Quando chegou na recepção do Hemocentro, as pessoas olharam para ele. Um senhor que esperava a chegada deste doador, no entanto, passou chorar em desconsolo.
- Calma! Tenha paciência, ele chegou a tempo!, Tudo vai correr bem! – Disse a bonita jovem que o acompanhava, beijando-o carinhosamente, enquanto enxugava-lhe a face.
No balcão, o recém chegado, olhava aquelas pessoas, e sabia exatamente o porque daquele choro.
Morar em cidades pequenas tem suas vantagens e as desvantagens também são inumeras, e naquele dia, ficou comprovado, ao menos para estes dois, vantagens e desvantagens.
Ele apresentou a carteira de doador, executou pacientemente as atividades burocráticas.
Entrou numa pequena sala, recebeu a primeira espetada. Em um minuto recebeu a comprovação de que o sangue era do tipo O- (Ó negativo), estava sem anemia, não havia ingerido bebidas alcóolicas, e livre de outros fatores que o impossibilitaria fazer a doação.
Assim que estava tudo acertado, antes de sentar-se para a doação, saiu da sala pois precisava ir até moto para travar, e ligar o alarme, pois havia esquecido destes passos necessários à segurança e proteção do seu veículo.Passando pela recepção, o desconsolado levantou-se e correu até ele e disse:
- Por favor! Por favor! Não deixe de doar. Me perdoe, depois, você acerta o que quiser comigo. Estou te pedindo muito! Mas este seu ato de doar pode salvar a vida de meu filho. Não se vingue de mim com a vida de meu filho. Por favor, em nome de Deus, de Jesus, de todos os santos, e tudo que é sagrado. Me perdoe!
Olhando-o sem simpatia, amiseração, comiseração, compaixão, condolência, dó, enternecimento, lástima, miseração, pena, piedade ou seja lá qual seja a palavra para expressar seus mais intimos sentimentos e pensamentos, ele preferiu o silêncio. Nada disse!
Entretanto, ao atravessasr a porta, expressou mediante um cinico sorriso, aquele tipo de sorriso que expressa uma gama numerosa de sentimentos tais como: deleites, gozo e jubilo que só a vingança proporciona.
Voltou! Doou o sangue. Saiu silencionsamente. E, os demais ficaram curiosos quanto ao comportamento daquele senhor que chorava desconsoladamente quando o doador chegou.
As explicações não tardaram a chegar. A cunhada, que presenciara toda a cena, ficou lá fora esperando o jovem doador e inquiriu-o sobre os motivos de pedido de perdão.
- Hoje pela manhã – disse ele – este senhor me humilhou na frente de muitas pessoas lá na esquina do Banco do Bradesco. E, quando tentei falar, ele agiu com grosseria e além de me ofender, desferiu um forte tapa no meu pescoço. Ficou ardido e avermelhado. Chorei de vergonha! Eu pensei em mover uma ação contra ele, mas, sei que a justiça para os fracos é mais demorada. Mas, a justiça da vida é rápida! Ele deveria está com muitas pendencias da vida para ela cobrar dele assim no mesmo dia.
- Porque você não se vingou?
- E, você quer vingança melhor do que esta? Ele agora me deve. E deve muito. Minha vingança, é ele saber que eu não sou igual a ele. Que eu sou melhor do que ele. Que eu não me impus. Não recuei. Não agir com a mesma crueldade, e muito melhor, não fui de atitudes altivas e desdenhosas; não fui soberbo, mesmo quando poderia ser. Ele agora, além de tudo, terá que conviver com este remorso, com esta inquietação da consciência e vai levar esta culpa. E, te garanto que ele vai mudar o comportamento com as pessoas no exercicio de suas atividades de policial.
Vingança ou Altruísmo, em situação semelhante qual você executaria? Será que conseguiria mesmo?