Corpo, Alma e Espírito

Dezembro 15, 2008

de um lado para o outro lado

Quando jovem era magrinha. De tão magrinha que era, todos zombavam. Riam de sua magreza. Diziam que nunca um homem acharia graça naquele monte de ossos. Ela reagiu. Ela agiu. Tomou umas drogas indicadas por amigas. Tomou complementos alimentares. Comia seis vezes ao dia. Fez tudo que podia para ganhar alguns quilos.

Engordou. Apaixou-se. Enamorou.

Concluiu que estavam certos: Era a magreza que atrapalhava ela a não ter um namorado.

Casou. Engravidou. Engordou muitos quilos. Não parou de engordar. Atingiu a obesidade mórbida. Procurou ajuda médica. Fez regimes. Fez caminhadas. Parou de comer massas, carboidratos. Regimes de Atkins. Nada era capaz de fazê-la emagrecer.

Economizou. Ajuntou. Vendeu bens. Pesquisou. Encontrou o melhor médico. A melhor clínica. Reduziu o estômago. Emagreceu 80 quilos. Teve uma parada cardiaca. Morreu na Sexta-Feira. Enterram-na no sábado, e não conseguiu voltar para o lado de onde saiu.

Outubro 8, 2008

Poderes

Naquele feriado de todos os santos, num dia nublado ele resolveu sair com seu filho menor. Uma criança paciente, educada e admirável por sua conduta integra. Sempre alegre, solicita, meiga, apesar de alguns acharem que os adultos da família a deixasse abandonada.

No cotidiano, era uma criança comum. Jogava video-game, assistia aos desenhos animados da tv aberta, quanto da tv por assinatura. Já sabia ler e escrever. Não era alheia as estruturas e regras sociais. Tanto quanto as oçpões e regras morais, quanto tanto com as leis e regras éticas.

Tinha em seu pai o exemplo de homem, de herói, de amigo. Porém, havia em seu pai algo estranho para os dias atuais. No mundo globalizado, industrializado, informatizado, eletrônico e voltado para estas bugigangas da tecnologia, eles estava sempre lendo velhos livros, antigas orações.

Não que ele soubesse ou percebesse. Era o comentário generalizado entre os famíliares sobre as estranhas predileções pelo mundo sobre-natural, e rezas e orações antigas.

Andava ele com seu infanto pelo parque quando se viu cercado por aquela súcia. A ação e reação institiva foi puxar o filho para entre as suas pernas, protegendo-o com os braços.

- Levanta covarde! – Disse um deles!

- Coisa de corno, esse seu programa de feriado hein? – zombou outro arrancando uníssona gargalhadas. Recebeu socos, safanões, empurrões.

- Não fala nada não! Frouxo! O gato comeu sua língua?  – Num tom gutural e com a língua entre os dentes falou como num breve múrmurio:

cai idú’ hippós clôrós’, cai rô caté-menus épánu autu ônoma autô, tanatós, cai rô êcolutei metá autu; cai edidomé autóis écsousia épi tó tetarton tens gens, rapokteinan en romfaia cai en limfô cai en tanato cai rupó ton térion tens gens.

Não terminara de cerrar a boca e o terror se abateu sobre o mais agressivo.

Vendo o comparssa em desespero, inquiriu ameaçadoramente.

- O que você fez?

- Não se preocupe, você terá o seu!

Foram espalhados. Corriam de um lado para outro como que fugindo do invisivel. Um a um foram tombando. Não demorou para a polícia chegar. Não souberam explicar, o como, o porque, que todos aqueles mortos estavam com olhar petrificados, pupilas dilatadas.

- Deve ser algum tipo de drogas que tomaram!

Não muito longe, pai e filho chegaram em casa. Ele correu para os braços da mamãe. Abraçou-a e num cochicho quis saber:

- Mamãe, o que significa cai idú´ clôros?

- Onde você ouvi isto?

- Foi o papai quem disse!

- Quando foi?

- La no parque!

- Vá tomar seu lanche que está sobre a mesa!

Entrou na biblioteca e puxando um dos antigos livros procurava explicações, e no verbete de Todos os Santos, leu as seguintes palavras:

“No dia de Todos os Santos, é o dia em que todos os demônios e espíritos podem andar livremente – só voltam às regiões inferiores à meia-noite do Dia de Finados. São implacáveis quando invocados, e não deixarão de executar a tarefa que lhes foram confiadas.”

Agora que foram invocados, tais agentes não cessariam suas atividades enquanto a terça parte de todos os familiares daqueles não fossem capturados e levados ao mundo inferior. Pegando o livro sagrado dos cristãos, abrindo-o no último livro, procurando nas referencias, encontrou o trecho correspondente, e assim está escrito:

“Eis um cavalo amarelo. Aquele que estava assentado sobre ele, tinha por nome Morte. O inferno o segue. Foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, com fome, com peste, e com as feras da terra”

- Porque você fez tal invocação? – Perguntou-lhe interropendo suas preces e tirando-o do êxtase.

- Eles ameaçavam seu filho!

Olhando-o ternamente, beijou-o com carinho. Saiu e foi para a copa onde o pequeno estava tomando o suco. Pegou-o no colo, abraçou-o e disse:

- Papai te ama!


Outubro 2, 2008

Onde aconteceu e o que aconteceu!

Depois do texto anterior, Desespero Infundado, recebi alguns correios e duas ligações de pessoas que ficaram preocupados comigo.  Apesar do texto revelar fatos reais, é na verdade união de dois eventos diferentes.

Parte 1

Veja abaixo a imagem onde aconteceu um dos eventos:

pedra-nanuque

Esta é a Pedra Bueno. Ela fica no centro da minha cidade natal: Nanuque, Minas Gerais. Onde a seta vermelha aponta, ou um pouco mais à esquerda, aconteceu uma tentativa de suicidio inusitado. Eu era ainda criança quando o fato aconteceu, mas, sei que foi um corre-corre na vila Esperança e também na cidade.

Ai nesta marcação com a seta vermelha existia uma pedreira e certo dia, uma jovem resolveu se matar pulando de uma determinada altura desta pedra. E para sua infelicidade ser completa aconteceu o seguinte:

  1. Ele não morreu com a queda;
  2. Com a queda, ele ficou preso numa fenda;
  3. Depois do ocorrido, ele desistiu de querer morrer.

Ficou entalado na fenda da placa solta e ficou sofrendo com os ferimentos. O sol em Nanuque parece ser mais quente do que em qualquer lugar da terra. O sol  sobre a pedra e sobre ele, causou-lhe outro tipo de sofrimento. Ele gritava por socorro e pedia misericórdia o tempo todo. A situação dele não foi nada agradável.

Depois da loucura, souberam o motivo de tanto desgosto. Era homossexual. Apaixou-se por um amigo. Não podia declarar seu amor, pois, era ainda na época da ditadura militar. E, se, declarasse sua condição e amor, deduziu que não haveria correspondência por seu sentimento, e que também seria perseguido pela família do jovem, por sua própria família, e também pelas autoridades.

Diante desta situação, achou que a vida não tinha mais nenhum significado. Morreu algum tempo depois em consequencia dos ferimentos da queda e da desidratação que passou, mas, já arrependido, pedia para não deixa-lo morrer. Mas, não puderam ou não quiseram ajudá-lo.

Isto ocorreu quando eu era criança. E, desde então, sempre pensei na situação daquela criatura. O sofrimento que passou. A angústia que sofreu a ponto de ser capaz de agir de tal maneira.

Parte 2

Quando jovem, fiz parte de um grupo de jovens dedicados a várias atividades naturais. Muitas aventuras vivemos e produzimos. Uma vez ao ano, subiamos o alto da Pedra do Fritz. Não o faziamos como os alpinistas e escaldores profissionais. Veja aqui no site Escala Brasil. Nós subiamos pela parte mais fácil e segura.

 

pedra-fritz

A marcação em vermelho foi onde aconteceu o segundo relato.

Na primeira vez que fiz a subida, pelo lado oposto ao indicado, passei pela fazenda do Dr. Gabriel, e eu estava usando um Conga, tipico calçado da década de 70 e 80, um permudão de pano.

Ao atravessar a planicie de capim-colonião, minhas pernas ficaram toda riscada das serrilhas do capim. Ao chegar no topo da pedra do Fritz, o suor em contato com as pequenas feridas, causava-me uma dor intensa. Para piorar a situação, tivemos que adentrar num pequeno pedaço de terra no alto da pedra, e o contato com o capim-açu, fez a dor aumentar. Como  não existe nada ruim que não pode ficar péssimo, começou a chover.

Atravessei correndo e deparei-me com a queda livre que marco na imagem acima. Despontei ali. E por pouco não precipitei abaixo. Não porque desejava, mas, porque vinha correndo para atravessar o capim que me causava o incomodo.

De imediato, peguei um gravatá, joguei a água gelada nas pernas. Lavei o sangue. Tirei a camiseta, e enxuguei. Causou-me uma alívio. Sentei-me e lembrei deste outro evento. Pensei naquela alma que penou por longos dias até o dia de sua partida. E, meditei na dor, na angústia que ele tenha sentido, a ponto de lançar-se daquela outra pedra.

Vive-se mais quem consegue se ver nos reflexos alheios.

 


Setembro 30, 2008

Desespero injustificado!

Arquivado em: Alma, Alma Humana, Espirito, Lembranças, Pessoal, Relacionamentos, Vidas, homens — by adaobraga @ 3:27 pm
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O desespero tomou conta do meu ser.

Corri. Tentei fugir

Atravessei a planicie com o capim-colonião serrilhando a pele abaixo da verilha.

A dor atingia seu nível máximo.

Cheguei na extremidade da montanha.

Olhei o rochedo abaixo.

Olhei para trás.

Pensamentos me surgiram.

Vozes aconselhavam.

Vozes zombavam.

Resistir.

Não pulei.

Enfrentei a dor.

Sentei.

Respirei.

Cocei as pernas ensanguentadas.

Peguei um gravatá, entornei a água fria sobre as feridas

Tirei a camisa hering branca e enxuguei as feridas.

Esperei os amigos.

Subi mais alto.

Olhei o chão das alturas.

Desci.

Vivo como se nunca houvesse pensado, o que pensei, naquela tarde!

“Deve-se ter muita coragem ao lançar-se no desconhecido da morte, a enfrentar as incertezas e dúvidas da vida!”

Janeiro 14, 2008

Eu, você e o cavalo!

Arquivado em: Alma Humana — by adaobraga @ 2:41 pm
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Naquela manhã clara me encontrei naquela planicie e ao fundo dois cumes, que ao longe parecia-me, como se estivesse andando sobre o ventre de uma fêmea, e lá ao fundo, os dois irmãos gêmeos.

Ao ficar entre ambos, aparece-me você sobre o monte esquerdo. Você olhava fixamente para o cume do outro lado, o que me levou a observá-lo, e lá estava um cavalo.

Nunca vi algo semelhante. Parecia mudar de forma à medida que você olhava para mim, e eu olhava para você.

Inicialmente era um cavalo branco. E, muita palavras irreais ouvi de você, porém, senti brotar em mim, um espírito revelador e deu-me coragem a prosseguir o caminho que poderia guiar-me até você, ou até ao cavalo.

Resolvi ir a seu encontro, o cavalo branco, metamorfoseou-se. Abriu enormes asas.  O tenebroso para mim, é que ele ameaçava voar sobre mim, enquando esbaforia fortemente e empinava constante e rapidamente.

Ele empinou. Abriu novamente as asas; Desceu o morro galopando;

E, então, vi pela marca que havia no pêlo, que aquele cavalo pertencia a seu esposo; entretanto, ele veio a mim, e permitiu que eu o montasse.

Uma vez, porém que estava sobre ele, tornou-se indócil e incontrolável, mudou sua cor, e tornou-se um cavalo baio, pedeu as asas, e ao longe, quando sair de perto dele, e já não mais te vi, ele havia se transformado num cavolo totalmente negro.


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