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A vida, a religião, a filosofias e a mitologia de cada qual

28 ago

Somos seres que sabendo ou não, conhecendo ou não, que expressamos nossos conceitos, nossos preceitos, nossas regras, nossos princípios morais e éticos aos demais. As formas e maneiras de expressões é que variam. No entanto, e isto nos diferem de outras raças no mundo, pensamos e agimos de forma análoga e as vezes caóticas.

Este comportamento tão humano as vezes é replicado quando tudo está bem de forma diversa e constante através de histórias, de exemplos, de analises. Do outro lado, quando se sabe que outros semelhantes estão em situação não bem, não agradável, é natural ir ao encontro destes semelhantes para auxiliar-lhe numa maneira de viver, numa maneira de proceder tal que se poderá ser feliz e viver sem dor, sem sobressalto, viver sem sofrimento. Nem sempre se consegue.

Há algumas pessoas que não sabem expressar em palavras ou em exemplos conceitos filosóficos, conceitos e modos de se viver. É interessante como se tentam ao menos de forma desastrada querer replicar uma maneira eficaz ou eficiente de bem viver, quando tudo está bem, quando não se tem sobressalto, e as vezes, quando se consegue ignorar  as fortes emoções que a vida nos proporciona através da morte, da dor, do sofrimento, do amor, da fé, das emoções, das situações adversas.

- Fé e Religião: Antes de tudo, é importante não confundi as definições. Fé não é religião. E ter religião não é o mesmo que ter fé. Você tem fé, e não está ligado a nenhuma religião. Há até uma relação de união entre fé e religião. Afinal, se pensa logo que todos os religiosos tem fé nos dogmas, doutrinas e nas entidades sagradas de sua religião.

Na teologia, fé é primeira das virtudes. Na definição do apóstolo, fé é um dom de Deus. Muitas  pessoas querem e pensam que nosso sofrimento é por falta de fé. Não me acostumo com algumas frases que me falam ao longo dos dias: tenha fé! É uma das mais comuns. Tal frase já nem surte tanto efeito em mim. Afinal, o que percebo é ela sai automaticamente. Algumas mais incisivos querem apontar uma relação inexistente de causa e efeito. – Você sofre por que a sua fé é pouca. Você não prospera por que a sua fé diminuiu.

Por outro lado é também comum a certas pessoas a expressão: não existe pessoa neste mundo que tem fé igual a minha. Certamente não é falta de fé. Talvez humildade e modéstia.

- Fé e Igreja: pessoas pensam e advogam que o sofrimento é por não se ir a uma igreja. Estas pessoas certamente confunde ter fé com freqüentar reuniões religiosas. Nenhuma relação há entre a fé, e pertencer a um grupo religioso. Garanto que uma grande porção de humanos já freqüentou algum tipo de reunião religiosa em que não se cria, em que não se mantinha fé no que ali era ensinado.

Esta semana nos veio aqui uma meia-parente e disse-nos que sabia por que estamos em situação adversa: É que foi revelado lá na igreja que uma família estava sofrendo uma maldição por que se recusava a ir naquela igreja. – Disse ela. Mas, por que raio de relação e função composta ou inversa, ela chegou a conclusão que a tal revelação era uma referência a nós? As pessoas são assim. As vezes criam um elo onde não existe. Constroem uma união de causa-efeito, onde nem sempre há.

Estamos bem quanto a fé. Estamos bem quanto nossos princípios religiosos. Só temos alguns pontos divergentes quanto aos agrupamentos religiosos. No entanto, sabemos do valor da igreja, da religião e da fé. Sem confusão. Sem discussão.

- Dinheiro e Saúde: Steve Jobs está doente. Reinaldo Gianechini também está doente. Um é rico, inteligente, e uma das mentes mais brilhante do mundo da tecnologia. O outro, é famoso, bonito e também rico. Inevitavelmente se comentam sobre as pessoas nestas condições e que caem em doença. 

O que me incomoda nestes casos, são os argumento que se usam. Muitos saem dizendo: “De que adianta ter tanto dinheiro sem saúde?”. Tal questão leva a conclusão equivocada de que ter dinheiro e ter saúde são auto excludentes. Ou que é proibido se ter saúde e dinheiro. E também, que as pessoas ricas, famosas, brilhantes abririam mão do dinheiro, da riqueza, da fama, se pudessem optar em ter estes e ter uma vida saudável.

Ter dinheiro não necessariamente provoca e leva as pessoas a perderem a saúde. Fato é que muitos perdem a saúde pelo dinheiro, e depois gastam todo o dinheiro obtido para ter saúde. No entanto, não é verdade que se queiram trocar a riqueza por saúde. A ideia inicial é de que se abre mão de toda e qualquer fortuna para se ter saúde.

Infelizmente a vida é muito incerta. O momento (não o dia) de morrer de cada um pode estar muito mais próximo do que se imagina. Algumas pessoas morrem depois de anos lutando contra doenças. Outras morrem saudáveis. Morrem sem nunca terem adoecidos. Morrem ricos e saudáveis. Milhares morrem saudáveis, jovens e pobres. Outros morrem pobres, debilitado por doenças, e sem ter certos confortos que o dinheiro proporcionam.

Não é verdade a relação: De que adianta ter tanto dinheiro sem saúde. Não é uma relação válida. Não é que as pessoas escolheram ter dinheiro e não ter saúde. E que se trocariam a toda fortuna por saúde.

Se você tivesse a oportunidade de viver 50 anos rico(a), poderoso(a), com condição, e com uma  trajetória brilhante, e marcante na história humana, você trocaria por 100 anos incógnito, pobre e saudável?  Isto também vai depender do que se fará nos 100 anos.

Doença e falta de Deus: Para algumas mentes é inevitável esta relação: Se esta doente, se falta dinheiro, se passa por dificuldade: é falta de Deus na vida! Se a a violência, se mortes hedionda, se algum tipo de crimes ocorre, se alguém foi seqüestrado. Se alguém foi morto(a) de forma cruel… o diagnóstico rápido e certeiro: É FALTA DE DEUS. Nunca se atribui a condição humana a culpa. Não é por que nós humanos somos assim. Não é por que somos violentos. Destrutivos. Incontroláveis. Indomáveis. Insaciáveis. E também desconhecidos em ações, métodos, pensamentos. Inacessíveis em explicações filosóficas, teológicas, psiquiátricos, psicológicos, matemáticos, ou qualquer tipo de ciência moderna ou antiga. O profeta Jeremias afirmou e inquiriu muito tempo antes de Jesus: “Quem pode entender o coração humano? Não há nada que engane tanto como ele; está doente demais para ser curado.”

Depois de morto: Para finalizar, não posso deixar de comentar o fim de todos nós. A morte. É curioso como algumas pessoas mudam de opinião e como se opina de forma semelhante em relação a quem morreu. Evidente que todos temos ideia, e todos queremos que nossos entes queridos estejam num lugar legal, bonito, lindo depois que passou por aqui. Fato é que mesmo que se tenha vivido de forma regalada aqui. Se viveu bem. Se viveu mal. Se viveu plenamente. Não importa! Fato é que a frase: TENHO CERTEZA DE QUE FULANO(a) ESTÁ NUM LUGAR MELHOR, é mais falada.

Bom! Eu entendo a frase. Ninguém volta da morte. E este silêncio. Esta falta de informação parece contribuir com esta ideia.Se morreu, não importa a religião, o credo, a maneira como se viveu: ESTÁ NUM LUGAR MELHOR.

Porém, já pensou na hipótese de que a mitologia Grega esteja correta nesta questão, e que, lá onde se está, domínio de Hades – O irmão de Zeus – ninguém possa sair? Ninguém consegue voltar? É uma hipótese!

Quando o amor vira dor e lamentação

13 dez

- Eu falei para ela não ir! Eu falei! Falei, falei. Repeti. Repeti. Ela não me ouviu!

Era só isto que ele falava. Só isto a repetir todo o dia do velório. Nada mais dizia. Era só esta lamentação. Muitos, inclusive eu, sair de lá com a certeza de que ele sentia uma dor muito mais forte pela desobediência dela do que pela morte da criança. E não demorou para estarem separados.

Passados mais de dez anos, ele ainda reclama da decisão da ex-companheira em ter insistido e ido contra a vontade dele naquela fatídica viagem.

- Se ela não tivesse ido, meu filho estaria vivo. – Ainda repete como se certos eventos pudessem ser evitados. Como se fosse possível antever, premunir tais tragédias.

De fato, há, em determinadas situações, ainda que existam várias explicações de especialistas, um momento que o amor que se sente por uma pessoas se transforma em dor. E isto se torna possível, por várias vias de acesso, uma delas é a culpa.

Este meu conhecido, por exemplo, por todos estes anos, ela, ainda é a culpada. Não importa quanto tempo passe. Não importa o que ela faça. Nada importa. Ele a culpa sempre. E, o amor que sentia a ela, transformou-se num gigantesco bloco de dor, rancor e finalmente o impede de olha-la de forma diferente, a não ser culpando-a, incriminando-a, como se ela mesma, já não a fizesse isto a si.

E o que aconteceu com eles, volta-e-meia, acontece com outras pessoas. Naquela época, ele queria que todos viajassem em janeiro, ela queria viajar em Dezembro para arrumar tudo para quando ele chegar apenas curtir.

Ninguém planeja uma tragédia. Ninguém coloca na lista de eventos um acidente. Afinal, quando tudo acontece normal e naturalmente, na maioria das vezes, nem se lembra que alguém planejou, executou tudo aquilo. Mas, basta existir algo fora do lugar para se procurar e encontrar um culpado, uma culpada. Foi o que aconteceu com eles.

Depois de longos meses de agonia, finalmente divorciaram. Não houve mais brigas, desavenças, ironias, piadas e insinuações. Acabou aquilo.

No entanto, o amor transformou-se em dor, ao ponto de, o nome dela ser sinônimo de pessoas erradas, desobedientes, e sobretudo amargura.

- Desde aquela época, todas as vezes que olho pra ela, eu me lembro do que eu disse naquele dia: Não vá na frente. Espere mais quinze dias, e todos iremos juntos.

Ela preferiu ir! Nunca saberemos para onde o outro caminho os levaria. Sabemos apenas este que ela resolveu percorrer, e que ele teve que adentrar pelas circunstâncias. Agora é tarde, todo o amor que ele sentia, todo o amor que eles exalavam, num só evento, ficou tão somente a dor, o remorso, e da parte dela a culpa, que também vive a repetir em tristes lamentações:

- Ò meu Deus, porque eu não esperei aqueles quinze dias! Por que?

Da parte de um, dor. Da parte do outro lamentação. Eles não vivem mais juntos. Não se odeiam, porém, não conseguem mais estarem juntos no mesmo lugar. Não é fácil a vida de certas pessoas!

Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte

7 set

Ela chegou antes das dez da manhã da última sexta-feira no escritório. Ao chegar na sala da supervisora assim se explicou:

- Eu vim pro modi quê um homi passô la in casa e dexô esse bileti que é pra eu vim aqui dá resposta pras pergunta do guverno.

Ao tomar conhecimento da situação em que a família daquela senhora vive, não de forma especial, aleatória, de vez em quando, não nada disso… como eles vivem todos os dias, e faz mais de dois anos no mesmo sofrimento, na mesma balada, na mesma velocidade, na mesma intensidade supervisora de área suspirou alto, encolheu os ombros e exclamou:

- Meu Deus, que vida é esta?

O que é sofrimento para mim? O que é sofrimento para você? Existem muitos que gostariam de ter o tipo de sofrimento que enfrentamos. Não de forma generalizada, não! De forma alguma.

Esta semana minha querida esposa estava chateada e reclamava da situação em que nos encontramos. Tomamos decisões calculadas, mas, porém, contudo, todavia, os próximos 40 dias não será nada fácil. Mas, ao final deles, haverá um certo período de bonança. Haverá bons ventos para nós todos. Então, os sofrimento de agora, é planejado, previsível, e até mensurável.

Já esta senhora e sua família não! Eles não planejaram nada do que lhes acontece. Eu, xereta como sempre, quis saber como foi que a vida deles chegou ao que está hoje. E assim ela resumiu:

- Quando essa minha filha tinha oito anos, ela viu o pai dela matar minha mãe com doze facadas.

- E porque ele fez isto com sua mãe?

- Por que… – fez uma pausa e concluiu – por que ele é gente ruim. Quando nós casamos minha mãe me prometeu uma casa. E, depois que ela não deu a casa, no tempo que ele queria, ele ficou com raiva e jurou que ia matar ela. Ai ele matou.

Ele não só matou a sogra, iniciou um evento catastrófico na vida da criança presente. Ela resistiu por doze anos. No ano do vigésimo aniversário a cobrança chegou. Ela perdeu o controle. Tornou-se instável. As vezes é violenta. As vezes é mansa. Nestes momentos só a mãe fica por perto. E, por este comportamento ela foi interrogada.

- A senhora não tem medo não? – Indagou a supervisora do setor.

- Medo eu tenho, mas, é medo dela se machucar e de machucar outras pessoas. Não de machucar eu! Isso não! Eu pari! Eu cuido dela. Eu tenho que ficar com ela sempre.

- Ela é sempre assim?

- Não senhora! Ela até é formada. Formou pra professora. Ela dá aula. Ela é carinhosa com as crianças, e ensina pra elas não seguir o caminho do mau. Agora ela alugou um lugar para ensinar as crianças. Ela adora as crianças?

- E não é perigoso ela ficar com as crianças?

- Até agora não! Ela diz que tem que proteger as crianças para nada de ruim acontecer com elas.

atlas

Olhando aquela mulher, a pele sobre os ossos. Os olhos negros. O cabelo lavado. A roupa limpa. E, me chega a pergunta:

- Como é que consegue suportar tamanha carga? Como é que não desaba com tamanho sofrimento?

Atlas nem imagina o peso que é suportado por tantas mulheres mundo a fora. Atlas na mitologia, segurava a Terra sobre seus ombros. Mas, mulheres como esta que conheci na última semana, carrega uma carga superior ao peso da matéria da Terra. Pode misturar tudo: água, terra, pedra, madeira, carne, minerais, … e nada se compara ao que mulheres como esta suporta em suas vidas.

Dores intensas sem ter um analgésico eficaz que lhes alivie tais dores. Dores terríveis que lhes aflige sem que encontre apoio no confessionário. Lá apenas se pode confessar pecados e faltas, não é lugar  para pedir ajuda e auxilio, tão somente confessar: pequei Senhor me perdoe!

- E como é que a senhora suporta esta vida criatura de Deus? – Indagou a supervisora.

- Deus ajuda a gente, não é?

Ao tempo que afirma, também indaga. Esta expressão final: “não é?”, indaga exatamente isto. Estou vivendo dia-após-dia, deve ser com a ajuda de Deus, você que olha de lá, não pensa que seja assim? Não é Deus quem ajuda a todos nós? É? Você crê que é Deus quem ajuda?

Quando eu cheguei em casa, refletindo sobre estas vidas eu chorei por todas elas. Fiz minhas indagações. Fiz minhas inquirições. E a semelhança do profeta indagador, permaneço indagando: 

Ó SENHOR Deus, até quando clamarei pedindo ajuda, e tu não me atenderás? Até quando gritarei: “Violência!”, e tu não nos salvarás? Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte.  Por isso, ninguém obedece à lei, e a justiça nunca vence. Os maus levam vantagem sobre os bons, e a justiça é torcida. – Habacuque 1:1-3

Tenho certeza de que não entendo tudo. Tenho certeza que me falta um pedaço grande para entender, como é que todas as forças do universo conspira para certas coisas, bem como, tudo coopera para o bem de todos.


de um lado para o outro lado

15 dez

Quando jovem era magrinha. De tão magrinha que era, todos zombavam. Riam de sua magreza. Diziam que nunca um homem acharia graça naquele monte de ossos. Ela reagiu. Ela agiu. Tomou umas drogas indicadas por amigas. Tomou complementos alimentares. Comia seis vezes ao dia. Fez tudo que podia para ganhar alguns quilos.

Engordou. Apaixou-se. Enamorou.

Concluiu que estavam certos: Era a magreza que atrapalhava ela a não ter um namorado.

Casou. Engravidou. Engordou muitos quilos. Não parou de engordar. Atingiu a obesidade mórbida. Procurou ajuda médica. Fez regimes. Fez caminhadas. Parou de comer massas, carboidratos. Regimes de Atkins. Nada era capaz de fazê-la emagrecer.

Economizou. Ajuntou. Vendeu bens. Pesquisou. Encontrou o melhor médico. A melhor clínica. Reduziu o estômago. Emagreceu 80 quilos. Teve uma parada cardiaca. Morreu na Sexta-Feira. Enterram-na no sábado, e não conseguiu voltar para o lado de onde saiu.

Poderes

8 out

Naquele feriado de todos os santos, num dia nublado ele resolveu sair com seu filho menor. Uma criança paciente, educada e admirável por sua conduta integra. Sempre alegre, solicita, meiga, apesar de alguns acharem que os adultos da família a deixasse abandonada.

No cotidiano, era uma criança comum. Jogava video-game, assistia aos desenhos animados da tv aberta, quanto da tv por assinatura. Já sabia ler e escrever. Não era alheia as estruturas e regras sociais. Tanto quanto as oçpões e regras morais, quanto tanto com as leis e regras éticas.

Tinha em seu pai o exemplo de homem, de herói, de amigo. Porém, havia em seu pai algo estranho para os dias atuais. No mundo globalizado, industrializado, informatizado, eletrônico e voltado para estas bugigangas da tecnologia, eles estava sempre lendo velhos livros, antigas orações.

Não que ele soubesse ou percebesse. Era o comentário generalizado entre os famíliares sobre as estranhas predileções pelo mundo sobre-natural, e rezas e orações antigas.

Andava ele com seu infanto pelo parque quando se viu cercado por aquela súcia. A ação e reação institiva foi puxar o filho para entre as suas pernas, protegendo-o com os braços.

- Levanta covarde! – Disse um deles!

- Coisa de corno, esse seu programa de feriado hein? – zombou outro arrancando uníssona gargalhadas. Recebeu socos, safanões, empurrões.

- Não fala nada não! Frouxo! O gato comeu sua língua?  – Num tom gutural e com a língua entre os dentes falou como num breve múrmurio:

cai idú’ hippós clôrós’, cai rô caté-menus épánu autu ônoma autô, tanatós, cai rô êcolutei metá autu; cai edidomé autóis écsousia épi tó tetarton tens gens, rapokteinan en romfaia cai en limfô cai en tanato cai rupó ton térion tens gens.

Não terminara de cerrar a boca e o terror se abateu sobre o mais agressivo.

Vendo o comparssa em desespero, inquiriu ameaçadoramente.

- O que você fez?

- Não se preocupe, você terá o seu!

Foram espalhados. Corriam de um lado para outro como que fugindo do invisivel. Um a um foram tombando. Não demorou para a polícia chegar. Não souberam explicar, o como, o porque, que todos aqueles mortos estavam com olhar petrificados, pupilas dilatadas.

- Deve ser algum tipo de drogas que tomaram!

Não muito longe, pai e filho chegaram em casa. Ele correu para os braços da mamãe. Abraçou-a e num cochicho quis saber:

- Mamãe, o que significa cai idú´ clôros?

- Onde você ouvi isto?

- Foi o papai quem disse!

- Quando foi?

- La no parque!

- Vá tomar seu lanche que está sobre a mesa!

Entrou na biblioteca e puxando um dos antigos livros procurava explicações, e no verbete de Todos os Santos, leu as seguintes palavras:

“No dia de Todos os Santos, é o dia em que todos os demônios e espíritos podem andar livremente – só voltam às regiões inferiores à meia-noite do Dia de Finados. São implacáveis quando invocados, e não deixarão de executar a tarefa que lhes foram confiadas.”

Agora que foram invocados, tais agentes não cessariam suas atividades enquanto a terça parte de todos os familiares daqueles não fossem capturados e levados ao mundo inferior. Pegando o livro sagrado dos cristãos, abrindo-o no último livro, procurando nas referencias, encontrou o trecho correspondente, e assim está escrito:

“Eis um cavalo amarelo. Aquele que estava assentado sobre ele, tinha por nome Morte. O inferno o segue. Foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, com fome, com peste, e com as feras da terra”

- Porque você fez tal invocação? – Perguntou-lhe interropendo suas preces e tirando-o do êxtase.

- Eles ameaçavam seu filho!

Olhando-o ternamente, beijou-o com carinho. Saiu e foi para a copa onde o pequeno estava tomando o suco. Pegou-o no colo, abraçou-o e disse:

- Papai te ama!


Onde aconteceu e o que aconteceu!

2 out

Depois do texto anterior, Desespero Infundado, recebi alguns correios e duas ligações de pessoas que ficaram preocupados comigo.  Apesar do texto revelar fatos reais, é na verdade união de dois eventos diferentes.

Parte 1

Veja abaixo a imagem onde aconteceu um dos eventos:

pedra-nanuque

Esta é a Pedra Bueno. Ela fica no centro da minha cidade natal: Nanuque, Minas Gerais. Onde a seta vermelha aponta, ou um pouco mais à esquerda, aconteceu uma tentativa de suicidio inusitado. Eu era ainda criança quando o fato aconteceu, mas, sei que foi um corre-corre na vila Esperança e também na cidade.

Ai nesta marcação com a seta vermelha existia uma pedreira e certo dia, um jovem resolveu se matar pulando de uma determinada altura desta pedra. E para sua infelicidade ser completa aconteceu o seguinte:

  1. Ele não morreu com a queda;
  2. Com a queda, ele ficou preso numa fenda;
  3. Depois do ocorrido, ele desistiu de querer morrer.

Ficou entalado na fenda da placa solta e ficou sofrendo com os ferimentos. O sol em Nanuque parece ser mais quente do que em qualquer lugar da terra. O sol  sobre a pedra e sobre ele, causou-lhe outro tipo de sofrimento. Ele gritava por socorro e pedia misericórdia o tempo todo. A situação dele não foi nada agradável.

Depois da loucura, souberam o motivo de tanto desgosto. Era homossexual. Apaixou-se por um amigo. Não podia declarar seu amor, pois, era ainda na época da ditadura militar. E, se, declarasse sua condição e amor, deduziu que não haveria correspondência por seu sentimento, e que também seria perseguido pela família do jovem, por sua própria família, e também pelas autoridades.

Diante desta situação, achou que a vida não tinha mais nenhum significado. Morreu algum tempo depois em consequencia dos ferimentos da queda e da desidratação que passou, mas, já arrependido, pedia para não deixa-lo morrer. Mas, não puderam ou não quiseram ajudá-lo.

Isto ocorreu quando eu era criança. E, desde então, sempre pensei na situação daquela criatura. O sofrimento que passou. A angústia que sofreu a ponto de ser capaz de agir de tal maneira.

Parte 2

Quando jovem, fiz parte de um grupo de jovens dedicados a várias atividades naturais. Muitas aventuras vivemos e produzimos. Uma vez ao ano, subiamos o alto da Pedra do Fritz. Não o faziamos como os alpinistas e escaldores profissionais. Veja aqui no site Escala Brasil. Nós subiamos pela parte mais fácil e segura.

pedra-fritz

A marcação em vermelho foi onde aconteceu o segundo relato.

Na primeira vez que fiz a subida, pelo lado oposto ao indicado, passei pela fazenda do Dr. Gabriel, e eu estava usando um Conga, tipico calçado da década de 70 e 80, um permudão de pano.

Ao atravessar a planicie de capim-colonião, minhas pernas ficaram toda riscada das serrilhas do capim. Ao chegar no topo da pedra do Fritz, o suor em contato com as pequenas feridas, causava-me uma dor intensa. Para piorar a situação, tivemos que adentrar num pequeno pedaço de terra no alto da pedra, e o contato com o capim-açu, fez a dor aumentar. Como  não existe nada ruim que não pode ficar péssimo, começou a chover.

Atravessei correndo e deparei-me com a queda livre que marco na imagem acima. Despontei ali. E por pouco não precipitei abaixo. Não porque desejava, mas, porque vinha correndo para atravessar o capim que me causava o incomodo.

De imediato, peguei um gravatá, joguei a água gelada nas pernas. Lavei o sangue. Tirei a camiseta, e enxuguei. Causou-me uma alívio. Sentei-me e lembrei deste outro evento. Pensei naquela alma que penou por longos dias até o dia de sua partida. E, meditei na dor, na angústia que ele tenha sentido, a ponto de lançar-se daquela outra pedra.

Vive-se mais quem consegue se ver nos reflexos alheios.

 


Desespero injustificado!

30 set

O desespero tomou conta do meu ser.

Corri. Tentei fugir

Atravessei a planicie com o capim-colonião serrilhando a pele abaixo da verilha.

A dor atingia seu nível máximo.

Cheguei na extremidade da montanha.

Olhei o rochedo abaixo.

Olhei para trás.

Pensamentos me surgiram.

Vozes aconselhavam.

Vozes zombavam.

Resistir.

Não pulei.

Enfrentei a dor.

Sentei.

Respirei.

Cocei as pernas ensanguentadas.

Peguei um gravatá, entornei a água fria sobre as feridas

Tirei a camisa hering branca e enxuguei as feridas.

Esperei os amigos.

Subi mais alto.

Olhei o chão das alturas.

Desci.

Vivo como se nunca houvesse pensado, o que pensei, naquela tarde!

“Deve-se ter muita coragem ao lançar-se no desconhecido da morte, a enfrentar as incertezas e dúvidas da vida!”

Eu, você e o cavalo!

14 jan

Naquela manhã clara me encontrei naquela planicie e ao fundo dois cumes, que ao longe parecia-me, como se estivesse andando sobre o ventre de uma fêmea, e lá ao fundo, os dois irmãos gêmeos.

Ao ficar entre ambos, aparece-me você sobre o monte esquerdo. Você olhava fixamente para o cume do outro lado, o que me levou a observá-lo, e lá estava um cavalo.

Nunca vi algo semelhante. Parecia mudar de forma à medida que você olhava para mim, e eu olhava para você.

Inicialmente era um cavalo branco. E, muita palavras irreais ouvi de você, porém, senti brotar em mim, um espírito revelador e deu-me coragem a prosseguir o caminho que poderia guiar-me até você, ou até ao cavalo.

Resolvi ir a seu encontro, o cavalo branco, metamorfoseou-se. Abriu enormes asas.  O tenebroso para mim, é que ele ameaçava voar sobre mim, enquando esbaforia fortemente e empinava constante e rapidamente.

Ele empinou. Abriu novamente as asas; Desceu o morro galopando;

E, então, vi pela marca que havia no pêlo, que aquele cavalo pertencia a seu esposo; entretanto, ele veio a mim, e permitiu que eu o montasse.

Uma vez, porém que estava sobre ele, tornou-se indócil e incontrolável, mudou sua cor, e tornou-se um cavalo baio, pedeu as asas, e ao longe, quando sair de perto dele, e já não mais te vi, ele havia se transformado num cavolo totalmente negro.


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