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Em defesa dos pais inocentes!

1 ago

Na manhã de ontem, o último dia do mês de julho, eu estava na sala calçando os sapatos enquanto minha esposa assistia TV, pois, esperava o início da transmissão dos jogos olímpicos; passava na TV do bispo um telejornal. Só vi apresentadora; e uma delas depois da reportagem da prisão da “gangue dos playboys em São Paulo” ela exclamou:

- Isto é culpa dos pais!

Não é ipsis litteris. Mas, é esta a ideia explicitada: estes jovens escolheram assaltar, sequestrar, serem foras da lei, única e exclusivamente por culpa de seus pais.

Bem! Eu tenho outra opinião. E já expressei no texto anterior, bem como, sei que, os caminhos que os filhos seguem, não são frutos de má educação, não são gerados por que seus pais faltaram com suas obrigações, por que os pais agiram assim e não daquela outra forma. Por que os pais foram frouxos e também por que os pais foram rígidos, também é listado como elemento motivador; revolta por falta de condições sociais; insatisfação com o sistema político; impunidade;

Não é nada simples dizer o que leva certos jovens a agirem e decidirem para o crime. Certamente, os pais, não são os únicos e exclusivos culpados das decisões deles. Eu observo com descrédito estas críticas em que se generaliza qualquer posição. Esta por exemplo, de que, somos nós, os pais, únicos responsáveis por estes desvios é uma delas.

Esforço e trabalho arduamente para fazer com que meus filhos cresçam e saibam decidir pelos valores morais, éticos, políticos, filosóficos, educacionais e outros seguimentos. Outras decisões é de responsabilidades deles, mas, nem por isto, ficam sem minha opinião. Exemplos: se querem ou não seguir uma religião; se namoram ou não; se vão à igreja; se torcem ou não para o São Paulo, Flamengo, Fluminense ou Cruzeiro.

Veja que estou entranhado nas vidas de meus filhos. E sei da influência que exerço sobre cada um deles. Sei que o exemplo de moral, ética e de valores, eu, a mãe, os avós e os tios temos dados. Certamente não será por faltar-lhe exemplos, palavras, acompanhamento, escola, incentivos, proximidade, e outras coisas a serem listadas, contrárias às más condutas, que poderão dizer que seguiram o caminho do crime, da marginalidade, dos crimes, e da desordem. Se seguirem e tomarem tais caminhos, já sabem qual é minha posição sobre o assunto. Se inocentes forem, ajudo-os. Se culpados, espero-os depois de pagarem o que a justiça lhes exigirem.

Tenho certeza que os pais destes jovens rotulados de “A Gang dos Playboys” não são todos e totalmente culpados pelos crimes que os tais cometeram. Sei que existem pais que acobertam, facilitam, protegem, e até vivem de produtos que são frutos de roubo, e de outros ilícitos, mas, isto não é razão suficiente para ajuntarem-nos nesta generalização. Na vida temos que escolher. A vida é feita de decisões.  E cumpre a nós pais, orientar, ajudar, educar, auxiliar nossos filhos a serem aptos a escolher sempre o bom caminho, e decidir a favor dos bons valores tais como: honestidade, legalidade, moralidade, eticidade, espiritualidade, cordialidade, santidade, impessoalidade. etc.

- Todo bandido! Todos os atos criminosos; Todas as coisas erradas que os filhos cometem sejam frutos dos erros apenas e tão somente dos pais!

Existem pais culpados! Sabemos que existem. Mas, dizer que a “Gang dos Playboys” é culpa dos pais? Isto não! Não estamos todos neste bolo, nem neste saco! E por último. Não creio muito nas ideias, conselhos e opiniões de pessoas que sem nunca terem tido filhos, terem criados, ajudados, educados, se instalam como superiores e sabedores do que nunca fizeram.

É como digo para uma parente próxima: você nunca gestou. Você nunca criou. Você nunca se envolveu. Nunca resolveu nada nestas questões. Mas, é a primeira pessoa da família a opinar sobre a educação e as condições ideais para educar estas crianças. Faz assim: tenha os seus!

Os pais e a insegurança emocional com os filhos

6 abr

Quando eu era criança, antes das Diretas Já!, antes do fim do regime Militar, as músicas que faziam sucesso tinham outros estilos. Erámos um país mais caipira, inclusive no estilo musical. Haviam músicas de faroeste com balas ricocheteando, bandido morto em duelo, preso pelo delegado sabido. Haviam músicas com histórias alegres e tristes. Muitos se lembram do Menino da porteira e o boi sem coração. A mamãezinha querida daquele outro gaúcho. E por ai vai.

Pois bem! Havia vários discos em casa. De Jackson do Pandeiro, The Police, Duran Duran, Caetano Veloso, etc. Havia um disco de uma dupla caipira que narrava a história de um pai pobre, analfabeto, trabalhador e esforçado ao ponto de formar o filho doutor, e no dia da formatura o referido filho envergonhado do pai, finge não conhecer. Até foi tema da novela da Griselda, mas, isto é coisa antiga.

Meu pai tinha este medo. D´eu, depois de terminado os estudos, sentir vergonha dele e de minha mãe. Desde aquele tempo me cobrava compromisso: Você vai estudar! Mas, me prometa nunca fazer isto? – Hoje eu sei qual era o tipo de medo de meu pai. É um medo estranho. Um medo de não reconhecimento. Um medo amparado pelas insegurança afetiva.

E por que lembrei disto hoje? É por que mudou-se as gerações. Mudou-se muitos valores. Mudou-se muito nas últimas décadas e ainda existem filhos que assim agem. Eu tenho um amigo chamado Bené. Ele trabalha de segurança lá em Nanuque e certo dia ele me confidenciou: – Todos os dias quando eu levo meus filhos na escola, eu beijo cada um deles. Mas, já está chegando o dia em que eles não vão querer, nem que eu os leve na escola. Então, eu não esqueço de beijá-los nenhuma das vezes.

Muitos pais também são assim. Sabem que chegará o momento em que os filhos não quererão mais serem tratados como crianças, exigindo que nós, os trate como adultos e como emocionalmente equilibrados, como se nós fossemos emocionalmente equilibrados, e socialmente ajustados, e sobretudo, que não fossemos emocionalmente dependentes de demonstração deste carinho, desta atenção, destas pequenas demonstrações de afeto e amor.

Eu ainda não disse porque da lembrança e o faço agora. No inicio da noite fui comprar SBP e comprar remédios para dor de cabeça. Aproveitei e trouxe uns miojos. Quando passava pela praça do Feijão ouvi os seguintes gritos: Pai! Pai! Paiiiiinho! – Olhei para o outro lado da rua e estava meu filho gritando e acenando para mim. Eu sou muito desleixado e jogado às moscas e as traças em se  tratando de roupas, sapatos, chinelos. As vezes, sou convocado a voltar para trocar de roupa. Certa vez, tive que voltar da esquina quando minha esposa viu que eu estava indo com a roupa de dormir. Então, eu não estranharia meus filhos, as vezes, fingirem não me conhecer na rua. Eles são assim: gostam de mim, e me dão a coragem de pensar que não terão vergonha de mim depois de crescidos e formados. Mas, existem pais que fazem feio isto existe. Bem como existem filhos que mesmo sem motivos, sentem vergonha do que não é vergonhoso.

Ah! E meu filho gritou-me na rua por que estava com fome e me pediu dinheiro para fazer um lanche. Olhou as sacolas e inquiriu: não vai levando nada para eu jantar?

Felicidade também é poder influenciar os filhos.

9 jan

Nas comemorações de natal e nas comemorações de fim e inicio de ano, bem como, o dia 05 de janeiro que é aniversário de Kátia, e também do filho de Veridiana Serpa (Já não esqueço mais),  ocorreram alguns diálogos com Pedro Henrique que nos fizeram analisar os conceitos morais, éticos, espirituais e outros tipos de conceitos que transmitimos a nossos filhos por meio do ensino, da fala, por ações, atos diversos que, sem que percebamos, estão também educando-os, ensinando-os sobre a vida e como se devem comportar e agir perto e longe dos pais.

Como humanos os meios de transmissão destas ideias e conceitos são modificados ao longo do tempo, e são transmitidos de formas diferentes por sociedades diferentes. No entanto, há, sabemos disso, um conjunto de regras que são transmitidas de modo quase que generalizados por todos os povos. Desde criança somos orientados aos bons costumes e também aos modos corretos de se agir ante a diversas situações. Estes ensinamentos foram transmitidos de formas diferentes. Eis alguns exemplos de ensino por meio de fábulas, estórias, contos e mitos:

Ensinando com lendas, fábulas e estórias da carochinha.

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Com João e Maria se pode aprender algumas dicas de como eram ensinado aos pequenos conceitos de família, bondade, crueldade, certo, errado, condições financeiras, e entre tantos outros elementos morais. Poderíamos destacar vários destes conceitos na historieta em especial a de que trabalhar está relacionado com rendimentos. Que profissão está ligado com trabalho.  Fé, esperança e amor.  Há também na história as antíteses entre as ações: maldade e bondade. Esperteza e engano. Velhice e juventude. Sabedoria e juventude.

Esta história está repleta de elementos morais. E não só esta lenda. Há por exemplo a lenda do Pequeno Polegar que também contém vários elementos da lenda de João e Maria. Inclusive há, por exemplo, relação entre crise, fome, dificuldades, atitudes dos pais, planejamento… e por fim, as ações de justiça/vingança, maldade/punição.

Em ambas as histórias aqueles que são maus tem um triste fim. A bruxa  feia e malvada a semelhança da madrasta que morre, foi por Maria jogada dentro do forno e queimada viva. E na lenda de o Pequeno Polegar, o Ogro malvado, é traído pela maçaneta que tinha por obrigação de avisar a entrada e a saída, e também a ação bondosa da mulher sofredora dentro do lar do Ogro. Além disso, o Ogro é punido quando a violência que iria aplicar aos demais retorna para ele, pois, o Pequeno Polegar, que é esperto e inteligente (esperteza e inteligência vence a violência e o mal) troca as coroas de suas sete filhas pelos sete chapéus de seus irmãos.

Nossos filhos estão de olhos em nós. Eles nos vê. Eles nos ouvem. Eles nos observam. Eles nos copiam. Atos de bondades. Atos de crueldades. Atos de obscenidades. Gritos. Violência…tudo é por eles captados, e serve para que eles formem valores e o caráter se forma neste período.

Tal qual nas histórias devemos avisar nossos filhos das pessoas más. Em muitos casos, estas pessoas más são  trazidas por nós mesmos: madrasta, padrasto, “amigos”, vizinho.  Alguns valores transmitimos a eles pelo exemplo. Outros por meio de palavras.  Alguns por gestos. Outros conceitos lhe são transferidos por ensino de conceitos, ideias, associação. Muito me preocupa como exemplifico a meus filhos certos conceitos de certo e errado. Bondade e maldade, crueldade, malévolos.  E, nestes casos entram os jogos de computadores, os filmes, os desenhos, a literatura.

Volta e meia estamos neste debate. Em 2006 arribamos em caravana para Nanuque. Lá passamos uns 10 dias em férias. Como passamos muitos anos separados, as diferenças nos modos educativos eram visíveis e contrastantes.  Nossos filhos ligavam a televisão e assistiam os desenhos que queriam ver.  Outras crianças não podiam ver todos e os desenhos que passavam.  Certa tarde num debate sobre o assunto, cada um colocou suas opiniões e posicionamento quanto a influência dos desenhos, dos filmes na educação das crianças naquela idade.

Tenho uma amiga que, quando na TV passava um homem e uma mulher se beijando, e também, quando passavam homens brigando, e ou cenas de tiroteios e mortes , ela tirava a criança da sala, e em muitos casos, quando não conseguia tirar,  agarrava a criança e impedia-a de ouvir e ver. Eu considerava o que ela fazia um exagero.

Nós temos conceitos morais, éticos, espirituais, emocionais e os transmitimos a estas criaturas que nos foram enviadas para a vida. Temos lutado e batalhado cada dia para que eles saibam escolher corretamente. Que eles saibam decidir baseados nos conceitos de justiça, moral, ética. Que sejam íntegros. Que sejam sábios.  Nós damos os exemplo;  nós transmitimos os conceitos. É gratificante ver nossos filhos agindo de forma correta, leal, íntegra, honesta. É gratificante vê-lós defender seus pontos de vista; é gostoso constatar que você conseguiu transmitir a eles o que é bom, honesto, e de bom senso.

Há familiares que reclamam que meus filhos usam jogos de guerra. E que eu também jogo com eles. Sentamos em frente a TV e ficamos juntos nas aventuras. As vezes me dão o controle para sentir a vibração, sentir o efeito de como é atirar com um rifle, como posicionar a mira, como lançar granadas. E, também, me pedem ajuda quando chegam nalgum ponto do jogo em que não conseguem avançar. Cabe a mim analisar o ambiente e apontar a saída. Por isto, aqui temos os títulos: “Mestre” dos jogos,  mestre do controle… etc.

Outro dia, nosso filho menor disse-me: “Painho você sabe tudo é? Caramba! Você sabe gramatica, geografia, física, matemática.!” – Eu ri! E disse-lhe: Eu só sei o que preciso saber. Então é assim: de todas as formas, meios, maneiras, jeitos, palavras, atos, ações e até o que pensamos pode influenciar na educação de nossas crianças. Use bem seus meios, seus dotes, seus conhecimentos. Um mundo melhor depende disso.

Galardão de um pai!

3 set

Existem algumas palavras que invariavelmente ficam restrita a uns poucos usos e algumas outras se tornam restritiva a uma ou outra atividade.

A palavra galardão, por se citada no Novo Testamento da Bíblia cristã como uma recompensa aos vitoriosos finais, é comum ouvirmos no meio cristão esta palavra como uma recompensa futura àqueles e àquelas que irão morar no paraíso.

Entretanto, galardão, além deste significado extraído da Bíblia, significa também:

  1. Obter uma recompensa de serviços valiosos;
  2. Receber um prêmio merecido;
  3. Obter honra por ação ou ato de bravura;
  4. Receber glórias por seus atos.

A nós pais, galardão, com todos estes significados acima obtemos quando recebemos elogios, reconhecimentos através de nossos filhos.

Jackson do Pandeiro cantava:

A alegria do vaqueiro

é ver a queda do boi,

A alegria de quem tá vendo

é dizer sempre quem foi.

Há sempre dois ou mais lados a serem observados. Há dois anos, por ocasião de fim de ano, fui fazer uma visita na casa de uma família. Inevitavelmente, as nossas conversas sempre tomam o caminho das conversas de determinadas épocas e ocasiões. Em fim de ano, com os jovens, as perguntas são sempre voltadas para as questões escolares.

- Passou direto querida!

- Fiquei em 4 recuperações!

Neste instante, a mãe entrou pelo meio, e pediu auxilio.

- Adão, não sabemos mais o que fazer para estas meninas se esforçarem mais. O que você faz com os seus filhos?

Assim são os filhos. Quando não atingem metas, nós pais ficamos envergonhados.

Estas metas, não necessariamente, são nossas metas. Eles tem que ter metas. Algumas vezes, podemos indicar uma boa meta. A esta jovem aconselhei-a pensando da maneira mais egoista possível.

- Seu pai deixa você sair com suas amigas sempre que você pede?

- Não!

- Ele compra sempre o que você pede?

- Não! Ele sempre diz que não tem dinheiro!

- Ele pagou quantas recuperações pra você este ano?

- 3 na primeira unidade. 2 na segunda unidade. 1 na terceira unidade.

- Se ele não pagasse tanto, será que ele, estando alegre, satisfeito com a filha que sempre tem boas notas, ele não te recompensaria por seu esforço e dedicação escolar?

Ela concordou. E, este ano, a mãe me agradeceu. Disse-me que desde aquela conversa, elas tem se esforçado. Diminuiram os gastos com as recuperações. Em reação ao empenho das filhas, o pai já fez algumas concessões às filhas. Já foi passear na capital. Já pode ir nalguns eventos da igreja deles com as amigas. etc.

A alegria dos pais é o sucesso de seus filhos. Um filho quando elogiado, quando bem sucedido, dâ-nos uma alegria incomensurável. E apesar da situação que por enquanto passamos, hoje, Kaio voltou da escola e nos avisou:

- Fiquei em primeiro lugar nas Olimpiadas de matemática na escola.

- Primeirão? Medalhão de ouro? – Perguntei admirado!

- Sim! Primeirão, em todas as turmas de sétimas séries e de todas as turmas de oitavas séries, nos turnos matutinos e vespertinos. E ainda sou o mais jovem aluno da sétima série. E vou concorrer com outros alunos para ser o representante da escola nas olimpiadas de matemática municipal.

Isto é um galardão! Vamos acompanhar de perto.

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