Escrevo textos para a internet desde o inicio da década passada, ou seja, por volta de 2001 já escrevia e publicava na internet. No inicio os textos eram voltados para as reflexões e interrogações espirituais e religiosas. Questionava as realidades, as doutrinas e tudo que era possível questionar em relação aos dogmas e doutrinas. Escrevi textos que me renderam algumas criticas, em especial dos idiotas que liam o título e corriam para a área dos comentários. Neste blog: Corpo, Alma e Espírito, um dos textos que mais tem rendido comentários adversos é este: Desmistificando Clarissa Pinkola Estés.
Um dos pilares da democracia é a liberdade de expressão. E liberdade de expressão, não é o mesmo que concordar um com o outro. Sermos iguais. Defendermos todos as mesmas ideias, termos os mesmos argumentos. Eu procuro sempre respeitar as ideias e as pessoas. Mas, tenha paciência! Algumas pessoas tem comentado o texto e querem ser superiores a mim ou a outras pessoas por que tem formação em psicologia, ou porque estudou a teoria da "gestalt" e seja lá de Brentano, quem sabe Charcot e Freud.
Não me importa se você já leu o livro, ou os livros da Clarissa Pinkola Estés mais de um milhão de vezes, e que já conhece as teorias de Jung, de Piaget e Lewin, Moreno e Freud. Quem sabe você é das que, ou dos que, leram e estudaram e são formados e conhece as principais correntes da psicologia (Husserl e Heidegger, Pavlov e Watson, Jung e Lacan, Searle e Bettelheim, Winnicott e Rogers, Foucault e Dolto) NÃO ME IMPORTA. Anote ai:
EU LI O LIVRO! E o livro tem conceitos idiotas. A autora explora de forma tendenciosa. A autora se contradiz. A autora enche o saco com uma visão distorcida sobre os gêneros. A autora insiste na divisão dos gêneros ao ponto de criar uma divisão esquisita entre homens e mulheres: nós homens somos pobres diabos enquanto as mulheres são criaturas divinas presas em um pedaço de carne e feliz é o homem que a reconheça como divina. E eu tenho este direito de ter uma opinião contrária a você e também discordar da autora.
Sei que muitas admiradoras, discípulas, estudiosas das mais diferentes e estranhas formas de psicologia poderá opinar, e será publicada, contestada e comentada, se eu quiser. Mas, vamos lá! Vamos a mais pontos que não me atrai em Clarissa Pinkola Estés no livro “As mulheres que correm com os lobos”
1 – Entender Clarissa Pinkolo Estés, segundo o testemunho de algumas que leram e comentaram o texto, e outras que me enviou e-mail, é tão difícil quanto entender a Bíblia e decifrar os desenhos e as linhas de Nazcas. Decifrar os mistérios da ilha de Páscoa. Ou seja, não basta ler o livro. Tem que entender das ideias e ler tudo que C. Jung escreveu e saber pelo menos, metade da psicologia analítica. Tem que saber as teorias e as tendências psicológica de todos os grandes mestres da psicologia e da psiquiatria atual, moderna e antiga. E também tem que ter a iluminação de uma entidade superior para capacitar aos não iniciados nas ideias da Clarissa Pinkolo Estés.
2 – Discordar da Clarissa Pinkolo Estés não é para qualquer imbecil. Tem que ter no mínimo doutorado. E, somente os com PHD e THD é que se pode discordar. Se você não tem nenhum deste títulos, você é apenas um idiota que não entende de nada e quer aparecer as custas do sucesso e da aceitação da Clarissa.
Para a maioria da população não se pode, por exemplo, criticar o analfabetismo do ex-presidente, que logo se diz: mas ele é muito inteligente. Como que se ser inteligente seja condição que dispensa aprender as letras. Ou seja, para uns, ou para o ex-presidente, ser analfabeto é quase uma virtude de sua inteligência. É como que queiram dizer: é tão inteligente que dispensou ser alfabetizado e assim mesmo se tornou o que é. Mas, faz comparação exatamente com o sociólogo. O que estudou e não conseguiu fazer tanto. Mas, no caso da Clarissa é o contrário: você estudou a doutrina junguiana? Não? Fique sabendo que ela é a maior especialista viu? – Me comove!
3 – Imposição da formatura. O outro extremo é querer usar os títulos, os estudos como: “cala boca que eu estudei isto e sei do que estou falando, escrevendo e pensando.”
Isto pode até valer ai em seu raio de ação e no seu meio social. Aqui, no blog, e na internet de forma geral, não é assim que funciona, não! Leia. Entenda. Se concordar ou se discordar, apresente seus argumentos. Não vem logo dizendo: eu sou formado em…, eu trabalho nesta área faz milhares de anos, “eu sou junguiana”, “eu sou psicólogo”, “eu sou psicóloga”… como uma forma de intimidação intelectual. Conheço tantos formados que sabem tão pouco da formatura… Por outro lado: Eu também estudei. Estudei TEOLOGIA. Estudei FILOSOFIA. Estudei Psicologia. Estudei Grego. Estudei Hebraico. Estudei Algoritmo. Estudei tecnologia….e daí? Isto não te dá o direito, de querer violar o meu direito de expressão, minha liberdade de comentar e discordar, de ter ideias e opiniões diferentes. E, nem a mim de aceitar opiniões contrárias, e de reconhecer, dentro destras regras, quando você está correto, e eu incorreto nos conceitos e nas teorias. Então, não me intimide. Apresente seus argumentos.
Leia com atenção o texto da imagem abaixo que faz parte do Capitulo 5. A caçada: Quando o coração é um caçador solitário, página 190. É só um exemplo. O livro tá cheio deles! Você que é fã, fiel discípulo(a) da autora pode achar lindo e maravilhoso, revelador, quem sabe uma epifania. Para mim, é só uma prova da confusão do que é mente humana, na opinião da autora.
Pois então vamos lá. O capítulo começa falando do quanto os lobos são bons em seus relacionamentos e depois a autora introduz a história da Mulher esqueleto. Mas, ai você vai argumentar, que a Clarissa tá argumentando de forma alegórica, é um arquétipo, que é uma alegoria… que é isto e aquilo… seja o que for: não cola comigo. Veja a confusão do paragrafo. Abaixo tem os comentários nas cores marcada na imagem.
1 – Basta entrar em diálogo direto com a natureza da vida-morte-vida. Como exclama minha amiga carioca: CARACAS! O que isto significa? Um diálogo direto? E como é que se tem certeza de que está sendo direto?
2 – Prestando atenção à voz interna QUE NÃO É A DO EGO. Caracas de novo! Pô! Eu tenho que conversar com a natureza da vida-morte-vida… tem que ser direto, mas, tem uma voz interna, e tem outra voz interna a do EGO… caramba meu!
3 – Caracas mais uma vez! As perguntas tem que ser INCISIVAS senão… senão acontece o que? Ah! a natureza vida-morte-vida, vai só ficar batendo um papo, sem responder nada de interessante.
4 – e depois ouça as respostas com atenção. Presta atenção MANÉ! senão a natureza vida-morte-vida, te responde e você não aprende. Vai ter que começar tudo de novo!
5 – Ai complicou de novo. Afinal, tem outra voz, que não é a voz da natureza vida-morte-vida. Que não é a voz interna. Não é a voz do ego. E temos que ter muito cuidado com ela: “… nos deixar levar pela voz irritante que nos diz do fundo da mente;…” CARACAS ADÃO… como isto é complexo. Eu não tinha reparado! Mas, tem tantas vozes ai! Por isto que os crentes diz que existem legiões de capetas dentro da gente?
6 – Por fim: Aprendemos a ignorar essa voz e a dar atenção ao que se OUVE POR TRÁS DELA. – Caracas mil vezes. A voz que vale, é a última. A voz que está por trás. Pô! por que tem que ser assim. A voz que vale é aquela que está por trás, e se, eu ficar lá atrás, a voz vai mudar para o lado de trás do outro lado? Deixa de besteira, isto tudo é figurado, é o tal do arquétipo, é na base da intuição… vá estudar Jung!
E ainda a autora vem e escreve: APRENDEMOS A SEGUIR O QUE OUVIMOS.
Que coisa medonha é esta hein? Com tanta coisa dentro de nós falando, com tantas vozes ecoando, com tantas vozes a serem ouvidas, escutadas e também IGNORADAS, DIFERENCIADAS, enumeradas, elencadas… calma gente, mas tudo isto tem seu lado maravilhoso. Viu ai como é fácil, segundo a Clarissa ter “uma percepção mais aguçada, do amor de devoção e de uma visão nítida da alma” ?
Sei que você estudou a matéria. Sei que você gosta do assunto. Mas, não me chegue aqui declarando sua profissão, sua atividade, seus doutorados, seus mestrados. E daí? Eu também tenho os meus estudos, tenho minha profissão, sei ler, sei interpretar, sei escrever, sei elogiar, sei criticar. Você pode não concordar comigo. Mas, querer que eu abandone minhas opiniões, posições e ideias por que você pensa que estudou mais do que eu? Por que pensa que sabe mais do assunto do que eu?
Ai é outra coisa! E, eu não concordo! Fique com sua opinião e eu fico com a minha. Mas, pode opinar? Pode! Isto pode! Eu concordo também com o seu direito de ter opinião, inclusive opinião contrária, mas, isto não é por que você leu o livro 10 vezes a mais do que eu!
Clarissa Pinkolo Estés: eu discordo dela quanto mais de você que é leitora dos livros dela!
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