Era uma manhã fria de outubro. A avenida Dablio Um, estava escorregadia quando Homar, o filho de Antonio e Nair chegou com uma cachorra recém parida com seus sete filhotes.
Todos conheciam aquele menino do mal.
Ele praticava os atos mais crueis que uma criança podia cometer, mas, aquela manhã ele superou todas as outras crueldades praticadas.
Amarrou a cachorra no poste, e com uma marreta foi esmagando um a um os filhotes. Ouviamos os lamentos e grunhindos da cadela amarrada. Ela se debatia e grunhia.
Depois de matar todos os filhotes, desobedecendo e respondendo grosseiramente todos os adultos que tentou salvar qualquer dos pequenos filhotes, ele pegou um cabo de machado e começou espancar a cachorra. Acertava-lhe a paulada e esperava-a parar os gemidos e então dava-lhe outra paulada, e assim fez até que a cachorra morreu.
Quando converso com minha mãe, sempre pergunto por pessoas que ainda moram por lá. Há pouco tempo, perguntei por este, que naquela época era criança, que caminho havia tomado quando adulto.
- Casou-se! A mulher foi embora com outro homem, e deixou tres filhos. Ele cuida de todos; Tá magro! Acabado. Tem vinte e poucos anos, mas tá mais acabado do que o pai. Tem um filho terrivel, mas, não faz nada de mal com ninguém, só maltrata o pai, como se estivesse punindo-o. Até parece que é um daqueles cachorrinhos que ele matou.
Uma velha senhora, muitas vezes me corrigia: - Dãozin! Dãonzin! A vida cobra caro de todos que não dá valor á vida! Aqui se faz! Aqui se paga! – Dizia ela.
Não sei se isto é uma verdade absoluta, mas, é bom respeitar a vida de todos os seres, pois, todo ser vivo, se tem vida, é porque recebeu vida e merece ou tem o direito de viver!