Corpo, Alma e Espírito

Outubro 8, 2008

Poderes

Naquele feriado de todos os santos, num dia nublado ele resolveu sair com seu filho menor. Uma criança paciente, educada e admirável por sua conduta integra. Sempre alegre, solicita, meiga, apesar de alguns acharem que os adultos da família a deixasse abandonada.

No cotidiano, era uma criança comum. Jogava video-game, assistia aos desenhos animados da tv aberta, quanto da tv por assinatura. Já sabia ler e escrever. Não era alheia as estruturas e regras sociais. Tanto quanto as oçpões e regras morais, quanto tanto com as leis e regras éticas.

Tinha em seu pai o exemplo de homem, de herói, de amigo. Porém, havia em seu pai algo estranho para os dias atuais. No mundo globalizado, industrializado, informatizado, eletrônico e voltado para estas bugigangas da tecnologia, eles estava sempre lendo velhos livros, antigas orações.

Não que ele soubesse ou percebesse. Era o comentário generalizado entre os famíliares sobre as estranhas predileções pelo mundo sobre-natural, e rezas e orações antigas.

Andava ele com seu infanto pelo parque quando se viu cercado por aquela súcia. A ação e reação institiva foi puxar o filho para entre as suas pernas, protegendo-o com os braços.

- Levanta covarde! – Disse um deles!

- Coisa de corno, esse seu programa de feriado hein? – zombou outro arrancando uníssona gargalhadas. Recebeu socos, safanões, empurrões.

- Não fala nada não! Frouxo! O gato comeu sua língua?  – Num tom gutural e com a língua entre os dentes falou como num breve múrmurio:

cai idú’ hippós clôrós’, cai rô caté-menus épánu autu ônoma autô, tanatós, cai rô êcolutei metá autu; cai edidomé autóis écsousia épi tó tetarton tens gens, rapokteinan en romfaia cai en limfô cai en tanato cai rupó ton térion tens gens.

Não terminara de cerrar a boca e o terror se abateu sobre o mais agressivo.

Vendo o comparssa em desespero, inquiriu ameaçadoramente.

- O que você fez?

- Não se preocupe, você terá o seu!

Foram espalhados. Corriam de um lado para outro como que fugindo do invisivel. Um a um foram tombando. Não demorou para a polícia chegar. Não souberam explicar, o como, o porque, que todos aqueles mortos estavam com olhar petrificados, pupilas dilatadas.

- Deve ser algum tipo de drogas que tomaram!

Não muito longe, pai e filho chegaram em casa. Ele correu para os braços da mamãe. Abraçou-a e num cochicho quis saber:

- Mamãe, o que significa cai idú´ clôros?

- Onde você ouvi isto?

- Foi o papai quem disse!

- Quando foi?

- La no parque!

- Vá tomar seu lanche que está sobre a mesa!

Entrou na biblioteca e puxando um dos antigos livros procurava explicações, e no verbete de Todos os Santos, leu as seguintes palavras:

“No dia de Todos os Santos, é o dia em que todos os demônios e espíritos podem andar livremente – só voltam às regiões inferiores à meia-noite do Dia de Finados. São implacáveis quando invocados, e não deixarão de executar a tarefa que lhes foram confiadas.”

Agora que foram invocados, tais agentes não cessariam suas atividades enquanto a terça parte de todos os familiares daqueles não fossem capturados e levados ao mundo inferior. Pegando o livro sagrado dos cristãos, abrindo-o no último livro, procurando nas referencias, encontrou o trecho correspondente, e assim está escrito:

“Eis um cavalo amarelo. Aquele que estava assentado sobre ele, tinha por nome Morte. O inferno o segue. Foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, com fome, com peste, e com as feras da terra”

- Porque você fez tal invocação? – Perguntou-lhe interropendo suas preces e tirando-o do êxtase.

- Eles ameaçavam seu filho!

Olhando-o ternamente, beijou-o com carinho. Saiu e foi para a copa onde o pequeno estava tomando o suco. Pegou-o no colo, abraçou-o e disse:

- Papai te ama!


Setembro 16, 2008

O inferno, o paraíso e a motivação

Arquivado em: Alma Humana, Relacionamentos, homens, mulheres — by adaobraga @ 12:13 am
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Se um homem for enviado ao tormento milenar depois do sexo, passará nove séculos lembrando o último momento, e o último século, será motivado pela esperança de repetí-lo.

Se um homem for enviado ao paraíso depois que lhe negarem sexo,  qualquer paraíso, deixará de existir, pela lembrança deste último momento. Todo e qualquer fração de tempo, por menor que seja, será um milénio de tormento.

Fevereiro 11, 2008

Conflitos revelados

Arquivado em: Participação, Vidas — by adaobraga @ 1:25 pm
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A tarde era longa. Sentado num largo e espaçoso sofá, e já visivelmente desgastado pela espera, o jovem demonstrava desconforto. A curiosidade animava-o, tanto quanto, o fazia temer.

“A sala especial” – só se entrava lá acompanhado de um membro influente, respeitado, e conhecido por todos e ou quando se era convidado. Não se comentava sobre o ambiente; não se comentava o que se ouvia naquele ambiente. Até aquela idade, não sabia detalhes do interior dela, a não ser a aura de mistério e total desconhecimento.

 Foi intimado a estar ali. E ainda que apreensivo e desconfortável, fazia força para permanecer, e não desejava perder sua primeira ou quem sabe única oportunidade de adentrar aquele tão misterioso espaço. Nem todos eram convidados. Sentiu um misto de alegria e angustia. Deparou-se com uma nova sensação. Indescritível por nunca tê-la sentido, sem explicação por não saber por onde começar e se soubesse, não sabia como expressar, estava sem palavras.

Antes do escurecer, fora introduzido ao interior da sala. Entrou, ressabiado. Olhando todo o ambiente, como que seguindo o velho conselho de que “nenhum caminho é sem saída, para quem sabe olhar para trás”.

Decepcionou-se em não encontrar nada de estranho e anormal na grande sala. Podia-se ver a grande quantidade de obras de artes e artefatos antigos; Sentou-se confortavelmente.

- Você terminou a pós-graduação em arqueologia e história – Disse o patriarca quase octagenário. – Têm diversos conhecimentos. E você foi chamado aqui para começar seus trabalhos para nossa imensa família. A semelhança de muitos outros, você agora vai saber por que esforçamos para que você fosse historiador e adquirisse estes conhecimentos.

- Eu quis meu avô! Era meu sonho ser um conhecedor da história… – antes de continuar, foi interrompido.

- Não o chamei aqui para ouvir do que você pensa… Então não gaste suas energia, em tentar me convencer com estas idéias egoístas de que você escolheu, era o que você sempre desejava, era seu sonho, e etc, etc e tal. Você fez o que desejavamos, e era o que precisávamos. – tentou interromper, mas foi intimidado com um olhar de desaprovação.

- Nós investimos em todas as áreas do conhecimento. – E tomando um exemplar da Bíblia, abriu-a no profeta Daniel e leu – “muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará.” Esta falando de nós aqui.

Olhou-o e sorriu. E então continuou a explicar que muitos outros antes dele, haviam estudado e concluído seus estudos para servir aos interesses não deles mesmos, mas da família.

Uma grande família, e que há mais de quatro mil anos estavam empenhados num projeto. Não um projeto secreto da maioria da humanidade, mas tão somente desconhecido. Um projeto, que se concretizado, todos poderiam obter vida eterna.

A pergunta que todos que entravam na sala faziam era porque este projeto tinha que ser assim conduzido. E a explicação era longa e demorada. E sempre começava com as palavras do último livro do novo testamento, o Apocalipse. – “E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;”.

O que é desconhecido da grande maioria, é que estamos nesta guerra porque fazemos parte da facção que deseja disponibilizar vida eterna a todos. Muitos estão empenhados. Até o momento, é como declara o apostolo: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno”.

Enquanto a outra facção promete vida eterna para aqueles que submetem aos seus desejos, e segue os ditames, dogmas, doutrinas diversas através das muitas religiões, nós queremos disponibilizar a vida eterna para todos humanos e todas as raças criadas, não apenas aqui, mas em todo o universo. – Sem saber como reagir, apenas olhou em volta, de si, e observou o ambiente, para certificar que não havia mais pessoas na sala. -As luzes foram apagadas. E no fundo da sala começou a ser exibida imagens de ciências antigas.

Começando pelos egípcios.

E com ela explicações de que estes povos antigos mumificavam seus mortos, para uma época futura, onde poderiam ressuscitar e também alcançar a imortalidade. E não se tratava apenas de crença religiosa. Era parte do planejamento. Imagens antigas revelavam muito mais do que simples crença, mostrava certezas. E finalmente algumas explicações passaram a fazer sentido.

O plano de alcançar a imortalidade, fora idealizado no céu, quando um querubim descobriu o plano secreto de salvar qualquer raça espalhada no vasto universo que caísse em desgraça, ou seja, que fosse condenada a situação de mortalidade.

O plano, chamado pelos cristãos de plano da salvação, foi ativado, por nosso movimento. Planejaram e executaram com êxito até o momento que o Todo-Poderoso foi informado dos planos do movimento.- Ele conseguiu colocar um espião em nosso meio. E foi avisado momentos antes de obtermos êxito. Ele então teve que tomar providências e teve que mudar regras e adaptar ambientes. Quando percebeu a cilada, eles já estavam avançados nos planos de salvar a raça caída, e nós já estávamos em vantagens em nossos planos.

Ele fez uma pausa e disse

- Você deve estar se perguntando: que projeto é este? E eu vou te responder agora. E continuou com uma breve explicação dos cromossomos. E então perguntou: Como foi que Maria ficou grávida? Como foi que o Nazareno nasceu? Uma mulher foi fecundada, e estamos atrás deste elemento, este pequeno gene, que deu características únicas a este homem nascido na palestina; é para nós o elemento que falta para alcançarmos a imortalidade.

O elemento y do cromossomo do Todo-Poderoso. Ele ressuscitou o corpo, e teve que quebrar regras, pois como disseram, “que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”, eles tiveram que improvisar.

Isso nos atrasou. Entretanto, deu-nos tempo para avançar e criar nosso ambiente. Já fizemos diversos experimentos. O bebê de proveta, e agora as mais avançadas técnicas e conhecimentos nos campos da genética. Tudo está preparado para nosso passo final, encontrar os artefatos que nos falta.

- E quais são estes artefatos?

- Os pregos, a madeira da cruz, a lança do soldado, o lençol verdadeiro, a coroa de espinho, e tudo que foi usado na crucificação do homem de Nazaré, inclusive algumas pedras que ficavam ao pé da cruz.  Ele ressuscitou o corpo, mas não pode levar estes itens.

Estamos há muito envolvidos no projeto, a parte da ciência está avançada, falta a parte jurídica que está empenhada nas questões éticas da clonagem humana, alguns detalhes técnicos da genética que estamos incrementando; agora você e sua equipe, vão reforçar as buscas por estas peças.

 Sua equipe esta lá fora te esperando. Ultimo aviso: – Não perca tempo com o Sudário, é uma falsa isca, o verdadeiro lençol está oculto. Estamos empenhando por nossos planos, eles se esforçam pelos deles. Tenha cuidado! Haverá aqueles que tentarão te impedir. Há deles entre nós e nossos entre eles.


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