Kátia está curtindo as férias junto com as crianças lá pras bandas de Recife. Voltará depois do carnaval, assim, ela pensa, deseja e planeja, se será real, saberemos depois. Os conflitos pessoais ante a grandes e quase inumeráveis opções que a vida moderna oferece, choca-se com o que a natureza exige para a maioria de nós.
Não faz muito tempo, as mulheres casavam-me mais jovens, e tinham filhos, com menos idade do que nos dias atuais. Os casamentos duravam mais, e pouco se sabia, sobre a vida do casal. Entrar no quarto do casal, sem pedir permissão, era visto como afronta, descuido e intromissão.
No entanto, apesar de muitos entraves culturais, sociais e por que não dizer, conceitos religiosos contrários, isto tem mudado, com a força do mercado e das exigências educacionais. As jovens, parte delas, estão cada vez mais, sexualmente ativas, e não querem ter filhos, e muitas, nem querem ter um casamento, um compromisso, um contrato de relação estável e duradoura.
A vida das mulheres desta atualidade, é de agenda cheia. Muito trabalho, e em muitos casos muito pouco prazer. A busca pela posição social ideal bate de frente com o desejo da maternidade, mas, a maioria ainda sonha com um parceiro ideal, e um casamento de contos de fadas, e espera ouvir: serão felizes para sempre.
Os custos, de se manter um relacionamento é alto. Um casamento, um relacionamento é um investimento, uma conta, que jamais cessa. E mesmo, quando dizemos acabou, e toda a papelada da justiça, já está devidamente assinada, e tudo desfeito, ainda assim existem os laços que nos prendem como pessoas emotivas, e necessitadas de companherismo, atenção, carinho e amor.
Relato 1
Mas, o que me impressiona muito são algumas mulheres e homens que vivem presos, e prendem outras pessoas em prisões circunstanciais, impedindo-as de se manifestarem e de serem o que não precisam ser:
- O que vocês não sabem, – gritou ela – é que faz dois anos amanhã, que este homem, deita naquela cama, e não importa, como eu esteja vestida, … se estou suja, se estou limpa, cheirosa, nua, de camisola, se me preparei para ele ou não! Faz dois anos que não toca em mim! – Gritou mais alto – E vocês ficam pensando, que ele é santinho, ficam do lado dele, protegendo; E porque me conhecem desde que nasci, que sou eu, quem sou a problemática… vão se lascar vocês todos!! – Desabafou e saiu chorando!
Todos olharam para ele, e finalmente as mascaras cairam, e ele, ficou emudecido, “com cara de viado que viu caxinguelê”.
Relato 2
- Esta semana entro com uma ação contra ele e a mãe dele. Ele tem 26 anos, vive com ela, não estudou, não trabalha, e sobrevive da pensão que o pai dele deixou pra ela.
- Certo e qual é o seu plano?
- Pretendo tirar ele da dependência dela, e se, eu conseguir que ela pague uma pensão para meus dois filhos, que é também filhos dele, coloco ele na escola, para terminar os estudos, e também vou usar este dinheiro para montar algum negócio para ele.
- Você já pensou no efeito colateral?
- Qual?
- Que ela, a mãe dele, pode fazer a cabeça dele, para ficar com raiva de você, e eles pagarem a pensão e ele nunca mais querer ver você nem querer vir aqui ver as crianças? Você já combinou com ele estas mudanças na vida dele?
- Não!!
- Já pensou, que para ele, será apenas troca de comando? Deixar de viver dependendo da mãe para viver dependendo de você, que é profissional liberal, ganha bem, tem casa, carro, e já está estabilizada, e que para ele, tudo não passa de uma briga de duas mulheres por ele? E que as duas estão medindo forças?
- Não??
Viver nos dias atuais, é mesmo, uma grande partida de xadrez, e quando chegarmos ao final, no xeque-mate, é sempre o nosso rei que tomba!
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