Algumas vezes penso que somos tão somente uma colônia de humanos numa redoma e sendo observada por um curioso, que deverá ser apresentado como resultado de um TCC ou tese doutoral de uma pós-graduação. Nós humanos somos esquisitos. E há algumas atitudes inusitadas de algumas pessoas que me faz questionar a racionalidade humana. Eis o relato abaixo:
No ano de 1999 conheci um radialista aqui da cidade de Irecê. Naquela manhã, quando fui à casa dele, encontrei a empregada ajoelhada e em posição de quatro, encereva o piso. Passei pela sala e fui ver o PC. Algum tempo depois, voltei naquela casa e estranhei a folga da empregada. Ela estava deitada no sofá e tinha nas mãos uma pequena tigela com uvas.
- Que folgada esta empregada! – Pensei comigo mesmo. Não demorou muito ele chegou e esclareceu com apenas uma frase.
- Ela era empregada, agora é minha mulher!
Depois disto, houve avanços signifativos na vida dela. Passou a dominar a casa, e controlar a vida dele. Se ele demorava ela ia saber onde estava. Algumas vezes ela foi até a emissora para saber se ele estava lá mesmo, ou se estava nalgum “inferninho” com alguma garota de programa.
Ele que era reconhecidamente um mulherengo, raparigueiro, pai de 5 filhas, cada uma com uma mulher diferente, agora estava mudando. Não saia mais. Não procurara outras mulheres. Não dava psiu na rua para outra goratas. Nem aceitava visita particulares nos estúdios. O homem estava mudado. E tudo depois que ela entrou na vida dele.
Abandonou as baladas. As festas só tinha graça se ela o acompanhasse. Tudo na vida dele mudou. Agora, ela mandava. Ela dominava. Ela o cercava.
Ele passou a incentiva-la. Pagou curso de auto-escola. Incentivou-a a retornar a escola. Pagava-lhe todas as contas. Celulares carissimos. Móveis e mordomias diversas. Viagens carissimas.
Cada troca de móveis, os antigos iam para a casa da mãe ou de alguma irmã dela. Ela aproveitava de tudo. Cartões de crédito, talões de cheques, contas conjuntas, tudo que ele tinha era dado para ela, sem reservas.
Certa manhã, apareceu lá na rádio uma senhora com uma criança e disse que era filho dele. Entregou-lhe dizendo:
- É seu filho, e nós não temos como criar. O senhor é homem bem de vida, e tem casa, tem como pagar escola para ele, cuidar dele melhor que nós que somos pobres. Toma é seu filho!
Ele assustou-se. Chorou sobre a criança. Levou para casa. Seu único filho varão.
A geração do filho foi antes deles estarem juntos, mas, deflagou uma crise incomensurável. Desconfianças, ameaças, brigas, intrigas, suspeitas e acusações.
Ela iniciou uma guerra contra ele desde que aceitou o filho em casa. Eles havia tido a menos de um ano uma criança. Ela fazia um ano, o menino fazia três anos. Atualmente a menina tem seis anos, e ele nove anos, o que prova o argumento dele de que o envolvimento dele com a mãe do menino fora antes deles se conhecerem, mas ela, apartir de então, passou a viver em constantes suspeitas.
Abandonou o lar. Levou tudo que podia. Ele foi atrás. Trouxe-a de volta. Ela abandonou de novo. Disse que não queria saber dele. Que não queria mais ele. Ele desesperou-se bebeu todas. Ficou em coma alcoolico. Foi parar no hospital várias vezes. Virou o carro. Quase foi despedido! Humilhou-se. Implorou o retorno dela. Ela apenas disse:
- Isso não é vida para mim!
Ela abandonou tudo. Casa. Carro. Móveis. Cartões de Crédito. Cheque especial. Vida boa. Amor, carinho atenção, um homem que abandonou uma vida pregressa para dedicar totalmente a ela. No entanto, ela a esnobava.
Humilhou várias vezes na presença de amigos e parentes dele, e na presença dos parentes dela. Ela confiava que o amor, a paixão, a tesão que ele sentia por ela seria capaz de mantê-lo dominado.
Mas ele, ele guinou. Lembrou-se de como vivia antes. Como era fácil para ele trocar de mulher. Como conseguira viver e sobreviver após cinco relacionamentos deterioado. E numa tarde me disse:
- Eu fiz cinquenta anos esta semana. Meio século, é tempo suficiente para aprender alguma coisa. Sofri por amor por ela, até hoje. Apartir de hoje, minha vida muda. Agora posso viver sem ela. Já fiz o que era possível para que ela cresse em mim. Ela acaba de perder o meu amor, o meu carinho.
Desde então, ele voltou a vida anterior, e ela, que disse: “Isto não é vida para mim”, tem passado dificuldades. Não terminou os estudos. Voltou a ser empregada doméstica.
Vai entender!