Corpo, Alma e Espírito

Maio 19, 2008

Adolescência, conflito, minha vez

Arquivado em: Alma Humana, Pessoal, Reconhecimento, homens, mulheres — by adaobraga @ 11:57 pm

Desde que atingir a idade de vinte e poucos anos que aprendi uma frase, que é a seguinte:

- Só entenderemos nossos pais, quando tivermos nossos filhos!

Hoje, devo reconhecer o quanto fui problemático, injusto, desobediente, crítico, desaforado, cruel, e tantos outros adjetivos negativos com meu pai e com minha mãe.

Recebi uma notificação da escola do filho primogênito. Ter que ouvir o relatório do comportamento insatisfatório, da indisciplina, da falta de interesse escolar, da falta de respeito com os professores e colegas de aula, foi-me, o mesmo que receber uma bofetada.

Fiquei calado. Fiz algumas perguntas. Fui á sala de aula ver e ouvir o professor. E, a cabeça aos zilhões de pensamentos, no entanto nenhum respondia a inquietante questão: “O que posso mais fazer?”

- Dialogar?

Será que não há dialogo suficiente entre nós? O tanto que conversamos, os diferentes níveis de interação, envolvimento. Será, que tanta conversa ainda não é suficiente? Ou será que esse negócio de dialogar não funcioa de fato, porque, sempre valorizamos o dialogo, e só temos mais jovens problemáticos!

- Explicar?

Dizem alguns, que os filhos se revoltam quando querem algo e pensam que os pais não dão porque não é porque não podem, é porque não querem. Devemos explicar as situações, explicar as privações, as necessidades, as dificuldades que enfrentamos, para expor os motivos pelos quais não podemos comprar aquele novo video-game de R$ 3.000,00 reais.

- Auxiliar?

Auxiliar os filhos nas suas deficiências, angustias, dificuldades. Ampará-los quando estiverem dasamparados. Compreender quando estão isolados.

… etc e etc.

A verdade é que me sentir semi-fracassado ou ler o relatório dele. Insubordinado. Desobediente. Conversador. Atrapalhador da turma. Confusento. Birrento. Não faz as atividades. Atrapalha os demais. Desafia os professores e colegas. Insurgente. Isto me deixou triste, e tenho me questionado desde a tarde se guiamos essa criança no caminho correto.

O conforto que podemos ter, temos! Temos uma casa. Móveis diversos. Alimentação. Não é tudo que queriamos, mas, é o que podemos ter. O que pode está influenciando-o?

Jà chamamos para a conversa. Já investigamos. Já instruimos. Orientamos. Auxiliamos. Seguimos o manual moderno dos pais modernos e decidimos:

- Acabou a moleza cabra! Próxima reclamação, punições severas do tempo da inquisição e técnicas anteriores a 13 de maio de 1833 serão utilizadas. É bom não querer reacender em mim alguns intrumentos de torturas de décadas passadas.

Amanhã será outro dia, e espero a colaboração, sem o uso radical da força! Porém, minhas esperanças na atual geração é frágil.

A verdade é que agora que chegou a minha vez, senti pena de meu pai.


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