Semana passada em uma sanha, explicável e justificável, resolvi ir embora de Irece. Ajuntei meus panos de bunda e mesmo sem nenhum planejamento estratégico, resolvi aceitar a proposta de um antigo amigo á acompanhá-lo em sua jornada política. Ele me convidou num momento crítico. Em protesto e vingança a situação que pelo momento vivia, resolvi partir, e planejei ficar por lá uns tres meses, e posteriormente, mudaria para a remota região do Pernambuco.
Deixei para trás esposa e filhos em desconsolado choro. Sair mesmo com o rumo, e com todos os pertences que tinha quando casamos: Uma sacola de roupas, porém, sem cuecas e sem meias.
Permaneci até então isolado, e sem contato direto. No sábado á noite, bati um breve papo com Pri, a galega capixaba e só. O desespero foi grande por aqui. Choro e ranger de dentes. A minha situação não é uma valhala (paraiso dos guerreiros escandinavos mortos em combate), mas também não chega a ser comparado ao tártaro (lugar mais profundo do inferno).
A esposa ficou chorosa por que ela ama a terra onde nasceu. Os filhos choraram porque nunca passamos tanto tempo separados, e ademais, eles não sabiam para que lugar eu estava indo. Apenas sabiam que eu estava indo, e também não sabiam os motivos da ida. Foi um alvoroço só.
Apenas uma pessoa soube deduzir aonde me encontrar. E foi em minha direção. Dois dias depois, ele me localizou e me entregou o celular que Kátia enviara.
Os planos:
Fui convidado para coordenar a campanha política de um amigo no Pernambuco. E sem avisar ninguém, aceitei o convite e despedi de todos, dizendo que estava indo, e se, tudo ocorresse bem voltava para irmos todos, porém, não os avisei para que lugar estava indo. Foi mesmo de próposito.
Porque o propósito?
Um meio de protestar a situação que vivo. Uma situação chata, causada, provocada por terceiros, porém, que caiu sobre meus ombros e tenho que resolver. Resolver problemas meus já é chato, imagina a consternação que é resolver problemas causados a voce por outras pessoas, inda mais, por pessoas que dizem: Eu te amo! Estas situações, parecem ser mais doloridas e desalentadoras do que muitas outras juntas.
O que deu errado?
- Uma pessoa que seja complicado de conviver: Sou eu.
- Uma pessoa que seja facil convivio: Sou eu.
- Uma pessoa que abandona o que atrapalha o convivio: Sou eu.
Posto acima, mesmo que contraditório, e tendo a viagem sido realizada, cheguei na região próxima de Recife para os trabalhos.
Nos primeiros dias, tinha como meta conhecer a cidade, seus órgãos, localizações diversas, mapeamento, e algumas reuniões com o presidente do partido, o secretário, e o candidato majoritário.
Participei da convenção partidária.
Estava lá pelo amigo, e pelo contrato proposto. Minhas tarefas seriam de coordenação politica, organização, agendamento, acompanhamento e apontar o melhor caminho para o amigo candidato.
Porém, na segunda-feira, quando tudo parecia bem encaminhado, reuniões marcadas, agendamentos feitos, compromissos marcados, me aparece o amigo-politico, e me diz:
- Dão, quero conversar com voce!
- Tá conversando!
- È desagradável, mas, é uma recomendação, e um conselho ao amigo.
- Diga homem, o que é!
- Não quero que voce fique conversando com “minha mulher” do jeito ficou lá na copa conversando com ela. Eu ouvi o que voces conversaram e não gostei! Aquilo que voces conversavam pode fazer com que voces fiquem intimos demais.
- Como é que é?
- Isso mesmo! Voce não pode ficar conversando com minha mulher. Eu já vi muitos romances começarem assim, e não quero perder o amigo por causa disso. Mulher casada, em especial a minha, não pode ficar conversando com homens não!
- O que tem de intimidade no que conversamos.
- Não importa o que, o que importa é que voce é homem, ela é mulher, voces são humanos, e pode nascer entre voces uma intimidade…
Fez mil e uma recomendações a respeito de como eu deveria me comportar diante da presença feminina; como evitar certas situações constrangedoras; que mulher alguma é de confiança; que eu somos humano; que somos fracos; ela é humana; que as coisas podem acontecer quando menos se espera; etc e tal.
Depois dele ter feito a lista de recomendações, disse-lhe:
- Ainda que sua mulher fosse a mais famosa messalina, a mais vagabunda de todas as esposas, além do desrepeito que voce acaba de cometer a ela, voce está me desconsiderando como amigo.
“Amigo que é amigo, por amor ao amigo”, não olha para a esposa do amigo, ainda que seja a mais bonita e mais gostosona de todas.
E então determinei:
- Amanhã partirei!
- Dão! Que isso! Não é necessário esta atitude!
- Não admito qualquer julgamento desta natureza á minha honra, moral e lealdade. Voce me desmoraliza e fere minha honra; quando julga que eu e sua esposa possamos desenvolver um romance, só porque conversamos por poucos minutos; voce me coloca numa posição de galanteador, e coloca-a, como mulher insinuante, e nós não comportamos assim, em momento algum.
Na manhã seguinte partir para Campina Grande. Fui para Feira de Santana. Voltei para casa. Deixei de estudar para o concurso da CEF. Sepultei a amizade com este ex-amigo. Tinha enorme consideração a ele. Muitas histórias do passado agora só terão valor saudosista e romãntica.
Não admito tal julgamento infundado a minha pessoal. Casei-me aos 26, até então, apesar ter tido alguns namoradas, foi com esta que tive relações sexuais a primeira vez, e desde então, nunca tive um relacionamento extra-conjugal, nem beijo na boca, nem romance, exceto um flerte virtual com uma certa “barriga verde”, mas, tudo dentro do permitido e acompanhamento de minha parceira, sem segredos.
Foi isto! Para quem ficou preocupada, depois explico a minha outra situação, que é mais pessoal, porém, em diversos momentos, já dissolvir em textos aqui neste Blog.