Corpo, Alma e Espírito

Março 9, 2009

Nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer

O sistema ora é machista, ora é classista. E, a pressão ciclo-sócio-hormonal” é intensa. Muitas e muitos sofrem com esta pressão. Não importa de onde vem a sentença, o machismo sempre dá um jeito de aparecer e impor-se.k_utero-1

Eu denomino de “ciclo-sócio-hormonal”, este ciclo determinado pela ciência: NASCER, CRESCER, REPRODUZIR, ENVELHECER e MORRER.

Esta pressão e opressão é duro, insensível, desumana, cruento, para o gênero feminino.

Para as mulheres, o fato de não terem ao menos um filho, é visto, em muitos casos, como sinônimo de FRACASSO.

Esta incompletude além de cobrada, é também imposta com outras regras, em especial uma que diz: - Para se ter um filho, é preciso ter marido.

Alguns trastes podem nem prestam, mas, tem que ter aquele, amplamente divulgado como: “O pai do meu filho”.

Não importa o sucesso que ela tenha obtido nas ciências, nos estudos, nas finanças, na faculdade, no direito, na psicologia, na política, nos esportes, etc..

Não importa se ela é famosa, rica, poderosa. Passou de certa idade, continua solteira, não usou o aparelho REPRODUTOR, é vista com  reservas, e alguns comentários sórdido surgem nalgumas rodinhas de amigos, e também, fazem parte dos diversos comentários familiares.

As cobranças  sobre este item do ciclo humano é veemente. Na falta do mesmo, é como ter adquirido o rótulo e ou o diploma de INCOMPETENTE. As cobranças são tão populares, que, as próprias mulheres se colocam na posição. 

“… me dei conta de que eu era A solteira. A única que não fazia parte do contexto: separada, sem namorado, sem filhos, sem uma baita barriga de gravidez.
Ok, eu não sofri dessa vez, foi mais um catatonismo e um reconhecimento da minha condição. E sério, não sei o que dizer sobre esse assunto… só sei apenas que tudo o que pensei é que estava desencaixada, como se tudo em volta estivesse em outra rotação.” –
Acalma Alma Má.

O melhor testemunho que li sobre o assunto e copiei para o texto.

Aqui na cidade, já ouvi algumas reclamações de amigas que sofrem esta pressão hormonal uterina. Elas sofrem com a validade dos óvulos, e com a pressão social, a cobrança familiar, porém, se não casarem e tiverem um filho, são mal vistas, e difamadas. É como, se fossem inúteis à existência se não REPRODUZIREM, sem também seguir as regras sociais.

Algumas, só falta gritar:

- Eu quero REPRODUZIR.

Mas, porém, contudo, todavia, no entanto, para tal evento, e para não ficar mal na fita, eu preciso de um par. Necessito de um marido. Eu careço de alguém que me queira. Não existe um meio termo para elas: Ou abraçam tudo ou arca com todos os ônus.

Na linha descendente do ciclo, (Envelhecer e Morrer), deixa de existir a cobrança, e passa aos comentários depreciativos, acusadores e inquisidores. É como ter que olhar e conviver com a constante acusação:

  • Você não reproduziu;
  • Você entrou e saiu desta vida e não cumpriu o ciclo;
  • Você falhou;
  • Inútil;
  • Imprestável;
  • Incompetente.

O fato é que as cobranças existem. Não importa a situação. A idéia é a mesma: quem se casa, constituem família, REPRODUZ, ENVELHECE, e MORRE foi bem sucedida.

As solteiras, mesmo com todas as outras questões resolvidas, nada realizaram! O sistema funciona assim. Somos julgados, comparados, ainda somos condenados pela sentença antiga da ciência: Nascer, crescer, REPRODUZIR, envelhecer, morrer.

Pressão maior sobre as mulheres que aproximam da data de validade. Depois deste prazo,  sem o sucesso, sem a estabilidade, sem a economia suficiente para pagar um tratamento hormonal, restará a estas, envelhecer e morrer de forma ignominiosa, desonradas, oprobriosas, vergonhosa e comentada por vários familiares das mais diversas forma. Mesmo depois de morta, ainda se ouve no dia do velório:

- Morreu e não deixou um filho no mundo.

Só faltam criarem o epitáfio padrão para todas que assim fizeram como: “Aqui jaz uma que não reproduziu”

Abril 30, 2008

CTRL + C

No ano de 1995 quando voltei casado e a esposa já com um filho de apenas um mês, fui muito bem recebido por amigos e familiares. Mas, isto demorou pouco.

Havia um amigo que estava em processo de divorcio nos últimos seis anos. Ele havia me consultado algumas vezes sobre a situação dele, e pedia conselho sobre como deveria se comportar diante da situação complexa que o relacionamento havia se tornado.

Quando voltei, e vendo a maneira como eu me comportava em relação a esposa, e ao filho, ele certa noite, quando olhavamos as estrelas e conversamos sobre a vida pública e privada de cada um, disse-me:

- Você tá criando uma cobra, que mais tarde vai te picar!

A observação dele era sobre a liberdade e a maneira descompromissada que vivemos até hoje. Não há cobranças. Não há obrigações diretas dela que também não seja minha.

Desde aquele tempo que eu afirmava que o ato de assinar o documento de casamento não era o mesmo que assinar um documento de supressão de personalidade.

O nosso casamento, é até o dia de hoje assim guiado. Temos áreas comuns de entendimento. Há uma área diplomaticamente desmilitarizada entre nós, e há áreas em que é forrada de minas, e deve-se andar com todo cuidado possível, porque esta área pertence a ela, e ela sabe a área que pertence a mim.

O casamento deles acabaram alguns anos depois. Ele ficou mais próximo de mim, Kátia e Kaio, e algumas vezes, ele praticamente morava em nossa casa. E certo dia, ele disse a nós todos:

- Peço perdão por ter feito um juízo infundado sobre voces. Achava que vocês eram pessoas estranhas e que um casamento nunca poderia ser conduzido com o grau de liberdade que existe entre vocês. E quero dizer que no próximo casamento, assim tentarei viver com minha nova esposa.

Ele casou-se com uma jovem e linda menina. Atualmente, vivem bem. A ex-esposa elogia-o no casamento atual, e disse, que se ele agisse com ela e as filhas dela da mesma maneira, que não haveriam motivos para o término do relacionamento. 

A maneira arbitrária, autoritária que ele conduziu a outra esposa e familia, tornou-se ao longo dos anos, o ponto de atrito entre eles.

Ele copiou-nos apenas na maneira direta de vivermos. As regras simples. Os territórios marcados. As idéias e opiniões definidas e declaradas. Posição definida quanto a tudo que se gosta e não gosta, isto me agrada, isto me desagrada.

É bom sempre saber diferenciar a condição de seu parceiro, que as vezes pode fazer algo, mas, não quer fazer. As vezes se quer fazer, mas não pode!

E nós até hoje sentimos muito bem quanto a este episódio. É nos muito agradável saber que, apesar da distância, há outra familia, que segue nossas idéias e modos como um padrão. Uma sensação agradável que estamos num bom e reto caminho.


Abril 11, 2008

Descobri que amo meu marido

Mulher é mesmo bicho esquisito. Algumas vezes elas tem algo que nem sabem que tem. Mulher é tão vasta externa e internamente que até desconhece a si mesma. Outro dia, uma amiga, (Não tem blog, e reclamou por não estar na lista anterior das queridinhas do Adão Braga) me escreveu:

ADÃOOOO! DESCOBRI QUE AMO O MEU MARIDO!

Eu pensei comigo mesmo:

- Elá tá dizendo isto porque resistiu a 3 ou 4 cantadas.Talvez, ela esteja confundindo fidelidade com amor.

Devo afirmar aqui, que as mulheres conseguem ser fieis, mesmo quando não amam, e, nós homens conseguimos ser infiéis, mesmo quando amamos!

Atraves da fidelidade pode-se provar amor? Pode-se concluir que pelo tamanho sacrificio exigido na fidelidade pensar:

É amor que sinto!

Ela é casada. Está em fase de transição de bôdas. Agora vive o momento da Boda de Perfume, e em evolução ao período da Boda de Latão. Eu e Kátia já estamos nas Bodas de Marfim.

É admirável o fato dela dizer e acreditar ter descoberto que ama o marido apenas agora. Qual o problema?

Na minha opinião, o que há, não é falta de amor da parte dela, mas, tão somente, uma confusão de idéias e vivências.

Atualmente, as idéias de amor, é muito complexa, e as vezes inatingivel. Tem-se estabelecido que o amor, é esse evento meloso de dar flores, caixas de chocolates, lembrar datas, abrir porta de carro, lembrar e presentear a companheira em datas especificas. Coisa mais sem sentido isto.

Qualquer um ou qualquer uma pode viver assim. Complicado nos dias atuais é viver um relacionamento quando não existe esta realidade. Logo se pensa que não há amor, quando estas frivolidades não fazem parte da vida do casal.

Ela, descobriu que amava o marido como? O que ele fez que houve o clique nos tico-tecos dela? Houve alguma mudança de comportamento dele? O que ele fez, ou ou que ele disse que ela descobriu que o amava?

  • Muitos tentam explicar o que é amor?
  • Muitos querem definir como se amar?
  • Muitos desejam apalpar o amor!
  • Muitos querem domar o amor!

Mas, só quem ama é que sabe como é o Amor, e que o amor não precisa de explicações, não necessita de definições, porém, o amor não rejeita um apalpo, um afago, uma atenção, porém, rejeita qualquer tipo de dominação!

Há por nossa parte um certo preconceito em pensar que mulheres em outras culturas, em que os casamentos são arranjados e muitas vezes negociados entre os pais, que as mulheres não são amadas, e que não há amor. Eu discordo.

Conheci famílias que foram assim constituidas, e entre eles, havia muito amor. Muita entrega. Muito sentimento. E, posso até deduzir, muito mais sexo do que nos casamentos que atualmente nossa cultura cultua como sendo a excelência em convivio.

Felicidades galegas. Que seu amor cresça e frutifique! Você não descobriu que amava seu marido, você caiu em si e descobriu como é, e também descobriu o que é AMOR.

Descobriu que o amor, não é quase nada do que te disseram há não muito tempo. E também descobriu que os conselhos daquelas revistinhas que você lia na adolescência errou muito as definições e as dicas para um casamento feliz.


AVISO:

Esta semana foi um tanto catastrófica. Alguns aparelhos eletro-eletrônico aqui de casa queimaram, a maquina de lavar, o DVD, e o Computador. A moto furou a camara, rasgou o pneu. Pedro caiu da bicicleta, e por falta do PC, talvez eu tenha mais uma semana sem PC, até, as finanças permitirem comprar outra placa mãe, memória e HD para montar um outro PC.

Que Deus livre todos vocês de uma semana catastrôficas como esta que passamos!

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