O dia da criança de hoje é diferente daqueles dias que eu fui criança. Hoje criança tem direitos, e não só isto, muitos pais os respeita, apesar de outros muitos não.
No tempo de minha infância eu tinha parcos direitos, e se os faltassem, não tinha o direito de reclamar, pois, era dever, e era exigido que eu, mesmo sendo criança, dentro da situação saber porque meu direito não foi devidamente cumprido, respeitado.
- Você não tá vendo que o mar não tá pra peixe menino? Aonde este menino anda com a cabeça?
Não foi por isto que cresci revoltado, traumatizado, violento, reclamão, descontente. De fato, ter sido inserido no contexto social familiar a ponto de ver a realidade muito me ajudou a entender, em alguns momentos a situação de meus pais.
Aqui em casa há duas crianças, mas, Kátia insiste em dizer que SOMOS EM TRÊS.
- Adão, se comporta como se fosse criança. Ele quer discutir e debater com Pedro e com Kaio como se ele tivesse a mesma idade! – Reclama sempre"!
O que me incomoda, nem é isto. É que as vezes, me pego exigindo deles, equilibrio emocional, espiritual e racional que ainda lhes faltam. Isto me incomoda.
- Poxa! Eles são apenas crianças! – Concluo em meus pensamentos.
Neste dia das crianças não pudemos comprar-lhe presentes. As tia compraram e estão distribuindo entre eles. É diferente. Não é a mesma coisa de receber de painho e mainha!
Os filhos que Kátia me deu, me emociona com certas atitudes, e não é apenas uma ou outra, já várias vezes já fizeram isto. A mais recente foi a de Pedro Henrique.
- Mainha, dia 14 é meu aniversário não é? Dia 12 é dia das crianças, não é? A senhora pega o dinheiro que ia comprar o presente do dia das crianças, e pega o dinheiro que ia fazer a festa de meu aniversário, e coloca as janelas na casa, porque, já tá pra começar a chover e vai molhar tudo de novo!
Era esta atitude que meus pais queriam que eu tivesse. É a atitude que muitos pais querem que seus filhos tenham, no entanto, não os deixam entrar na cãmara sigilosa dos pais para poder acompanhar o dia-a-dia deles, e saber se a situação tá ou não pra peixe.
Neste dia das crianças nós iremos jogar WAR, video-game e brigar muito entre nós, porque nós três vivemos como crianças: brincando, brigando e voltando a brincar e a brigar.
Kátia tá certa: somos três crianças. Isto deve incomodar. As mulheres depois de adultas, não querem e ou não conseguem mais ser crinças, só sabem ser mães, esposas e mulher!