, iniciou um evento catastrófico na vida da criança presente. Ela resistiu por doze anos. No ano do vigésimo aniversário a cobrança chegou. Ela perdeu o controle. Tornou-se instável. As vezes é violenta. As vezes é mansa. Nestes momentos só a mãe fica por perto. E, por este comportamento ela foi interrogada.

- A senhora não tem medo não? – Indagou a supervisora do setor.

- Medo eu tenho, mas, é medo dela se machucar e de machucar outras pessoas. Não de machucar eu! Isso não! Eu pari! Eu cuido dela. Eu tenho que ficar com ela sempre.

- Ela é sempre assim?

- Não senhora! Ela até é formada. Formou pra professora. Ela dá aula. Ela é carinhosa com as crianças, e ensina pra elas não seguir o caminho do mau. Agora ela alugou um lugar para ensinar as crianças. Ela adora as crianças?

- E não é perigoso ela ficar com as crianças?

- Até agora não! Ela diz que tem que proteger as crianças para nada de ruim acontecer com elas.

atlas

Olhando aquela mulher, a pele sobre os ossos. Os olhos negros. O cabelo lavado. A roupa limpa. E, me chega a pergunta:

- Como é que consegue suportar tamanha carga? Como é que não desaba com tamanho sofrimento?

Atlas nem imagina o peso que é suportado por tantas mulheres mundo a fora. Atlas na mitologia, segurava a Terra sobre seus ombros. Mas, mulheres como esta que conheci na última semana, carrega uma carga superior ao peso da matéria da Terra. Pode misturar tudo: água, terra, pedra, madeira, carne, minerais, … e nada se compara ao que mulheres como esta suporta em suas vidas.

Dores intensas sem ter um analgésico eficaz que lhes alivie tais dores. Dores terríveis que lhes aflige sem que encontre apoio no confessionário. Lá apenas se pode confessar pecados e faltas, não é lugar  para pedir ajuda e auxilio, tão somente confessar: pequei Senhor me perdoe!

- E como é que a senhora suporta esta vida criatura de Deus? – Indagou a supervisora.

- Deus ajuda a gente, não é?

Ao tempo que afirma, também indaga. Esta expressão final: “não é?”, indaga exatamente isto. Estou vivendo dia-após-dia, deve ser com a ajuda de Deus, você que olha de lá, não pensa que seja assim? Não é Deus quem ajuda a todos nós? É? Você crê que é Deus quem ajuda?

Quando eu cheguei em casa, refletindo sobre estas vidas eu chorei por todas elas. Fiz minhas indagações. Fiz minhas inquirições. E a semelhança do profeta indagador, permaneço indagando: 

Ó SENHOR Deus, até quando clamarei pedindo ajuda, e tu não me atenderás? Até quando gritarei: “Violência!”, e tu não nos salvarás? Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte.  Por isso, ninguém obedece à lei, e a justiça nunca vence. Os maus levam vantagem sobre os bons, e a justiça é torcida. – Habacuque 1:1-3

Tenho certeza de que não entendo tudo. Tenho certeza que me falta um pedaço grande para entender, como é que todas as forças do universo conspira para certas coisas, bem como, tudo coopera para o bem de todos.


O cheiro da cadeirante!

12 jul

Outro dia eu encontrei com Deus ali na oficina. Ele estava olhando para as estrelas assim como faço de vez em quando. Não me disse nada. Deduzi apenas que Ele estava me esperando. Não puxou conversa. Deduzi que Ele só veio ouvir-me. Desabei a falar e a perguntar, e dar pitaco na minha vida, na vida de pessoas próximas, e de outras pessoas próximas mas que moram longe daqui.

Ele olhava para mim as vezes sério. As vezes um econômico esticar de lábios com um sorriso preso. Eu então aproveitei para comentar as dores que eu sinto pelo mundo.

Falei de um pequeno ser. Tem dez anos. É a cara de meu filho menor. O rosto, os olhos, a boca, os dentes … tudo se parece com Pedro. Mas, ele é, como dizem: “especial”. Não fala, não anda. Não tem firmeza nas mãos. Não consegue segurar nada.

Eu conversei com a mãe dele! Perguntei sobre a idade mental dele. Se ele entendia. Se ele demonstra inteligência. Se demonstra questionar a situação.  Me perturba saber da existência de tais pessoas nestas situações. Ele demonstra querer usar o computador, demonstrar querer coisas. Mas, minha perturbação é maior: O que é que ele pensa? Ele sonha com o que? Pergunta pelo futuro? Pensa que algum dia será diferente.

Só de pensar nele e noutras pessoas assim, sinto vontade de chorar. Ele virou o rosto e apontou para o céu quando o céu foi riscado por um meteorito. Queimou. Sumiu o brilho. Será que era uma parabola? Um metafora? Não parei para pensar naquele instante, se era uma comparação com as situações que questionava, com a existência.

Eu apenas continuei a questionar. Só que era  sobre a maldade. O porque de muitos humanos quererem resolver tudo na base da violência e do poder de fogo, da tortura.  Porque homens matam mulheres depois que o relacionamento acaba? Para onde é que vai todo aquele amor de antes? Que reação fisiológica provoca e transforma a química do amor em elemento mortal tal qual o ódio, que os leva ao assassinato, a mutilação?

O que será de todos estes homens e mulheres violentos e que são armas e agências do ódio?

Não posso dizer que dialogamos. Ele olhava para mim, e eu via naquele olhar toda minha angustia. Percebia que Ele, a minha semelhança, ou eu a semelhança dEle, sentimos todas as dores do mundo. Ele, muito mais do que eu.  Não somos iguais, eu sei! Mas, enquanto estou ali conversando com Ele, me sinto como Ele.

Hoje, ao ir atender um cliente encontrei uma cadeirante. Ajudei-a a subir o degrau da farmácia de pelo menos 40 centímetros. Sai em seguida e fui comprar um fusível. Ao voltar, ainda estava ela me esperando para descer o degrau. A puxei e a trouxe até o nível da rua. Ao entrar, falei com as colegas:

- Que mulher cheirosa!

- Quem? Aquela da cadeira de rodas?

- Sim!

- Uai Adão e você foi ajudar ou foi cheirar a cadeirante?

Eu apenas sorrir! Hoje ao ir olhar o céu, penso que Ele, talvez não estará lá. Nem sempre Ele aparece. Mas, vou dizer-lhe que eu ainda sinto todas as dores do mundo. Choro por algumas delas. Agradeço por não ter ou estar noutras situações. Mas, já entendo a situação dEle, e de nós outros. A vida, por mais dolorosa que seja, ela traz esperança, ela gera fé, e produz amor. E isto, faz com que Ele e eu, bem como você possa viver cada dia como se fosse o último, e esperando que este último dia seja cada vez mais adiante.

Isto é a vida! Isto é viver. Isto é sentir todas as dores do mundo.

Modelos

26 out

A sociedade e as comunidades vivem e sobrevivem sob os modelos estabelecidos e transformados em padrões. As leis, regras, estatutos, diretrizes são estabelecidas e devem ser seguidas, sob a forte ameça das leis vigentes. Certas leis só existem nalgumas famílias.

Nunca me interessei em saber como certos modelos se tornaram tão popular, no entanto, há modelos que me custa aceita-los.  As vezes, nem é o modelo em si, mas, o mais intrigante, é saber como há pessoas que se adaptam e vivem dentro de certos modelos impostos, ou até escolhido de forma livre, outras vezes, nem é escolhido, foi ao longo da existência aceitado como normal e se questiona justamente o contrário: Como é que as pessoas não percebem que estamos certos?

Esta semana, fomos confrontados. Fomos pisoteados e até tentaram  enxovalhar-nos,  por não seguirmos alguns modelos e não somos adeptos de alguns outros rótulos por eles advogados e que já tentaram fazer-nos aderir, no entanto, sem eficácia.

A família se tornou enorme. E onde há pessoas, surgem comentário. Fofocas. Intrigas. Debates entre outros.

Nossa família, não tem lá muitas regras. Porém, não é desprovida destas, apenas, não são as mesmas regras e padrões ou modelo que você utiliza na sua.

Aqui há respeito, amor, gratidão e queremos que nossos filhos se tornem cidadãos críticos e responsáveis. Que saibam a diferença entre o certo e o errado. Saiba também, escolher no momento certo,  um ou outro. Mas, quando for, e se algum dia forem fazer algo errado, que o façam de forma certa!

Noutros lugares não é assim, (e todos tem o direito de escolher o modelo, o padão a ser adotado, e ressalvo também o nosso direito de tê-los.) Há as regras que os filhos devem seguir, e há punições severas para quem não as cumprem. Há nalguns modelo, um caminho obrigatório a seguir para se obter a recompensa final ou a decepção. Não há garantia alguma de que seguir este ou aquele modelo, mas, há uma clara evidência, de que há certas preferências. E isto é importante.

Temos tido alguns problemas. Os problemas tem aflorado quando alguns filhos criados noutro modelo, vem gradativamente, migrando para nossa casa e modelo. Tem havido uma guerra fria da parte de lá para com os de cá. E somos acusados de aliciadores, desvirtuadores. Porém, a acusação se auto-destroi, quando os filhos e netos dizem: “Não se meta mais na minha vida, eu posso ir e vir, já sou maior!!!”

Temos sofrido algumas acusações. E, como, não houve reação agressiva de nossa parte, nem uma rejeição por estes que nos achegam, vieram esta semana nos atacar.

O ataque foi frontal e violento.

A “verborreia” atingiu nossa moral e nosso ego. Porém, não ficamos abalados. Ficamos tristes porque há pessoas que se irritam quando são rejeitados, quando se descobrem falidos quanto a seus modos e maneiras de viver, e que eles pensavam, que eram os únicos e talvez os últimos bastiões de todas as famílias tradicionais.

Nunca os convidamos a virem pra cá. Eles optaram. Eles desejaram virem pra cá. Alguns pensam que é porque temos condições financeiras e oferecemos o que eles não tem. Entretanto, não é verdade. Não somos ricos. Não temos dinheiro em banco. Não temos recursos finaceiros excedentes. É muito pelo contrário. As vezes estamos como disse uma amiga: “As pessoas pensam que estamos ricos, porque compramos um carro novo financiado, e eu comprei um notebook de três mil reais; mas, tem dia que vamos comer acarajé na barraca de mamãe, porque lá em casa não tem o que comer”

Nos investigaram para saber então o que é que há aqui, que os filhos e netos deles gostam de estar aqui, e ficaram furiosos, porque não eram os bens materiais que eles procuravam, eram tão somente o ambiente.

Decepcionaram-se. Porque pensavam que podiam reproduzir o ambiente. Compraram TV grande. Aparelho de som potente. Novos móveis. E tudo que não temos por aqui, e mesmo assim, não os atrairam. Agora estão nos atacando violentamente, moral, ética, social e fisicamente.

O que eles tem descoberto é que à medida em que estes jovens vão crescendo e adquirindo certos conhecimentos, tem deixado de lado este modelo em que eles dão presentes em troca de submissão, respeito, amor e outras atitudes. (Leiam este post da Julie)

Fazem de tudo para que os filhos, netos e sobrinhos os amem. E este amor deve ser em retribuição aos muitos presentes e tudo mais que fazem por eles. Estes jovens tem se sentido comprados, e até vendidos. E desprezam este tipo de amor, este modelo e padrão aqui presente.

 Já o citei esta semana, mas, serei obrigado a fazê-lo novamente:
Pra estes a música do Frejat e Cazuza (Blues da Piedade):

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia


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