Ela elogiava o marido e dizia não haver homem melhor neste mundo. Dizia que não havia acontecido melhor coisa em sua vida, o fato de ter encontrado este homem. Cuidava dele tal qual certas pessoas cuidam de seus pets.
Por outro lado criticava a mim e minha esposa por dizermos: Não casamos para ser feliz, nem casamos por amor, nem por causa do sexo.
Nunca soube entender nossa posição em relação ao que se diz, e o que se propaga sobre os relacionamentos baseados no amor, na busca pela felicidade, e todos aqueles que se vangloriam de fazerem sexo três vezes ao dia, nos últimos vinte anos. Não é por nada não, apenas desconfiamos de certos testemunhos, e não cremos, nalguns tipos de amor, nem na felicidade que se dizem ter alcançado depois de casados.
Pois bem, aquela amiga que era só elogio para com aquele homem, hoje é uma mulher divorciada. E todo o amor, toda a felicidade, todo aquele cenário paradisíaco pintado desmanchou-se apenas num só evento, num só momento.
A contabilidade, a administração dele a frente de uma ONG foi contestada numa reunião. Dentro de casa, entre as quatro paredes, ela já havia questionado, e também, já havia se pronunciado contrária aos métodos, e as decisões administrativas, os fatos e atos administrativos dele. Em momento algum a honestidade dele foi questionada. Não era desonesto, era apenas um mau administrador. As dívidas contraídas, as faturas vencidas, o descontrole fiscal, a falta de investimento, a falta de aplicação dos recursos angariados, as prioridades. Esta era a realidade.
No entanto, na reunião fiscal, ela falou que ele não ouvia conselhos, nem tão pouco sabia lidar com dinheiro e administrar a ONG. O fato dela, na reunião, ter ficado do lado da diretoria, foi suficientemente forte para matar o amor, a cumplicidade. Foi capaz de exterminar a felicidade. Foi o algoz de uma vida sexual constante. Não houve amor, felicidade e prazer suficiente para superar uma opinião contrária.
Eu continuo com a opinião que o amor, a felicidade e a quantidade de sexo, ainda que contributiva, não sustenta um relacionamento pra sempre. Há variáveis que se ignoram. Eu prefiro a minha vida prática a teoria do casamento feliz. Eu prefiro o contrato de compromisso, e a palavra empenhada às juras de felicidade eterna. Eu prefiro o cuidado e a atenção.
Não há nada de errado com o amor, nem com a felicidade, nem com o sexo, exceto, as teorias que se criaram com estes elementos juntos.


Corpos e Almas