Eu tinha 15 anos quando beijei pra valer uma mulher. Foi uma galeguinha. O nome dela era Célia. E depois desse beijo – o que muitas pessoas podem dizer muito tardio, aos 15 – foi apenas o inicio. Depois disso, passei por um sofrimento terrivel com uma colega da 8ª Série. O nome dela: Vanessa. Uma galega também.
Bonita, independente, sobrinha da professora Diva, a mais rígida de todas as minhas professoras de Português. Vanessa disse estar apaixonada e que queria me namorar. Nesta época não havia o tal de ficar, apenas namorar.
Marcamos um cinema. Havia na nossa cidade ainda 3 cinemas. O Cine Orion, na Av. Belo Horizonte. O Cine Bralanda, nos fundos da empresa Brasil-Holanda. E o recentemente inaugurado Cine Palácio. Um luxo de cinema. Carpete e poltronas confortáveis.
O filme: Lagoa Azul, com Brooks Shield, na época declarada a mulher mais linda do mundo. Ela nem apareceu. No outro domingo, fui e assistir “Eu, Cristiane F. 13 Anos, Drogada e Prostituida”, e perdir a grande estréia de Silvester Stalone e Rambo. Mas, como eu estava interessado na garota, entrei na outra sessão.
isso, foi determinante para descobrir toda a tramóia que a Vanessa fazia. Ela me iludia. Fingia-se apaixonada. Dizia palavras bonitas comigo. Fazia promessas futuras. Que sonhava comigo. Desejava-me.
Algumas vezes Vanessa, simulava que ia me beijar. Outras vezes, aproximava de mim, e passava a mão no meu rosto. Puxava-me as buchechas. Fazia promessas de amor. Fez-me sonhar.
Por fim, quando eu não tinha mais dinheiro para ir ao cinema, ela marcou um encontro numa igreja. Convidei um amigo para me acompanhar, o José Carlos. Pegamos uma forte chuva até chegar á igreja. Entretanto, ela não estava na igreja. Disse que foi na missa das 18:30. Acreditei mais uma vez, nas palavras dela:
- Ahhhhhhhhhhh!, mais um desencontro, eu fui na missa das 18:30.
Na segunda-feira, Sebastião Junior, o conhecido como Cobrinha, me chamou e disse:
- Adão, Vanessa tá te fazendo de otário! Ela tá tirando uma onda com sua cara… ela não estar apaixonada, não te ama, e muito menos foi em qualquer dos encontros.
Eu não acreditei em Cobrinha. Ele estava com inveja. Maaaaaas! Uma prova lógica fez a máscara dela cair.
“Vanessa! Faz favor!” – Estando nós juntos, diriginod-se a ela perguntou:
- Que filme você assistiu no domingo passado?
- Assistir Cristiane F’!!! – Foi a resposta que coadunava com o que ela disse-me.
- Em que sessão? Nas 18:30 ou nas 20:00 horas?
- 18:30!!! – Porque foi o horário que ela disse que tinha assistido.
- Vanessa! Cristiane F, não passa na matinê… eu assistir Lagoa Azul neste horário, porque era o filme dos jovens, e Cristiane F, só passa nas sessões das 20:30 por que é para maiores de 16…. – Ele provou-me o que dizia. E ela, saiu remoendo e praguejando ao Cobrinha. Desde então, estabeleci algumas regras e as seguir por muitos anos:
1 – Nunca declarar sentimentos; (nunca dizer eu te amo, estou apaixonado, gosto de você, se quiser pode deduzir, mas nunca ouvir de mim)
2 – Não fazer promessas de amor; (Amanhã estaremos juntos, nunca vou te abandonar, eu não vivo sem seu amor)
3 – Deixar em dúvidas; (além de nunca prometer, nunca dizer toda a verdade, deixar em suspense sempre, ocultar intenções, nunca revelar-se por completo;
4 – Mentir sempre que precisar. (Falar a verdade é uma necessidade, mentir é indispensável)
Essas eram minhas regras, e vivi com elas até que sentir-me seguro. Mas, foi mediante o que a Vanessa fez comigo, como ela me tratou, que me moldou para relacionamentos futuros. Norteou-me ao longo de vários outros relacionamentos.
Mediante este exemplo posso dizer: Abaixo as mulheres cagonas???. Estas que enganam, que mentem, que fingem sentimentos, que iludem?.
O pior de tudo, é que nunca conseguir repudiar a Vanessa, ela só conseguiu realizar seu intento, mendiante a minha anuência. Eu deixei-me enganar.
Ela aproveitou de mim, de minha inocência? Sim. Mas, isto não depõe apenas contra ela, mas, também contra mim, que cri nas palavras e promessas; aceitei aquelas declarações como verdadeira.
Crédula, é uma pessoa que crê com facilidade, uma pessoa ingênua, simples. E assim, o foi. Então, há problemas em quem faz promessas sem poder cumpri-las, entretanto, é até uma fraqueza ser uma pessoa crédula.
Não há medalhas em ser enganador ou enganadora, mas, não há nenhum mérito em deixar-se levar por qualquer vento de doutrina, promessas fáceis. Este tipo de pessoa, são as mais iludidas, as presas mais fáceis, as vezes, creem em brincadeiras, e levam a sério muitas ilusões, a ponto de fazer como uma senhora que conheci em Divinópolis numa igreja. Numa reunião de oração ela disse:
- Hoje, vim a esta igreja para pedir a vocês para orarem por uma pessoa que eu amo muito!
- Por favor, fale o nome da pessoa minha irmã!
- Sinhozinho Malta da novela Roque Santeiro.
Assim são as pessoas crédulas. Não sabem diferenciar realidade de ficção, situações sérias de brincadeiras.
São aptas para muitas atividades da vida. Podem ser executivas. Podem ser diplomatas. Podem ter estudado muito. Ter doutorado. Pos-graduado. PhD. ThD, e no entanto, acreditar em qualquer um ou qualer uma que diga: “Eu te amo”, e se entrega com facilidade a uma fantasia que reside tão somente em sua mente.
Para este tipo de pessoas, a Beth fez um texto que descreve muito bem: Mané Cerol Virtual.
Tão ruim quanto ser uma pessoa medrosa é ser uma pessoa crédula. Mas, todos somos um pouco de cada, difícil é aceitar que é um, ou que é o outro. Mas, em deteminado momento, somos um ou outra.
Eu tive alguém que me alertou, mas nem todos temos, mas para isto, é aprender o que diz o “velho deitado”: Se você não tem um amigo para te corrigir os defeitos, reconheça ao menos a sinceridade de seus inimigos.